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CABEÇALHO

Nunca a EDPR construiu tanta nova potência em 15 anos de vida. Apesar dos ventos adversos, a companhia prepara-se para dois anos a bater recordes, prevendo ter quase 21 gigawatts de potência instalada no final do próximo ano.

A EDP Renováveis (EDPR) prepara-se para atingir um recorde de nova potência instalada em dois anos consecutivos. A elétrica planeia instalar 2,5 gigawatts até ao final deste ano, e mais 4 gigawatts em 2024.

 

Se cumprir todas as adições de potência previstas em 2023 e 2024, a energética portuguesa vai ultrapassar os 20 gigawatts de capacidade para passar a contar com 20,8 gigawatts.

 

Nunca a EDPR construiu tanto. O anterior recorde anual data de 2021 quando foram concluídos mais de 1,4 gigawatts, seguidos de três anos com mais de 1,1 gigawatts (2009, 2010 e 2022), segundo a análise do Jornal Económico.

 

Quando a empresa arrancou em 2008, tinha uma base de 4,4 gigawatts de ativos renováveis, mas estes foram herdados da EDP e não foram produção própria.

 

A companhia prevê instalar mais de 50 projetos este ano no total de 2,5 gigawatts. Para o próximo ano, a cotada espera concluir mais de 70 projetos, num total de 4 gigawatts.

 

“Há uma procura por renováveis, é inegável. Apesar dos ventos adversos, a escassez de projetos prontos a construir” cria as condições adequadas para investir a longo prazo, desde que os riscos sejam controlados, sublinhou o CEO da EDPR Miguel Stilwell de Andrade numa chamada com analistas na terça-feira.

 

Neste momento, adicionou mais de 800 MW até setembro, tendo já ultrapassado os 15 gigawatts e espera concluir mais 1,7 gigawatts até ao final de dezembro, para atingir os 2,5 gigawatts de nova capacidade em 2023.

 

Se cumprir todas as adições de potência previstas em 2023 e 2024, a energética portuguesa vai ultrapassar os 20 gigawatts de capacidade para passar a contar com 20,8 gigawatts.

 

A empresa até previa instalar 3,4 gigawatts este ano, mas 900 MW foram adiados devido aos problemas com fornecimento de painéis solares nos EUA, depois de Washington ter bloqueado as vendas de vários produtores chineses por suspeitas destes produtos estarem a ser produzidos recorrendo a trabalho forçado pelos uigures, uma minoria muçulmana na região oeste do país.

 

“Isto vai ser resolvido, vão ser instalados em 2024”, garantiu o gestor na chamada.

 

No mercado norte-americano deixou elogios ao preço obtido pela empresa no leilão eólico offshore no estado de Nova Iorque de 150 dólares/MWh.

 

“O eólico offshore pode ser uma tecnologia efectiva. Nos EUA, o ecosistema não está tão amadurecido como na Europa”, onde a tecnologia é usada há 16 anos.

 

Noutros mercados europeus, os preços têm variado: França (85 euros/MWh), Itália (65 euros/MWh) e Reino Unido (71 euros/MWh).

 

O gestor também destacou que dois projetos eólicos na Colômbia de 500 MW foram adiados após problemas no processo de licenciamento de linhas de transporte de eletricidade.

 

Em termos de projetos em construção e em pipeline, a empresa conta com 9,3 gigawatts assegurados.

 

A EDP Renováveis atingiu lucros de 445 milhões de euros até setembro, mais 7% face a período homólogo. A produção de eletricidade subiu 3% durante este período para 25,2 TWh, com o preço médio de venda a recuar 7% para 62 euros/MWh.

 

Depois de apresentados os resultados, o Goldman Sachs anunciou que mantém o seu preço-alvo nos 21 euros por ação e a recomendação em “comprar”, destacando a nova capacidade esperada até 2034. No entanto, alerta para vários riscos, incluindo atrasos no programa de fomento económico dos EUA, o IRA, nova capacidade abaixo do esperado, preços de eletricidade abaixo do esperado, taxas de juro soberanas elevadas.

 

O GS considera que a EDPR parece estar em linha para cumprir o consenso dos analistas consultados pela Bloomberg de atingir um EBITDA próximo de 2 mil milhões de euros este ano.

 

O banco destaca que o ano tem sido marcado por fator de utilização abaixo da média, receitas mais baixas por unidade, e adições de capacidade moderadas, com “apenas” 850 MW nos últimos 12 meses.

 

Em O Jornal Económico

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