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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Portugal tem sido alvo de investimento contínuo da Bosch e isso vê-se, entre outros, no Centro de Desenvolvimento construído em Aveiro, onde as tecnologias do futuro são o foco. Desde 2014, foram contratados cerca de 200 engenheiros para a área de software e, ainda este ano, está prevista a contratação de mais 50 profissionais especializados.

A aposta no recrutamento e no reforço da equipa com colaboradores com formação muito direccionada para estes novos desafios tecnológicos fazem com que a Bosch Portugal assuma até uma posição de destaque no desenho de soluções relacionadas com a condução autónoma, por exemplo.

 

Segundo Pedro Ribeiro, vice-presidente Engineering Bosch Termotecnologia SA. Aveiro, «os engenheiros portugueses têm uma formação académica muito sólida e são, por isso, uma mais-valia para o investimento estrangeiro em Portugal». Ainda assim, o responsável não esconde que «devido à escassez de determinados perfis especializados, no futuro, poderá vir a ser necessário recrutar no exterior, mesmo que esporadicamente».

 

Pedro Ribeiro sublinha ainda, em entrevista à Executive Digest, que nem todos os países da Europa conseguem competir com Portugal em termos de competência e comprometimento do talento. E esse é «um grande trunfo para cativar projectos para as equipas de I&D».

 

A Bosch Portugal tem apostado na contratação de perfis especializados. O que é que isto significa na prática?

 

Sim, é verdade, tem havido uma grande aposta na contratação de perfis especializados, algo que reflecte sobretudo a contínua aposta da Bosch em Portugal, com diversos projectos de I&D, seja nas áreas de desenvolvimento de software ou hardware, e também na I4.0.

 

Para dar resposta a esses projectos, precisamos de reforçar as nossas equipas com pessoas com competências específicas e esta é uma realidade que se aplica não só à localização de Aveiro, mas também a Braga ou a Ovar.

 

No caso concreto de Aveiro, temos um plano de crescimento estratégico para os próximos anos para o nosso Centro de Engenharia e, por isso, a maior parte dos perfis que procuramos são especializados em áreas como as de IT e desenvolvimento de software precisamente para conseguirmos dar resposta às necessidades de I&D associadas a este centro. Os engenheiros portugueses têm uma formação académica muito sólida e são, por isso, uma mais-valia para o investimento estrangeiro em Portugal.

 

De que forma é que esta aposta distingue a empresa dos seus rivais?

 

Na Bosch não olhamos para os nossos adversários como rivais, mas sim como concorrentes, o que nos desafia todos os dias a querer fazer mais e melhor e a superarmo-nos em cada projecto. A competição é positiva porque faz com que queiramos sempre chegar mais longe e isso é algo que, consequentemente, se traduz em benefícios para as pessoas, para as empresas e para a sociedade no geral.

 

Na Bosch transformamos em realidade a visão da tecnologia do futuro com o objectivo primordial de melhorar a qualidade de vida das pessoas. Quem decide fazer parte da família Bosch sabe que vem para contribuir para a criação de “Tecnologia para a vida”.

 

A Bosch tem a particularidade de ser um empregador industrial e também tecnológico, mais do que desenvolver produtos, criamos soluções que tornam a vida das pessoas melhor e mais segura, geramos inovação e esses são, sem dúvida, aspectos que nos distinguem e valores que nos definem.

 

Quais são os planos de recrutamento e expansão do Centro de Desenvolvimento para este ano?

 

Estamos a recrutar para a Bosch Aveiro cerca de 50 engenheiros até ao final do ano. O foco destas contratações está no desenvolvimento de software, área para a qual já contratámos cerca de 200 engenheiros desde 2014, e também na área de engenharia mecânica ligada ao desenvolvimento de bombas de calor e indústria 4.0. De acrescentar, ainda, a contratação de engenheiros para dar resposta aos projectos de inovação que temos tido nos últimos anos, e continuaremos a ter, com a Universidade de Aveiro.

 

Temos outros projectos planeados para arrancarem ainda este ano e que, muito possivelmente, se irão traduzir em mais algumas contratações para a criação das equipas que vão trabalhar nesses projectos, mas para já não conseguimos avançar com números concretos.

 

Estes planos foram impactados pela pandemia?

 

Não foram. Mantivemos os nossos planos no que diz respeito a estas áreas de I&D, assim como continuámos a recrutar durante estes meses de pandemia. Tivemos de nos reajustar nos processos, mas naquilo que diz respeito a estas áreas de negócio que são estratégicas para a Bosch Termotecnologia os planos mantiveram-se.

 

Qual é o investimento associado ao recrutamento previsto para este ano?

 

Na Bosch não olhamos para as nossas pessoas como números, mas sim por aquilo que são, pelas competências que têm e pelas mais-valias que podem aportar à empresa. O investimento que fazemos é no talento, e temos previsto continuar a fazê-lo ao longo deste ano e nos próximos anos

 

Portugal tem o talento necessário para responder às necessidades da Bosch?

 

Até ao momento temos conseguido fazer face às nossas necessidades dentro de portas, mas estamos conscientes que, devido à escassez de determinados perfis especializados, no futuro, poderá vir a ser necessário recrutar no exterior, mesmo que esporadicamente.

 

No entanto, temos construído e mantido uma relação próxima com várias universidades em Portugal, das quais podemos realçar, por exemplo, Aveiro, Minho e Porto. Esta proximidade e ligação têm tido um papel fundamental para a captação de novos talentos e, claro, para o desenvolvimento dos vários projectos de inovação. Faço questão de reforçar, novamente, o talento e a qualidade da formação dos engenheiros portugueses e digo isto baseado na minha experiência, resultante da liderança de várias equipas de I&D em diferentes países do Mundo.

 

Gostaria, ainda, de aproveitar esta oportunidade para deixar uma nota de agradecimento às nossas escolas pelo excelente trabalho feito na educação dos nossos talentos, que é reconhecido a nível internacional.

 

Quais são os principais obstáculos?

 

Um dos principais obstáculos é, sem dúvida, a escassez de determinados perfis específicos para algumas áreas de tecnologia, sejam de desenvolvimento de software como de hardware. Por outro lado, existe ainda o facto de estarmos num mercado que é global e em que o reconhecimento da qualidade do talento português lá fora faz aumentar a concorrência e a competição entre as principais empresas do sector. Temos o trunfo de sermos uma marca muito reconhecida pelos seus valores de qualidade, inovação, sustentabilidade e pela sua história, não só em Portugal, mas a nível mundial, e tentamos sempre que necessário tirar partido disso.

 

Que resultados é que a Bosch tem obtido com este reforço das equipas do seu Centro de Desenvolvimento?

 

O crescimento sustentado das equipas do Centro de Engenharia tem tornado as nossas bases cada vez mais sólidas, permitindo Aveiro “fazer” realmente inovação e captar conhecimento para Portugal, ao mesmo tempo que apostamos no desenvolvimento dos nossos talentos para podermos atingir resultados de excelência. Resultados esses que pretendemos que continuem a trazer mais projectos Bosch para Aveiro, tornando esta localização preferencial para as atividades de I&D. Além disso, já temos actualmente implementados fóruns de discussão e partilha, por disciplina, e isto tem uma importância crucial no desenvolvimento do know-how.

 

Como compara a estratégia da empresa em Portugal a este nível com os outros mercados onde a Bosch está presente?

Sendo uma multinacional, existem diferentes oportunidades pelo Mundo e naturalmente diferentes estratégias adaptadas a cada realidade.

 

Em Portugal, temos a oferecer competência e comprometimento dos nossos talentos e, embora possa parecer estranho, nem todos os países da Europa (como exemplo pois está mais perto de nós) conseguem competir ao nosso nível, sendo esse um grande trunfo para podermos cativar projectos para as nossas equipas de I&D em Portugal.

 

Finalmente, gostaria de referir a excelente oportunidade que temos com os projectos em co- promoção com as universidades, pois esta dimensão híbrida empresa/academia proporciona atingir níveis de resultados que nunca seriam possíveis se estivéssemos a “caminhar sozinhos”.

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