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CABEÇALHO

As compras de dívida pública em mais de 1 bilião de euros ao longo do segundo ano de pandemia aumentaram para 8,5 biliões de euros o valor dos ativos do Banco Central Europeu. É o banco mais ‘valioso’ do mundo.

O valor dos ativos do Banco Central Europeu (BCE) atingiu, no final de 2021, o nível recorde de 8,5 biliões de euros, cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro, segundo dados publicados pelo banco para o final do ano. É o banco central com o valor dos ativos mais elevado no mundo, superando os 8,76 biliões de dólares  (equivalendo a 7,7 biliões de euros) reportados pela Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), tendo em conta a diferença cambial, com o euro a valer 1,14 dólares no final do ano.

 

O aumento de mais de 1 bilião e meio de euros em relação ao valor de 2020 deve-se, sobretudo, ao disparo  em 2021 nas compras de dívida pública no mercado secundário (onde o BCE adquire os títulos aos investidores) que somaram mais de 1 bilião de euros, através sobretudo do programa especial lançado para garantir liquidez face à pandemia – conhecido pela sigla PEPP em inglês -, que comprou 840 mil milhões de euros em obrigações ao longo do ano.

 

O valor da carteira de dívida pública do BCE subiu em 2021 para 4,08 biliões de euros, quase metade do valor dos ativos, face a 3,09 biliões de euros em 2020. O BCE financia ainda a liquidez do mercado através das linhas de financiamento aos bancos cujo saldo somava 2,2 biliões de euros no final do ano passado, mais 400 mil milhões do que no ano anterior. A previsão de compras de títulos pelo BCE em 2022, avançada esta quarta-feira, pelos economistas do Commerzbank, banco alemão, é que se reduza para metade da concretizada em 2021.

 

Na última reunião do conselho do BCE foi decidido descontinuar no final do próximo mês de março o programa especial PEPP (lançado em março de 2020), cessando as compras líquidas de títulos, mas mantendo o programa de reinvestimento das obrigações que vencerem até final de 2024.

 

O BCE continuará a comprar títulos através do programa mais antigo, conhecido pela sigla APP, (lançado por Mario Draghi em 2014 e 2015), prevendo-se que as compras líquidas sejam descontinuadas no terceiro trimestre de 2023 e que o programa de reinvestimentos termine em 2026.

 

As previsões no mercado apontam para uma primeira mexida nas taxas diretoras em dezembro de 2023, começando por um desagravamento da taxa negativa de remuneração dos depósitos dos bancos no sistema do BCE, que, atualmente, está em -0,5%.

 

A descontinuação parcial do programa de compras do BCE em 2022, bem como o contágio gerado pelo fim do programa de aquisições e a subida da taxa diretora pela Fed nos EUA – vai provocar uma subida nos juros da dívida pública na zona euro.

 

As previsões para as taxas das obrigações portuguesas a 10 anos, que servem de referência da dívida de médio e longo prazo, apontam para uma subida do nível atual em 0,5% para quase o dobro no final de 2022, segundo o algoritmo do portal World Government Bonds. No último leilão, nesse prazo, realizado em novembro passado, o Tesouro português pagou 0,314%.

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