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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Vão ser mais de 300 pessoas, de várias nacionalidades, recrutadas, literalmente, a alta velocidade.

Imagine que, em vez de uma entrevista formal de recrutamento para o seu novo emprego, à volta de uma mesa, de frente para o interlocutor, deparava consigo dentro de um carro desportivo a alta velocidade, num trajeto urbano cheio de curvas, conduzido por um piloto de corridas, enquanto, através de um auricular, lhe faziam a pergunta sacramental: "Porque é que o devo contratar?" Puxado ao limite do stresse e com a adrenalina nos píncaros, seguramente que a resposta nunca seria totalmente conclusiva, mas... era um começo.


Foi precisamente assim que, em 2017, se iniciaram as sessões de recrutamento para o hub digital da Mercedes em Portugal, no Beato, em Lisboa. A originalidade do expediente deu tanto nas vistas que não apenas foi um sucesso de audiências quando alguns vídeos foram colocados no YouTube como a casa-mãe da Mercedes, na Alemanha, apostou todas as fichas na sua mais recente opção fora de portas.


O hub digital em Lisboa arrancou de imediato com 125 pessoas, de várias nacionalidades, mas atualmente são mais de 200 a trabalhar na capital portuguesa. O sucesso deste departamento da Mercedes não ficou por aí e está já em curso mais uma ronda de recrutamento de talento que em breve deverá colocar no Beato mais de 300 pessoas.


Os perfis destes profissionais andam sobretudo à volta da programação e do design gráfico e os salários embora não revelados tendem a aproximar-se cada vez mais dos praticados nos outros dois centros digitais que a Mercedes tem em Berlim (80 pessoas) e em Estugarda (120 pessoas), na Alemanha.


"Na verdade, nós temos de pagar o que o mercado paga a nível internacional, caso contrário muitas pessoas não vêm para cá", clarifica Alexandre Vaz, 44 anos, presidente executivo do hub digital da Mercedes em Portugal (batizado Mercedes-Benz.io).
Esta empresa tecnológica da Mercedes vai ser a primeira a instalar-se no Hub Criativo do Beato, cujas obras ainda decorrem, onde deverá ocupar perto de 2 mil metros quadrados.


"No entanto, tendo em conta a importância que assumiu o trabalho remoto, já estamos a repensar a forma como iremos ocupar fisicamente o espaço, que será muito mais um centro de encontro e de partilha do que propriamente um local de trabalho tradicional", explica Alexandre Vaz. O gestor confirma, aliás, que atualmente não há ninguém instalado na sede da empresa.


Como se explica o sucesso disruptivo do hub da Mercedes em Lisboa? "Fundamentalmente por aqui haver uma grande concentração de talento, que continua disponível e, além disso, temos muitas escolas de engenharia", explica o jovem gestor.
Talento foi algo que em 2014 não faltou a Alexandre Vaz quando lançou uma startup na área das soluções de marketing digital, apenas com 10 pessoas. Ao talento juntou algum arrojo e abordou o gigante automóvel Mercedes para lhe vender a sua pequena empresa.


Curiosamente, nessa mesma altura, a Mercedes estava a equacionar criar um terceiro hub digital fora da Alemanha. Com "um empurrão fantástico" do então secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, que meteu a AICEP na equação, a multinacional germânica da indústria automóvel não comprou a empresa a Alexandre Vaz mas criou uma nova só para Lisboa, onde integrou a equipa do jovem gestor, colocando-o desde logo como presidente executivo, cargo que ocupa até hoje.
Em termos muito simples, para se perceber o que faz a empresa da Mercedes dirigida por Alexandre Vaz, basta referir que quando abrimos o site daquela prestigiada marca automóvel e começamos a navegar em busca de um modelo, que costumiza-mos à nossa medida, ou de outras soluções ajustáveis ao carro que pretendemos comprar, praticamente toda a plataforma digital em que navegamos é feita em Lisboa, para todos os mercados à escala global.


Alexandre Vaz, que conduz habitualmente um Mercedes, diz que o próximo passo da empresa que dirige pode vir a ser a entrada nas soluções digitais que constam no próprio painel de comandos dos carros do grupo.


Até lá vai continuar a dirigir o hub digital da Mercedes em regime de "holacracia", como faz questão de sublinhar, em que o modelo de gestão assenta no princípio da autoridade distribuída no extremo oposto das organizações clássicas sempre com o chefe lá bem no topo da hierarquia.

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