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CABEÇALHO

O presidente da Reserva Federal (Fed), Jerome Powell, admitiu hoje que a inflação nos EUA é "generalizada" em todos os setores e que se deve manter acima do objetivo da instituição (dois por cento) "até bem dentro de 2022".

A admissão de Powell foi feita durante a conferência de imprensa posterior à divulgação do comunicado do comité de política monetária da Fed, que, no final de uma reunião de dois dias, deixou inalterada a taxa de juro de referência no intervalo entre zero e 0,25%, mas anunciou a intensificação do ritmo de redução do programa de compra de ativos.

 

A Fed considerava até há pouco que o aumento de preços estava concentrado em alguns setores.

 

Depois da decisão de hoje, Powell avançou que a Fed prevê acabar em meados de março o seu programa de injeção de liquidez na economia, como parte do estímulo monetário criado para responder á crise económica suscitada pela pandemia do novo coronavirus

 

"A economia está robusta e já não precisa deste apoio monetário", disse Powell, que justificou o prolongamento até meados de março pela inconveniência de "golpes bruscos" à economia.

 

Powell declarou ainda que não devem ocorrer subidas das taxas de juro enquanto o programa de estímulo durar, o que significa que se podem esperar para o primeiro semestre de 2022.

 

A taxa de juro de referência da Fed influencia parte substancial de crédito ás empresas e às famílias, incluindo imobiliário, cartões de crédito e comércio automóvel.

 

Estes custos do crédito podem começar a subir nos próximos meses, se bem que a ação da Fed nem sempre afete imediatamente outras taxas de crédito.

 

E mesmo que o banco central suba a sua taxa de referência por três vezes mo próximo ano, esta deve continuar a um nível historicamente baixo, inferior a um por cento.

 

Em comunicado emitido depois da reunião daquele comité (FOMC, na sigla em Inglês), a Fed assegurou que, mesmo com a inflação acima do seu objetivo, não deve começar a subir as taxas até que atinja o seu outro objetivo de "pleno emprego".

 

A subida dos preços persistiu mais do que a Fed esperava e espalhou-se de bens como alimentação, energia e automóveis, para outros como rendas de imóveis, refeições em restaurantes e quartos de hotel.

 

O seu peso tem-se feito sentir nos consumidores, em particular sobre os que têm rendimentos mais baixos e em bens necessários para o dia-a-dia e anulou os aumentos de salários que muitos trabalhadores receberam.

 

Em resposta, a Fed está a mudar o seu foco da redução do desemprego, que caiu saudavelmente para 4,2%, para o combate à subida de preços.

 

A nova política da Fed não está isenta de risco.

 

Se subir muito depressa o custo do financiamento, pode prejudicar os investimentos das empresas e as despesas dos consumidores. Em resultado, a economia pode enfraquecer e o desemprego aumentar.

 

Mas, se a Fed esperar demais para subir a taxa de juro, a inflação pode ficar fora de controlo.

 

Se, neste cenário, reagir demasiado agressivamente para apertar a concessão de crédito pode causar uma recessão.

Os dirigentes da Fed têm dito que esperam que a inflação arrefeça no segundo semestre.

 

Os preços dos combustíveis já estão a baixar, os estrangulamentos nas cadeias logísticas de abastecimento em alguns setores estão a aliviar e os estímulos do governo, que ajudou a manter a despesa, em contexto de pandemia, e alimentou a inflação, não devem regressar.

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