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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Apesar do travão em termos de contratualizações de investimentos para Portugal nos 285 milhões, a AICEP salienta que aprovou em 2020, ainda assim, projetos que totalizam os 560 milhões de euros. Um valor que realça já que 2020 foi ano de pandemia.

António Costa tinha desafiado Luís Castro Henriques, presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), a voltar a bater o recorde de captação de investimento para Portugal em 2020, depois do marco de 1.172 milhões de euros conseguido pelo ano de 2019.

"2020 ia ser outro ano muito, muito bom", admite ao Negócios o presidente do organismo, reconhecendo que, no entanto, "a partir de março o cenário mudou bastante". No conjunto do ano que terminou e que foi, durante mais de nove meses, dominado pela pandemia da covid-19, foram contratualizados 285 milhões de euros de investimentos, mas os projetos aprovados ascenderam a 560 milhões de euros.

O que significa que o investimento contratualizado em 2020 caiu 76% face ao ano anterior, tendo sido de 70% a queda em comparação com a média anual dos anos do PT 2020 e de quase 40% em relação à média anual do quadro anterior, o QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional), revelam números da AICEP, disponibilizados ao Negócios.

Não há como fugir a eles, mas Luís Castro Henriques também refere um outro: se for considerado o investimento aprovado (os tais 560 milhões) o valor está 20% acima da média anual do QREN. E é aqui que Luís Castro Henriques vê um bom sinal, já que assumindo ser "um ano fraco em contratualização, foi um ano mais do que razoável em termos de aprovação". As explicações para a diferença passam pelo facto de haver contratos em circulação nas empresas e em entidades públicas para a obtenção de aprovações. Outra justificação para a queda das contratualizações, que está diretamente ligada à pandemia, é a redefinição dos calendários e prioridades por parte das empresas.

Mas são projetos que não se perderam. Estão, reforça Castro Henriques, em circulação.

Continua a haver confiança
Luís Castro Henriques, em declarações ao Negócios, assegura que Portugal continua a merecer a confiança dos investidores estrangeiros. Aliás, segundo os dados fornecidos pela entidade que lidera, dois terços do investimento que a AICEP tinha em "pipeline" em 2020 e que não foi contratualizado transitou para 2021, o que significa que não se perdeu esse investimento, tendo sido adiado.

Houve um, no entanto, que se perdeu. Conforme foi noticiado, a Ineos desistiu de fazer de raiz uma fábrica de automóveis em Estarreja, onde iria construir jipes. Eram mais de 200 milhões de euros. A Ineos optou por ficar com uma fábrica que fora da Daimler, e, portanto, já construída, em França. Mesmo sem montar a unidade fabril em Estarreja, a empresa britânica anunciou recentemente que instalará em Gaia um centro para apoiar a cadeia de fornecimentos e as operações de aquisições da empresa.

Luís Castro Henriques aproveita para afirmar que "a experiência connosco foi tão positiva que estão a deixar um centro no país", o que o leva a dizer que Portugal não perdeu competitividade e continua a merecer a confiança dos investidores. Em 2020, a AICEP diz ter angariado 30 novos projetos de investimento, em particular na área tecnológica, e que representarão a criação de mais de dois mil postos de trabalho. Estes projetos são de 28 clientes, sendo 19 ligados aos serviços. Aliás, Luís Castro Henriques compara estes 28 novos clientes da AICEP com os 33 conseguidos em 2019, e que foi um ano de recorde. Mais um indicador que considera positivo, num ano de pandemia.

Estes projetos são, essencialmente, em áreas das tecnologias de informação, como desenvolvimento de software. "O fator fundamental é o talento que está cá", realça, para assim refutar a possibilidade de estes centros poderem estar a perder gás pela digitalização aumentada por esta pandemia que levou a que cada vez mais pessoas trabalhem a partir de casa. Aliás, a digitalização até pode ter contribuído para a decisão de expansão de alguns dos centros.

Castro Henriques não tem, assim, dúvidas de que "nos mantivemos competitivos. Mantivemos o ‘pipeline’ e segurámos clientes, que mantêm a confiança, e mantêm-se a trabalhar connosco". 

O perfil do investidor, conta o mesmo responsável, é diversificado, o que leva Castro Henriques a acreditar que o movimento de diversificação que a AICEP começou a promover em 2017/18 está a dar frutos. Os investimentos chegam da Europa, com Alemanha e França à cabeça, mas começam a surgir da Dinamarca e Suíça, por exemplo. E além-mar, os investimentos surgem principalmente do Brasil e dos Estados Unidos da América.

Como vai ser 2021?
A expectativa é ver como vai evoluir a pandemia em 2021 que começou com um confinamento quase generalizado na Europa e em outras partes do globo. A captação de investimentos continua a acontecer de modo virtual, conta Luís Castro Henriques, que, no entanto, admite que "as decisões estão muito condicionadas pela perspetiva que há da duração do confinamento, a nível global, sobretudo europeu", que "aumenta bastante a perceção de incerteza". O tempo determinará a evolução, mas não é uma situação particular de Portugal, diz o responsável, acreditando que é o que se passa de forma generalizada nos investimentos de qualquer país.

Já no caso do fomento das exportações, embora a atividade da AICEP também tenha passado quase toda para o mundo digital, Luís Castro Henriques não esconde que para novos clientes os eventos físicos, como feiras, são muito relevantes. "Para aumentar a plataforma de novos clientes é necessário retomar a normalidade", conclui.

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