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Empresa prevê aplicar 300 milhões de euros na instalação e ativação de pontos de carregamento para veículos elétricos, na Europa, até 2025.

Ligou-se à corrente em 2018 e energia é algo que não tem faltado à Powerdot. A rede de postos de carregamento de veículos elétricos não para de crescer e o investimento da operadora é, no mínimo, "ousado", como admite José Maria Sacadura, cofundador e business manager da Powerdot.

 

"O crescimento da Powerdot tem sido uma jornada incrível para nós. Começámos com muita determinação e, desde então, não parámos de evoluir. Com investimentos sólidos desde o nosso início, em 2018, e a instalação sustentável de um vasto número de pontos de carregamento nos vários países da Europa onde estamos presentes, conquistámos um lugar de destaque no setor num curto espaço de tempo", avança.

 

No ano passado, a Powerdot recebeu um investimento significativo de 150 milhões de euros do fundo Antin, "o maior já registado em Portugal nas tecnologias climáticas", como explica José Maria Sacadura. "Também estamos a demonstrar um compromisso claro com a expansão internacional através da atual presença em seis países europeus", sublinha.

 

Ao longo destes cinco anos, a operadora fez parcerias com empresas como a CBRE, Mundicenter, Accor, Q8 ou a Widerproperty. Uma aposta que permitiu ter um "papel ativo na melhoria da infraestrutura de carregamento elétrico em vários países da Europa".

 

3500 postos de carregamento

 

Hoje, a Powerdot tem um total de 3500 postos de carregamento distribuídos por Portugal, França, Bélgica, Luxemburgo, Espanha e Polónia. E a ideia é continuar a expandir-se. "A Powerdot prevê chegar aos 300 milhões de euros investidos na instalação e ativação de pontos de carregamento para veículos elétricos, até 2025, em todos os mercados onde se encontra presente. Deste valor, 18 milhões de euros estão a ser aplicados, ao longo deste ano, no crescimento da rede nacional de pontos de carregamento", explica o cofundador da Powerdot.

 

Um dos grandes desafios da empresa é tornar os carregamentos mais "atraentes" e não apenas um desperdício de tempo. De que forma? "Contamos com uma abordagem abrangente daquilo que é o carregamento de um veículo elétrico.

 

Primeiro, seguimos o conceito de "destination charging", que, de forma muito resumida, se traduz na instalação de pontos de carregamento em locais comummente frequentados pelas pessoas, como supermercados e centros comerciais, permitindo que seja possível carregar um veículo elétrico enquanto se realizam outras atividades do dia-a-dia", explica. "Além disso", acrescenta, "trabalhamos em parceria com empresas de retalho para modernizar os seus espaços, dotando-os da infraestrutura de carregamento necessária e tornando-os mais atrativos e convenientes para os utilizadores de veículos elétricos". Ou seja, "trata-se de uma vantagem que não só ajuda a atrair mais clientes preocupados com a sustentabilidade, mas também oferece uma experiência de compra mais agradável".

 

A empresa investe igualmente em diferentes tecnologias para facilitar o ato de carregamento na rede pública, como foi o caso do Autocharge, lançado nos mercados francês e espanhol em parceria com a empresa Miio. "Trata-se de uma funcionalidade que inicia o carregamento automaticamente quando o veículo é ligado à estação de carga compatível, eliminando a necessidade de intervenção manual", esclarece.

 

Carregar sem ansiedade

 

Mas será que a mentalidade dos portugueses ainda terá de mudar neste aspeto? "Ainda há algum trabalho a fazer e acredito que a Powerdot está a contribuir para essa mudança, tornando os carregamentos mais acessíveis e convenientes. No entanto, a adoção em larga escala também necessita da ajuda dos governos, como, por exemplo, na definição de políticas públicas assentes na mobilidade sustentável ou, como forma de ultrapassar as barreiras económicas, a implementação regular de incentivos financeiros. Esta força conjunta é essencial para o sucesso da mobilidade elétrica em Portugal", sublinha José Maria Sacadura.

 

O responsável acredita que é possível acabar com a ansiedade provocada pelos carregamentos. "A transição para a mobilidade elétrica tem sido uma revolução notável na indústria automóvel, e Portugal tem-se destacado nesse processo. Não se trata apenas de adotar novas tecnologias, mas também de repensar a forma como abordamos o carregamento de veículos elétricos", refere. "Atualmente, muitos condutores enfrentam um problema de perceção daquilo que é o carregamento de um veículo elétrico, aquilo que nós chamamos de "desperation charging", ou seja, as pessoas que acreditam que carregar um veículo elétrico em ambiente não doméstico é praticamente um ato de "desespero" quando a bateria está praticamente descarregada", explica.

 

"Nesse sentido", acrescenta, "acreditamos que é importante passar a mensagem de que os veículos elétricos não precisam de ter a bateria 100% carregada, nem que o seu carregamento só acontece quando a mesma está perto dos 0%, o que comummente chamamos de "estar na reserva". Um carro elétrico pode ser recarregado em lugares onde os condutores fazem paragens regulares, incorporando assim o carregamento nas suas rotinas diárias. Esta abordagem torna o carregamento uma parte natural e conveniente da vida do condutor, sempre acessível quando necessário, sem longas esperas. A Powerdot tem seguido o seu caminho focado neste conceito, e acreditamos que só assim conseguiremos mostrar que não existe necessidade de ansiedade nesta transição".

 

As parcerias desempenham um papel estratégico na abordagem de expansão da empresa, que, recentemente, anunciou um projeto de grandes dimensões com a Biedronka, na Polónia, onde se encontra a implementar a maior rede de carregamentos rápidos no país, triplicando o número de supercarregadores viáveis para o público.

 

Além disso, a Powerdot foi também uma das duas únicas empresas portuguesas convidadas para o encontro Choose France Summit, com o Presidente francês, Emmanuel Macron, este ano. "Este convite destaca a importância das nossas colaborações internacionais e o reconhecimento da nossa contribuição para a mobilidade elétrica a nível europeu", conclui o business manager da operadora.

 

Em Dinheiro Vivo

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