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Plataforma digital criada pela Vista Alegre reúne meia centena de marcas nacionais e pretende levar à Europa o "estilo descontraído" e um certo slow living que os estrangeiros associam aos países do sul. Dentro de cinco anos quer faturar 1,5 a 2 milhões de euros.

Chama-se Casa Alegre e é a nova plataforma digital do grupo Vista Alegre Atlantis, que pretende ser uma montra do que de melhor se faz em Portugal. Seja na casa, na decoração, nos artigos de lifestyle ou simplesmente na escolha de locais para passar um fim de semana diferentes em Portugal. Criada há três meses, a nova plataforma arrancou com meia centena de marcas, número que deverá, em breve, crescer. E no primeiro semestre do próximo ano, a Casa Alegre vai chegar ao resto da Europa.

 

Para já, a Casa alegre tem sido dada a conhecer sobretudo através das ações de comunicação nas redes sociais, mas começa também já a investir em publicidade offline, designadamente em outdoors e revistas. Mas esta não é uma plataforma ou um market- place como os outros. A intenção da Casa Alegre não é ter muitas marcas e muitos produtos para venda, é ter marcas selecionadas e produtos diferenciados, alguns até desenvolvidos especificamente para esta plataforma e que não poderá encontrar noutro lado.

 

Este foi um projeto pensado e desenvolvido ao longo de ano e meio, mas que a pandemia veio acelerar. "Constatamos que Portugal tem cada vez mais marcas, muitas delas novas, com muita qualidade, mas que ou não chegavam ao público nacional porque não tinham canais de venda, ou estavam mais vocacionadas para o B2B e para canais externos, fazendo com que o consumidor nacional não tivesse acesso facilitado a elas e foi isso que quisemos ajudar a mudar", explicou, ao Dinheiro Vivo, o responsável do projeto, Nuno Barra.

 

A Casa Alegre só vende marcas nacionais, e que se diferenciem por uma grande aposta na sustentabilidade e na produção local. Aqui poderá encontrar produtos selecionados de áreas diversas, que vão da decoração e lifestyle ao gourmet e ao bem-estar. Além dos artigos para a casa, o vestuário e calçado ou os vinhos, pode ainda comprar mobiliário, pranchas de surf, bicicletas elétricas ou simplesmente escolher um local para passar um fim de semana.

Fruto de um trabalho intenso de curadoria, o projeto arrancou com 50 marcas, muitas delas históricas, como a Ach brito, Boca do Lobo, Bordallo Pinheiro, Ramos Pinto, Renova, Sanjo, Viarco, Viúva Lamego e Vista Alegre, claro, entre outras.

 

Nuno Barra, responsável pelo projeto, reconhece que o contacto com os parceiros e a escolha dos produtos foi o que levou mais tempo. "Era importante ter uma diversidade de produtos relevante para o consumidor final", defende. E já há novos parceiros na calha para entrar, muito em breve. A intenção é que a Casa Alegre seja "muito dinâmica" e esteja em "constante evolução".

 

Este responsável não avança com nomes, mas fala numa marca de vestuário, "muito recente, com coisas que não são fáceis de encontrar no retalho habitualmente", alguns acessórios de moda, decoração de interiores e iluminação, uma "grande marca" de têxteis-lar e uma outra de mobiliário "focada sobretudo em cadeiras" e que não vende diretamente ao consumidor.

 

No caso do gourmet, a intenção é apostar muito nos pequenos produtores, "muito focados numa distribuição local ou regional, dando-lhes um palco nacional e internacional".


Além disso, a Casa Alegre conta com linhas de produtos desenhadas especificamente para o site, como é o caso dos têxteis de cozinha e casa de banho da LasaHome. "O objetivo é trazer coisas novas para o mercado, não fazer mais do mesmo.

 

Queremos introduzir sempre novidades para o consumidor final, diferenciadas em função da época do ano. Na primavera-verão teremos propostas para atividades mais de outdoor, no outono-inverno, serão mais viradas para a cidade", explica Nuno Barra. Três meses depois da abertura, o balanço é muito positivo. "Temos vindo a crescer todos os meses, como é natural, e os indicadores são bons. Dezembro já conseguiu superar o somatório das vendas dos meses anteriores", garante.

 

Os clientes da plataforma são "bastante diversificados", mas 65% são mulheres e das classes A, B, C1 e C2, com as vendas a ocorrer um pouco por todo o país. Além de Lisboa e Porto, o Algarve e a Madeira registam "boas vendas", bem como cidades como Leiria e Coimbra. O ticket médio ronda os 80 euros, "bastante acima" do esperado.


Em fase de desenvolvimento e afinação de pormenores está a loja para o mercado europeu, que deverá arrancar no primeiro semestre do próximo ano. "O site tem portes gratuitos em Portugal e gostaríamos de manter o modelo na Europa. O online caminha muito para aí, porque o cliente quando vai à loja paga o preço que está marcado, não tem que se preocupar com outros encargos extra. Mas isso obriga a uma série de afinações, porque a Europa tem zonas geográficas distintas", explica.

 

Por definir está, ainda, se a Casa Alegre abrirá para o mercado do Reino Unido ao mesmo tempo que para o resto da Europa, ou se terá de ser criada uma loja específica para este mercado.

 

Mais tarde, o objetivo é alargar a Casa Alegre a outros mercados, sendo os EUA uma possibilidade. "Este é um projeto sobre o qual temos muita ambição e muitas expectativas, mas que tem que ser encarado etapa a etapa, numa lógica de longo prazo", frisa Nuno Barra. Em velocidade de cruzeiro, "talvez daqui por cinco anos", o objetivo é faturar qualquer coisa entre 1,5 a dois milhões de euros. "Seria um bom resultado", diz.

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