NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

As alterações climáticas e os seus efeitos constituem um dos maiores desafios da atualidade, afetando todas as regiões do mundo.

Para evitar repercussões ambientais, económicas e sociais em todo o planeta, empresas,

cidadãos e entidades públicas têm um papel a desempenhar na construção de uma sociedade e economia

mais verdes.

 

Reafirmando o seu compromisso no fomento da relação entre Portugal e França, os Conselheiros do Comércio

Externo da França, em Portugal – CCEF – lançam este ano mais uma vez a debate um tema importante: A

Transição Ecológica e a responsabilidade das empresas, através da realização do estudo “Portugal e França:

Juntos na Transição Ecológica - A responsabilidade das empresas em tempo de Covid”, que aborda o combate

às alterações climáticas, colocando o foco nas empresas, com destaque para as de origem francesa presentes

em Portugal, enquanto agentes responsáveis por uma sociedade mais sustentável.

 

No estudo procurou-se também compreender e avaliar se a preocupação e o compromisso com a transição

ecológica por parte das empresas é, ou não, um fator de valorização perante os cidadãos e de que forma é

que os cidadãos percecionam este compromisso.

 

Os resultados do estudo indicam-nos que se verifica uma tendência ao nível da consciencialização ambiental:

75% dos cidadãos inquiridos residentes em Portugal dizem-se preocupados com o ambiente e as alterações

climáticas, com 14% a afirmarem estar muito preocupados e 61% a demonstrarem alguma preocupação. Esta

preocupação reflete-se quando 88% dos cidadãos inquiridos confirmam valorizar produtos, empresas e marcas

sustentáveis.

 

Esta valorização não se restringe aos produtos e serviços. Os cidadãos inquiridos têm uma visão mais alargada

e perante, por exemplo, um contexto de mudança de emprego, em que se escolhe entre um empregador

comprometido com a sustentabilidade e um que não o seja, 54% admitiram que prefeririam as ofertas de

trabalho de empresas associadas a boas práticas ambientais. Apenas 3% dos portugueses inquiridos dizem

não ter de todo em consideração este fator quando se candidatam.

 

No entanto, a maioria dos inquiridos (69%) continua a percecionar que as empresas comprometidas com a

proteção ambiental representam uma minoria. Esta perceção dos cidadãos de que apenas uma parte está

empenhada na concretização deste objetivo poderá estar relacionada com o facto de, atualmente, apenas 23%

se recordarem de ações ambientais promovidas pelas empresas, o que evidencia que os esforços têm tido

ainda pouco impacto e visibilidade junto dos cidadãos.

 

Para alcançarem o compromisso com a proteção ambiental, as empresas precisam de realizar ações concretas;

e para obterem reconhecimento, precisarão de conseguir comunicar melhor junto dos consumidores. Isto

porque 62% consideram que as ações realizadas e comunicadas pelas empresas, apesar de corresponderem a

um compromisso efetivo, são também desenvolvidas com o intuito de trabalhar a sua imagem; 24%

consideram que servem apenas para passar boa imagem e apenas 14% acreditam num compromisso efetivo,

em que a imagem passada é secundária. Por outras palavras, se é um facto que os consumidores não acreditam

facilmente nas medidas de responsabilidade social que muitas vezes as empresas declaram cumprir, é

igualmente verdade que os cidadãos estão mais capazes de distinguir green washing dos compromissos

autênticos das empresas.

 

Os resultados do estudo ainda nos indicam que, quando questionadas sobre qual o grau do seu compromisso

com a transição ecológica, numa escala de 1 a 10, as empresas francesas em Portugal autoclassificam-se com

8,7. O estudo revela ainda que 39% destas empresas francesas em Portugal chegam mesmo a atribuir a nota

máxima, dando indicação que a respetiva organização está totalmente empenhada neste tema. Um

compromisso que para mais de 50% das empresas se tem traduzido, por exemplo, na criação de estruturas

especificamente dedicadas à gestão da mudança, colocando no centro a preocupação sobre a forma de fazer

avançar as suas organizações e negócios neste caminho.

 

No entanto, as empresas francesas em Portugal admitem que concretizar esta transição não é uma tarefa fácil,

identificando mais de metade os hábitos e costumes (resistência cultural) como o principal obstáculo, e quase

um terço os custos elevados do processo. Cerca de 26% identifica outros aspetos como a resistência à mudança

e 13% a burocracia associada a estes processos, a complexidade da estrutura e a falta de apoio do Estado,

barreiras que precisam ainda de ser ultrapassadas.

Partilhar