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CABEÇALHO

A Ocram Clima, que se apresenta como empresa líder no desenvolvimento e fabricação de soluções avançadas de climatização, firmou contrato para o fornecimento de equipamentos para o Telescópio Extremamente Grande, o mega observatório em construção no deserto de Atacama, no Chile.

Chama-se Extremely Large Telescope (ELT), ou Telescópio Extremamente Grande, e o nome espelha bem a grandiosidade do empreendimento.

 

Trata-se de um "telescópio terrestre revolucionário que terá um espelho principal de 39 metros e será o maior telescópio do mundo para a luz visível e infravermelha: o maior olho do mundo no céu", realça o Observatório Europeu do Sul (ESO), organização europeia com 16 Estados-membros, incluindo Portugal.

 

Localizado no topo do Monte Armazones, uma montanha no deserto de Atacama, Chile, a construção do ELT, que começou em 2014 e só deverá ficar concluída dentro de cinco anos, é fruto de uma colaboração internacional que envolve dezenas de empresas europeias, entre as quais se encontra a Ocram Clima, uma empresa de Braga que "orgulha-se de anunciar a produção de equipamentos para o projeto do mega observatório ELT", anuncia, em comunicado.

 

"O projeto, liderado pela ESO, está avaliado em 1.45 mil milhões de euros e contará com 46 Unidades de Tratamento de Ar (UTAs)", detalha a Ocram Clima, adiantando que, no seu conjunto, estas unidades, a instalar até meados de 2024, terão como função garantir a estabilidade térmica no interior do ELT e proporcionar as condições ideais para as operações do telescópio, cujas primeiras observações científicas são esperadas em 2028.  

 

"Um marco da engenharia moderna com a envergadura do ELT inclui um ambicioso projeto de ventilação - planeado para operar de forma eficiente em face de grandes variações térmicas e para proteger o telescópio dos elementos, próprios da latitude onde a estrutura está a ser construída", explica a empresa bracarense, que, apesar da insistência do Negócios, até ao momento, não revelou o valor deste contrato.

 

De acordo com a Ocram Clima, "a capacidade de resfriamento durante as horas de exposição solar orquestra-se com outros aspetos singulares da edificação, como sejam o isolamento térmico do pavimento situado entre pilares e cúpula para evitar bolsas de ar quente; o revestimento de alumínio no invólucro da cúpula que reforça o isolamento para uma temperatura estável ou as vedações especiais que impedem as trocas de ar e a entrada de poeiras no recinto".

 

"O controlo ambiental dentro do ELT exige o controlo do ar circundante para eliminar qualquer perturbação à visibilidade na zona da ótica e impedir a deformação térmica da estrutura do telescópio. O sistema de ventilação irá proporcionar uma suave transição entre a temperatura interior da cúpula e a temperatura exterior esperada, mantendo-a estável durante as observações noturnas, depois da abertura de portas - o que ocorre pouco depois do pôr-do-sol", nota a Ocram Clima.

 

Empresa bracarense gera 76% da faturação de 9,6 milhões no estrangeiro

 

"Com a construção de UTAs para o ELT a Ocram Clima compromete-se, mais uma vez, com a excelência na criação de ambientes interiores onde a qualidade do ar, a precisão e a estabilidade térmica são uma realidade. À nossa longa lista de referências de relevo nas diversas partes do mundo junta-se agora o contributo para o maior telescópio do mundo: crucial para sondar os confins do cosmos e colocar novas possibilidades a toda a humanidade. Uma entrega que nos enche de orgulho", afirma Marco Lopes, CEO da Vieira & Lopes, Lda., detentora da marca Ocram Clima.   

 

O grupo que integra a Ocram Clima fechou o ano de 2022 com um volume de negócios de 9,6 milhões de euros, mais 11,6% do que no ano anterior, com 76% do total a ser gerado nos mercados externos, e um EBITDA de 872 mil euros, o que traduz um crescimento homólogo de 9,1%, com o resultado líquido a fixar-se em 161,5 mil euros.  

 

De resto, conclui a Ocram Clima, "o maior olho do mundo que se abre à exploração do universo, estará pronto para oferecer vistas sem precedentes dos corpos celestes a partir da delicada estrutura ótica que compõe o telescópio".

 

Integrado numa cúpula de 80 metros de altura e com um diâmetro de 88 metros, que ocupa numa área de solo equivalente à de um campo de futebol, "o corpo superior da estrutura irá rodar para permitir que o telescópio aponte em qualquer direção a partir da sua fenda de observação, com o mínimo de vibração e grande precisão", frisa a empresa de Braga.

 

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