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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O ministro destacou esta sexta-feira a importância da bazuca financeira na retoma económica nacional e mostrou-se otimista em relação ao desempenho das exportações.

Desta vez não estamos sozinhos", começou por dizer Pedro Siza Vieira durante uma intervenção na quarta e última sessão da Conferência Anual da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), que decorreu esta sexta-feira em Lisboa. O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital referia-se ao papel da União Europeia durante a crise pandémica e às diferenças em relação à última crise financeira, elogiando a "unidade" demonstrada ao longo dos últimos dez meses. "Os Estados não ficaram entregues a si próprios a ter que apoiar a recuperação das economias", afirmou, apontando que a resposta portuguesa não esteve exclusivamente dependente dos recursos nacionais.

 

Para o responsável, que se assume como "europeísta convicto", esta ação concertada demonstra "vontade de assegurar que a recuperação da economia europeia e de cada um dos seus Estados-membros se faz da forma mais vigorosa possível". Sobre o próximo quadro comunitário plurianual, sublinha o envelope financeiro de 18 mil milhões de euros a caminho de Portugal e o poder transformador que este valor terá no país. Será essencial, diz, para "financiar as reformas necessárias à melhoria das condições de desempenho da nossa economia". As mudanças profundas devem incidir sobretudo em três grandes áreas - a descarbonização, a transformação digital e o crescimento em valor.

 

Por outro lado, Siza Vieira mostrou-se confiante na capacidade do tecido empresarial português em retomar o crescimento registado nos últimos cinco anos e as conquistas conseguidas nas exportações. "De 2015 a 2019, o valor das nossas exportações de bens e serviços passou de 64 mil milhões de euros para mais de 90 mil milhões de euros, um crescimento de mais de 40% num curtíssimo período", recordou. Além de uma balança externa mais equilibrada, o ministro considera particularmente relevante o aumento de mercados, da quota de mercado e da qualidade dos produtos vendidos ao exterior. "Este é um percurso que gosto de salientar e para o qual as políticas públicas devem continuar a apoiar as empresas a percorrer", diz. Já no período covid, e apesar da forte contração económica, o desempenho das exportações em setembro e outubro voltaram a valores "muito próximos" dos verificados no período homólogo de 2019.

 

Agilidade, resiliência e inovação

Resiliência será, certamente, uma das principais palavras do ano, mas Luís Castro Henriques acredita que é o termo certo para descrever as empresas portuguesas, em particular na atividade que desenvolveram desde março. "Acho que as empresas exportadoras de 2020 são muito diferentes daquilo que eram em 2010. Têm maior adaptabilidade, estão abertas ao mundo e percebem que isso implica rapidez, eficiência e estabilidade", refere ao Dinheiro Vivo à margem da conferência.

 

O presidente da AICEP - que admite ter existido "uma grande aprendizagem" também para a agência, nomeadamente na digitalização de processos - diz que esta é uma crise "muito profunda e dura", embora reforce a confiança na recuperação durante o segundo semestre do próximo ano. "Sabíamos que éramos competitivos, que estávamos a exportar mais e a ganhar quota, não há motivo para não continuarmos", afirma. Do lado da AICEP, explica, as equipas estão a trabalhar para reforçar as campanhas de promoção de vários setores nacionais no exterior, em particular de produtos de mobiliário e têxteis para o lar, para que o consumidor final estrangeiro reconheça a qualidade, sustentabilidade e competitividade dos produtos portugueses. Da mesma forma, a capacitação do tecido empresarial nacional e a preparação atenta do período pós-Brexit serão prioridades da agência para 2021. "Estamos a trabalhar muito afincadamente", remata.

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