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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Há falta de pontos de carregamento para carros elétricos na maioria das estradas da Europa. Em 10 países da UE, percorrem-se 100 km sem encontrar um único carregador.

A Associação Europeia de Construtores de Automóveis (ACEA) alertou esta quinta-feira para a falta de pontos de carregamento para carros elétricos na maioria das estradas da Europa. De entre os 27 países da UE, quase um terço (10) não chegam a ter um carregador elétrico por 100 km de estrada: Bulgária, Chipre, República Checa, Estónia, Grécia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia e Roménia.

 

Há, ainda, 18 Estados-Membros da UE que têm menos de cinco pontos de carregamento a cada 100 quilómetros, e apenas quatro têm mais de 10 carregadores. O estudo da ACEA ressalva um fator comum entre os países que não têm nenhum posto de abastecimento elétrico, já que todos eles (à exceção da Hungria) têm uma participação de mercado de carros elétricos inferior a 3%.

 

Apesar deste cenário, Portugal não pontua nada mal e ocupa a quarta posição da lista, com 14,9 carregadores por cada 100 quilómetros, o que lhe concede um lugar entre o top 5 de países europeus com mais pontos de carregamento. O primeiro lugar pertence aos Países Baixos, que conta com mais de 47 carregadores por 100 quilómetros de estrada. O Luxemburgo vem em segundo lugar, com 34,5, e a Alemanha em terceiro (19,4).

 

Apesar de ter em conta os visíveis avanços que alguns países da Europa já mostraram neste âmbito, Eric-Mark Huitema, diretor-geral da ACEA, considera que um “grande progresso na implantação de infraestrutura terá que ser feito em toda a UE num período de tempo muito curto” para fazer face ao “terrível estado da rede de carregamento noutros países da UE”.

 

Tendo em conta o pacote climático ‘Fit for 55’ publicado em julho — no qual a Comissão Europeia propôs que até 2030 as emissões de CO2 dos carros novos fossem 55% menores do que os níveis de 2021 — a ACEA referiu que os fabricantes de automóveis europeus terão de trazer milhões de carros elétricos para o mercado nos próximos anos.

 

Huitema disse, no mesmo comunicado, que é urgente reforçar o número de pontos de carregamento nas estradas para que este passo possa ser dado.“Os consumidores não serão capazes de mudar para veículos com emissão zero se não houver postos de abastecimento e de recarga suficientes ao longo das estradas onde eles conduzem”, advertiu.

 

“Por exemplo, se os cidadãos da Grécia, Lituânia, Polónia e Roménia ainda precisam de viajar 200 quilómetros ou mais para encontrarem um carregador, não podemos esperar que eles estejam dispostos a comprar um carro elétrico”, continuou o responsável da ACEA.

 

Nos resultados partilhados pela ACEA está ainda evidenciado o contraste entre a Holanda – o país com mais carregadores e a Polónia, um país oito vezes maior, mas apenas com um ponto de recarga para cada 250 quilómetros.

 

“Infelizmente, a proposta de um regulamento de infraestrutura de combustível alternativo – também um componente do ´Fit for 55´ – está fora de sincronia com as ambições da Comissão para as metas de CO2. Embora apreciemos a introdução de metas obrigatórias muito necessárias para postos de recarga e reabastecimento em cada Estado-Membro, eles precisarão de ser reforçados significativamente se quisermos cumprir os nossos objetivos climáticos”, concluiu o diretor-geral da ACEA.

 

A associação apela, por isso, ao Parlamento Europeu e ao Conselho para que aproveitem esta oportunidade para criar as condições certas para a mobilidade eletrónica durante as próximas negociações sobre o ´Fit for 55´.

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