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CABEÇALHO

Este mês celebram-se 25 anos da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). o acordo de mobilidade e a sua ratificação jurídica ficarão como um marco histórico, mas é preciso mais para afirmar esta organização.

A 17 de julho passam 25 anos sobre a constituição da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), um projeto que definiu "como objetivos gerais a concertação política e a cooperação nos domínios social, cultural e económico" dos países que integram esta organização.


Ao longo deste quarto de século, a CPLP foi incapaz de atingir um estatuto de aglutinador dos interesses dos países de língua portuguesa. Muitas vezes, não por culpa própria, mas sobretudo porque tem sido subvalorizada pelos seus Estados- -membros. Os motivos são diversos. O Brasil sempre manteve alguma distância e a conjuntura económica desfavorável nos países africanos, e também em Portugal, dificultou a consolidação da CPLP pela via dos laços empresariais.

O acordo de mobilidade de pessoas no seio da CPLP, em que Cabo Verde se empenhou e que poderá ficar fechado no decurso da presidência angolana, constituirá um marco relevante no seio da organização, conferindo-lhe um importante grau de utilidade na resolução de problemas comuns. "Só circulando entre nós é que vamos sentir todos os benefícios desta comunidade", sublinhou o ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António. Todavia é preciso ir mais longe na definição de objetivos comuns.


A este propósito é útil recuperar o diagnóstico do ex-presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, efetuado no já distante ano de 2014, mas que sete anos depois permanece atual.


"Tenhamos a coragem de descer de orgulhos mal disfarçados e de sentimentos latentes de mútua desconfiança. É urgente que se faça uma discussão séria e honesta sobre a participação de cada Estado lusófono no plano de desenvolvimento económico sustentável", afirmou Xanana Gusmão, salientando a necessidade de "plantar a bandeira" da lusofonia "nos negócios do mundo".

Projetos comuns nas matérias-primas


Existem áreas na vertente económica em que a CPLP se pode - ria afirmar à escala global. Por exemplo, todos os países da comunidade, excetuando Portugal e Cabo Verde, têm reservas de petróleo ou gás natural. Esta afinidade tem potencial para gerar o estabelecimento de sinergias ou até mesmo de projetos comuns que tornem mais forte cada um dos países individualmente.


A língua é o fator que cola a CPLP, mas nos tempos atuais esta circunstância é insuficiente. É preciso ultrapassar a barreira da cooperação institucional e criar laços económicos e casamentos empresariais perenes. A mudança só se tornará efetiva quando os países apostarem as suas fichas políticas e diplomáticas na CPLP. Algo que tem falta do até agora.


P.S.: Devido a férias, o Radar Africa não se publica nas próximas duas semanas. A rubrica regressará a 27 de julho.

Factos relevantes


A assembleia parlamentar da CPLP realiza-se nos próximos dias 7 e 8 de julho, na Guiné-Bissau.


Angola vai assumir a presidência da CPLP durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo da organização, que terá lugar a 16 e 17 de julho, em Luanda.

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