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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Desde janeiro foram decididas favoravelmente para Portugal oito 'leads' de investimento e estão em acompanhamento mais 65 intenções de IDE.

Portugal teve confirmadas oito intenções de investimento direto estrangeiro (IDE) no primeiro trimestre deste ano, com potencial de criação de 1.148 postos de trabalho, e estão em acompanhamento mais 65 intenções de investimento, com origem em 20 países, que se podem traduzir na criação de mais 13 mil postos de trabalho. Os números foram adiantados ao Jornal Económico (JE) pelo Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, que destaca as áreas dos serviços, tecnologias, ciências da saúde, aeroespacial e automóvel. E revela que desde janeiro foram aprovados incentivos para projetos de 225,05 milhões de euros.

"Em 2021, já angariamos oito decisões de investimento até ao fim do primeiro trimestre. E praticamente o dobro face ao primeiro trimestre do ano passado", diz o Secretário de Estado da Internacionalização em declarações ao JE. Os projetos são nas áreas das ciências da saúde, energias renováveis, digital e tecnologias da informação, centros de serviços e centros de competências, e equipamento industrial, de acordo com o governante.


Segundo o Governo, as oito leads de investimento podem desembocar na criação de até 1.148 postos de trabalho "em atividade cruzeiro, a implementar em diversos concelhos, desde Sines, Vila Nova de Gaia, Póvoa do Varzim e Lisboa". Brilhante Dias explica ainda que destas oito decisões, quatro têm "relação com investidores do Reino Unido", havendo "uma que é híbrida, entre o Reino Unido e os Estados Unidos".


A AICEP está ainda a acompanhar, em diversas fases de maturidade, mais 65 intenções de investimento, que no conjunto, segundo o Governo, podem criar mais de 13 mil postos de trabalho, em setores como centros de competências e de serviços, digital e tecnologia de informação, ciências da saúde, aeroespacial, mobilidade do futuro/ automóvel, equipamento industrial, naval, têxtil, entre outros. Estas 65 intenções de investimento têm origem em 20 países diferentes, com a Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos da América, França entre os oito principais países de origem.


"Temos conseguido cada vez mais ter países diferentes e a contratualização que vamos fazendo é cada vez mais dispersa, é menos concentrada em algumas origens", vinca Brilhante Dias.


A par das intenções de investimento estrangeiro foram aprovados no primeiro trimestre deste ano incentivos, de empresas já instaladas em Portugal, para projetos que envolvem 225,05 milhões de euros de investimento, com o Governo a estimar que sejam aprovados no curto/médio prazo incentivos para projetos no valor adicional de 85,68 milhões de euros de investimento, que se encontram em fase final de aprovação.


Desde janeiro até ao final de março foram também aprovados apoios a 220 projetos de investimento em promoção da internacionalização que envolvem um investimento total de 76,74 milhões de euros, a maioria correspondendo a projetos individuais.


Pandemia não travou captação de 35 novos projetos


Apesar da queda de fluxo do IDE provocada pela pandemia, Portugal captou 35 novos projetos de investimento no ano passado, com o IDE a atingir 149.586 milhões de euros em dezembro, um aumento de 2% relativamente a dezembro de 2019.

"Foi um ano de fortíssimo decréscimo de IDE no Mundo. Em Portugal, tivemos uma diminuição do fluxo de investimento, que foi pronunciada. A diminuição foi ligeiramente inferior a 50% em fluxo, mas curiosamente foi um ano particularmente bom do ponto de vista da consolidação do stock de investimento", assinala Brilhante Dias. O Secretário de Estado realça que o crescimento do stock "significa que a sua depreciação foi inferior ao aumento de investimento que tivemos de IDE", já que "apesar de tudo foram mais 5,5 mil milhões de euros de IDE que entraram em fluxo" e se excluir os special purpose entities (SPE) "aumentámos entre 3,4 e quatro mil milhões de euros o stock, o que é muito considerável".


Dos 35 novos projetos de investimento que Portugal atraiu, três foram angariados antes da pandemia, entre janeiro e fevereiro, com origem na Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Irlanda, Israel, Japão, Malta, Reino Unido e Suíça, tendo sido os distritos de Amarante, Aveiro, Benavente, Braga, Évora, Leiria, Lisboa, Marinha Grande, Paredes de Coura, Porto, São João da Madeira, Vouzela, entre outros, que receberam estes investimentos.


"A diáspora portuguesa teve intervenção direta em pelo menos dois dos projetos angariados em 2020, nomeadamente dos Estados Unidos da América e do Canadá", assinala ainda o Secretário de Estado da Internacionalização.


No final de dezembro do ano passado, o stock de Investimento Direto Português no exterior ascendia a 51.648 milhões de euros, o que representou uma queda de 5% comparativamente a dezembro de 2019.


Em pleno ano de pandemia, foram ainda aprovados contratos correspondentes a 560,50 milhões de euros, respeitante sobretudo a projetos de investigação e desenvolvimento e de investimento produtivo. Este cenário compara com os 79 contratos aprovados em 2019, naquele que "foi o melhor ano de investimento contratado da década, tanto em termos de valor como de projetos assinados".

225 milhões de euros de investimento. É quanto envolvem os projetos de investigação e desenvolvimento e de investimento produtivo, cujos incentivos foram aprovados no primeiro trimestre.

Britânicos podem investir 3,4 mil milhões de euros em Portugal


Governo tem acompanhado 35 intenções de investimento com origem no Reino Unido nos últimos dois anos. Doze 'leads' já foram confirmadas e têm a criação potencial de 2.260 postos de trabalho.


Apesar do Brexit, o Governo continua confiante na capacidade de atrair investimento britânico para Portugal. A convicção do Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, transmitida ao Jornal Económico (JE), é exemplificada com as 12 decisões confirmadas de intenções de investimento directo em Portugal de origem britânica e com as intenções que continuam em acompanhamento que se podem traduzir por um investimento de 3,4 mil milhões de euros.


"Nos últimos dois anos acompanhamos 35 intenções de investimento com origem no Reino Unido", disse o governante em declarações ao JE, assinalando que "destas, doze já decidiram investir em Portugal, envolvendo a criação potencial de 2.260 postos de trabalho diretos".


Das doze leads de investimento, quatro foram confirmadas no primeiro trimestre deste ano (ver texto ao lado).
Para Eurico Brilhante Dias este "é um valor muito, muito significativo", até porque "são investimentos espalhados pelo país", diz.


Segundo o mapeamento do Governo, se todas as intenções de investimento, com origem no Reino Unido, em acompanhamento ativo e em diferentes fases de maturidade, se concretizassem, poderiam levar à criação direta de 2.400 postos de trabalho e a um investimento superior a 3,4 milhões de euros, a realizar em vários anos.


"Neste conjunto encontramos especial preponderância no sector dos serviços, que representam 80% do total", assinala o responsável governativo.


O sector dos serviços destaca-se nas intenções de investimento "que levaram e levariam à criação de centros de serviços partilhados, de centros de competências e de centros de engenharia, de suporte aos mais diversos sectores, como o automóvel, o aeroespacial, o farmacêutico, entre outros", diz.


Apesar da retração do investimento global em vários mercado, Brilhante Dias defende que estes números "ilustram bem o interesse dos investidores britânicos por Portugal".


"Este é um fluxo que penso que vai continuar e vai permanecer", antecipa, defendendo o papel que a diplomacia económica tem tido na promoção de Portugal enquanto destino de investimento.


"Há um grande empenho das várias entidades nacionais, como a AICEP e outras entidades associativas, no desenvolvimento de diferentes ações de comunicação no mercado do Reino Unido no sentido de aumentar a visibilidade sobre a atratividade de Portugal", explica, exemplificando com publicações na imprensa especializada ou a colaboração com organizações empresariais neste mercado, organizando eventos, principalmente através de canais digitais.


Por outro lado, também o investimento português no Reino Unido subiu 27% em janeiro deste ano face ao período homólogo.


VACINAS: GOVERNO FALA COM 12 PAÍSES


Portugal continua a fazer contactos para integrar a cadeia de valor da produção de vacinas e expandir a atração enquanto destino de investimento a outras áreas da saúde, tendo abordado já 12 países diferentes. "Na área da Saúde, muito a reboque desta iniciativa das vacinas, já contactámos mais de 40 entidades diferentes de 12 países distintos", adianta Eurico Brilhante Dias. Da lista fazem agora parte: Alemanha, Austrália, Bélgica, China, Coreia do Sul, Estados Unidos da América, França, índia, Israel, Itália, Reino Unido e Suíça. Acrescem ainda os contactos com filiais em Portugal, estando "a ser identificadas oportunidades para curto, médio ou longo prazo, para a economia nacional" na produção de vacinas. Os contactos com empresas farmacêuticas e laboratórios para colocar Portugal neste mapa tem permitido que acabem "por surgir outras oportunidades". A subcontratação de produção de vacinas ou de outros serviços, o 'digital health', os centros de excelência ou de Competências, os ensaios clínicos e l&D em Portugal e/ou com parceiros portugueses e a produção de medicamentos antivirais e a cooperação triangular com Portugal e CPLP estão entre as apostas. "Esse é o nosso objetivo fundamental: poder ir abrindo campos no setor da saúde. Isso já nos permite ter nas intenções em análise algumas 'leads' de investimento mais maduras", diz..

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