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CABEÇALHO

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje que a economia mundial pode entrar em recessão em três anos num "cenário severamente adverso" devido a vulnerabilidades financeiras como variações de ativos, endividamento e falta de dólares nos bancos.

"As vulnerabilidades podem tornar o caminho acidentado, e podem colocar o crescimento em risco; a análise sobre este tema, que liga as condições financeiras à distribuição do crescimento global futuro, indica que, num cenário severamente adverso, o crescimento pode ser negativo daqui a três anos", disse o conselheiro financeiro do FMI, Tobias Adrian.

 

Durante a conferência de imprensa que decorreu em Washington, para apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira Global, aquele economista explicou que as fraquezas resultam "da acumulação de vulnerabilidades a médio prazo durante os últimos anos de baixas taxas de juro".

 

Entre as principais fraquezas do sistema financeiro mundial, o FMI elenca a diferença de valorizações em várias classes de ativos, o endividamento por parte dos mercados emergentes e os países de baixo rendimento, e os desfasamentos na liquidez dos bancos em dólares.

 

"A recuperação económica tem sido resiliente apesar da recente volatilidade dos mercados, mas os investidores e os decisores políticos não devem ficar muito confortáveis com as atuais condições financeiras relativamente fáceis", vincou Tobias Adrian, concluindo que os agentes económicos "devem continuar cientes dos riscos associados ao aumento das taxas de juro, da elevada volatilidade do mercado e da subida das tensões comerciais".

 

A possibilidade de uma guerra comercial entre as duas maiores economias mundiais, os Estados Unidos e a China, não teve, para já, efeitos práticos a não ser o aumento da instabilidade nos mercados.

 

"As implicações financeiras da tensão comercial é o aumento da incerteza dos investidores; as condições financeiras apertaram-se mas mantêm-se favoráveis, o efeito principal da tensão comercial é a incerteza nos mercados financeiros", vincou.

 

O FMI estimou na terça-feira que a economia mundial cresça 3,9% este ano, melhorando uma décima face aos 3,8% de crescimento de 2017, ano que registou o maior crescimento desde 2011.

 

"O crescimento mundial fortaleceu-se em 2017 para 3,8%, com uma recuperação notável do comércio mundial, e foi liderado pela recuperação do investimento nas economias avançadas, pela manutenção do crescimento forte na Ásia, uma notável aceleração na Europa emergente, e sinais de recuperação em vários exportadores de matérias-primas", lê-se nas Previsões Económicas Mundiais (World Economic Outlook, no original em inglês).

 

No documento, divulgado em Washington, no arranque dos Encontros da Primavera, organizados anualmente em conjunto com o Banco Mundial, lê-se que "o crescimento mundial deve aumentar 3,9% este ano e no próximo, apoiado por um fôlego forte, pelo sentimento favorável nos mercados, pelas condições financeiras acomodatícias e pelas repercussões internas e externas da política orçamental expansionista dos Estados Unidos".

 

A "recuperação parcial" dos preços das matérias-primas, acrescenta o FMI, deve permitir aos países exportadores melhorarem a sua economia gradualmente, apesar de o FMI prever que, a médio prazo, o crescimento mundial baixe para 3,7%.

 

Ainda que o crescimento para 2018 e 2019 esteja ao nível mais alto desta década, os técnicos do FMI alertam para a falta de garantias de que a aceleração se mantenha.

 

"Os riscos ascendentes e descendentes [que podem influenciar as previsões para cima ou para baixo] são equilibrados nos próximos trimestres, mas mais à frente tendem para a parte descendente", lê-se no documento.

 

"Com as condições financeiras ainda facilitadas e a inflação persistentemente baixa, o que obrigou uma acomodação de política monetária mais prolongada, a acumulação de vulnerabilidades financeiras pode originar um rápido aperto nas condições financeiras, com impacto na confiança e no crescimento", acrescentaram os peritos do FMI.

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