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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Secretário de Estado da Internacionalização está confiante na economia e espera que o investimento direto estrangeiro atinja um recorde acima de 150 mil milhões de euros em 2021.

O governante responsável pela internacionalização diz que o Governo está não só a trabalhar na divulgação do plano nacional de recuperação, mas também na avaliação das oportunidades oferecidas pelos PRR dos parceiros europeus.

Brilhante Dias acre dita que o PRR será importante para a reindustrialização e para reforçar o investimento de Portugal noutras geografias.. E o setor automóvel nacional está particularmente bem posicionado para aproveitar as oportunidades dos PRR sustenta
Em que medida o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) vai trazer mais investimento para Portugal?
A nossa expectativa é que o PRR, e em particular o instrumento que foi gerado, as agendas mobilizadoras para a reindustrialização, possam ser também instrumentos de captação de investimento direto estrangeiro.

Tem alguma previsão?
Temos aproximadamente mil milhões de euros, 932 milhões de euros se não me falha a memória, para as agendas mobilizadoras de reindustrialização. É um pacote para apoiar grandes empresas, pequenas e médias empresas, unidades do sistema científico e tecnológico. Sabemos que as empresas que já estão em Portugal, e que têm as suas operações em Portugal, vão olhar para esse instrumento para perceber se podem investir mais. Também gostávamos, e é esse esforço que procuraremos fazer, de mostrá-lo ao mundo com a nossa rede diplomática, com a AICEP, como uma oportunidade de investir em Portugal, porque queremos apoiar projetos que tornem a nossa economia mais resiliente. E, ao mesmo tempo, em se- tores fundamentais: mobilidade elétrica, tudo o que diz respeito à transição verde, onde a mobilidade elétrica tem muito peso. Aspe- tos muito centrados em sermos mais resilientes nalguns setores - setor farmacêutico e de equipamentos médicos - onde temos de ter investimento.

Esse mostrar ao mundo é porque não há empresas em Portugal com capacidade para investir nesses projetos?
Claro que há empresas em Portugal que também são capazes de investir nesses projetos. Só que
o país precisa de mais capital. A origem fundamental para poder mos acelerar aquilo que é a indústria portuguesa, e aqui é indústria lato senso, também em algumas áreas de serviços, é capital estrangeiro, é investimento estrangeiro.

Alguma área ou investimento em concreto, algum país em que estejam a pensar?
Não, nós temos vindo a trabalhar com o nosso PRR divulgando o PRR e as oportunidades. E deixe-me dizer: estamos de olho nos PRR dos outros.

Há empresas nacionais interessadas nos PRR de outros países?
E evidente. Esse é um trabalho que a AICEP faz muitíssimo bem. Eu próprio pedi, a partir do Ministério dos Negócios Estrangeiros, para que as nossas embaixadas pudessem estar particular mente atentas e, evidentemente, a REPER também acompanha, em Bruxelas, as propostas que os diferentes países vão apresentando. Estamos muito centrados em olhar para esses PRR como oportunidades de investimento direto português no estrangeiro.

Quais os setores melhor posicionados para aproveitar essas oportunidades de negócio?
Areas em que somos muito fortes e capazes de ser competitivos. Toda a cadeia de abastecimento automóvel encontra em Portugal empresas muito competitivas, dos moldes às peças de injeção de plástico, das peças metálicas aos equipamentos para as cadeias de abastecimento automóvel e para as linhas de montagem. E devo dizer que, de forma cumulativa, o setor aeronáutico. Começamos a ter empresas que, posicionando-se na cadeia de abastecimento, quer a Embraer quer a Airbus, são empresas que têm oportunidades. Bem sei que o setor da aviação está a passar por um momento particularmente duro, mas há-de recuperar e precisa de novos investimentos. Na área das energias renováveis, começamos a ter empresas muito interessantes que podem, quer no solar quer na eólica, fazer investimentos muito interessantes noutros países. E há áreas onde se vai abrir um novo espaço de oportunidade. Dou um exemplo: ainda agora me foi posto um caso, mais uma empresa portuguesa, do setor das madeiras, setor florestal, que vai investir num país da UE que tem PRR vai instalar uma fábrica para ter acesso à matéria-prima, nesta caso madeira

Santos Silva de volta à Universidade? "E uma frase que oiço quase desde o primeiro dia"
Depois de novo adiamento, o Congresso do PS irá realizar-se no final de agosto, muito próximo das eleições autárquicas. O partido vai discutir a estratégia autárquica já como um facto consumado?
Não. E consumada a 26 de setembro.

Mas nessa altura não haverá muito a ajustar com as campanhas já em pleno andamento...
O Partido Socialista é um partido democrático, tem os seus órgãos e a cada momento temos de analisar as circunstâncias em que tomamos decisões e, em particular, a da realização do Congresso. Claro que a nossa primeira opção, isso é claríssimo, não era fazer o Congresso em agosto, todos sabem. O Congresso não estava marcado para agosto. Agora, a avaliação que a Comissão Nacional do partido fez, e que faz também o seu Secretariado Nacional e, seguramente, a sua Comissão Política, é a de que estamos perante uma circunstância de pandemia A pandemia obriga-nos a que tenhamos de ajustar o calendário. Queremos fazê-lo no fim de agosto porque muito do trabalho que fomos fazendo nos últimos meses, do ponto de vista partidário, foi a de preparação das autárquicas. Faz todo o sentido, e continua a fazer todo o sentido, termos um Congresso onde o partido olhe para as políticas autárquicas. E isso dá, naturalmente, é o nosso desejo, força aos seus candidatos autárquicos. Agora, temos de fazê- -lo no quadro em que estamos, que é um quadro em que os portugueses percebem que se mantêm restrições. Os números da pandemia, infelizmente nestas últimas semanas, e nesta semana que passou, são números em que a incidência tem vindo a aumentar e, portanto, nós ponderosamente pensámos - e pensámos bem, foi essa a proposta àComis- são Nacional, que a aprovou -, que não fazia sentido a 10 e 11 de julho estarmos juntos quando mantemos fortes restrições de mobilidade. E até de muitas atividades económicas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros que tutela a sua secretaria de Estado, deu indicação, em recente entrevista, de que poderia estar à beira da reforma. Augusto Santos Silva vai concluir a legislatura?
A frase que dava corpo ao título do jornal semanário é uma frase que eu oiço praticamente desde o primeiro dia em que trabalho com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Esse desejo de um dia regressar à sua casa Para nós, que trabalhamos com ele todos os dias, e quejátrabalhá- vamos no XXI e agora no XXII Governo Constitucional, não é de todo uma novidade. Segundo, ele próprio já disse que os amigos podiam ficar tranquilos. E eu, que sou amigo dele, e que gosto muito de trabalhar com ele, estou perfeitamente tranquilo, sendo que as questões que dizem respeito à formação do Governo são sempre questões do primeiro-ministro. Como membro disciplinado da equipa, não me cabe a mim fazer comentários sobre isso.

Casos como os que estão a acontecer com personalidades como Joe Berardo, Luís Filipe Vieira, Ricardo Salgado... Trazem um dano reputacional para o país?
Portugal é um país da União Europeia que respeitao Estado de direito e num pais que é estável do ponto de vista político, económico e social, ajustiça é independente e ataca, no bom sentido da palavra, fenómenos que retiram valor à economia A corrupção retira valor à economia portuguesa, como retira a todas as economias.

Mas externamente, há um dano ou não?
Tenho que ser sincero, neste momento não sinto isto como um dano.

PERFIL
O académico-gestor feito diplomata
Antes de, em julho de 2017, integrar o primeiro Governo liderado por António Costa, Eurico Brilhante Dias era uma das mais audíveis vozes críticas da liderança do ainda primeiro-ministro. Assumiu nessa altura a secretaria de Estado da Internacionalização, pasta que se mantém sob a sua tutela. Enquanto deputado era um dos socialistas do núcleo duro do então secretário-geral António José Seguro. Foi responsável por desenhar o programa a Indústria 4.0, além de porta-voz do partido durante o legado "segurista". Licenciado em Gestão de Empresas pelo ISLA, é também doutorado em Ciências Empresariais pelo ISCTE, onde foi professor a partir de 2000. No ensino superior foi docente de Gestão de Empresas. Teve contacto direto com o mundo da internacionalização entre 2007 e 2011, desempenhando cargos executivos na Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Após cerca de quatro anos no Ministério dos Negócios Estrangeiros já assume ter "uma linguagem mais diplomática".

EURICO BRILHANTE DIAS SECRETARIO DE ESTADO DA INTERNACIONALIZAÇÃO
"Prevejo investimento estrangeiro recorde acima de 150 mil milhões"
Apesar das dificuldades sentidas no ano passado por causa da pandemia, Portugal conseguiu um aumento de 1,6% do stock de investimento direto estrangeiro. E para este ano, Brilhante Dias antecipa um "valor recorde".
DAVID SANTIAGO
dsantiago@negocios.pt ROSÁRIO LIRA, ANTENA 1 VÍTOR MOTA
Fotografia
O antigo porta-voz socialista garante que o essencial dos projetos de investimento direto estrangeiro em Portugal se centram "na área da economia digital, do setor automóvel, das renováveis" e também "no setor aeronáutico".

O investimento direto estrangeiro (IDE) tem estado muito ligado ao imobiliário. Essa é uma tendência que vai continuar?
Do conjunto de projetos que temos atraído e que temos firmado, e neste caso quando digo firmado é a AICEP que firma em nome do Estado português, não há projetos imobiliários. Estou a falar essencialmente de projetos na área da economia digital, do setor automóvel, das renováveis. No setor aeronáutico também. O setor da construção tem tido peso para o IDE em Portugal - e estou a falar do setor imobiliário -, tem sido muito importante também no setor turístico como captação de investimento para desenvolver a nossa infraestrutura e oferta turística. Mas no conjunto de projetos que ainda agora foram apresenta dos como projetos captados por Portugal, e que colocam o país no top 10, o setor da construção e imobiliário é o segundo, o primeiro é a economia digital e tudo o que diz respeito à economia digital.

Já inclui o projeto Sines 4.0?
O Sines 4.0 não está neste quadro como IDE, porque há uma diferença entre o momento de con-
tratualização e o anúncio do fluxo. O Sines 4.0 é um investimento que será concretizado até 2025, que os promotores dizem que começará a operar em 2023. E, portanto, falo de projetos contratualizados e do impacto que vamos ter no fluxo e no stock em 2021. Muitos dos projetos que contratualizámos terão impacto no fluxo nos próximos anos, durante o período de investimento, e por isso vamos ter um bom ano de contratualização: 2021 será um ano em que o nosso stock de IDE vai aumentar.

Para acabar o ano como?
Para acabar o ano, prevejo, claramente acima de um stock de 150 mil milhões de euros de IDE. O ano passado é um ano muito curioso. Portugal, apesar das dificuldades, aumentou o stock de IDE em 1,6%. Esse aumento, com o decréscimo de PIB que tivemos por causa da pandemia, fez com que o peso do IDE chegasse a 75% do PIB. E um valor extraordinário em termos relativos, mas não é necessariamente por boas razões, é porque, de facto, o PIB teve um decréscimo e, apesar de tudo, tivemos um ligeiro incremento do stock de IDE. Mas o que gostaríamos este ano era de ter, cumulativamente, os dois movimentos - um aumento do PIB, ou seja, da base do denominador deste rácio, e um IDE claramente acima dos 150 mil milhões. Alcançámos um bom resultado no stock de investimento no primeiro trimestre, mas sabemos que tem ciclos anuais e, portanto, neste momento o esforço será para conseguirmos chegar, em termos líquidos, em dezembro de 2021, acima dos 150 mil milhões de euros. E um aspeto que continuaremos a monitorizar, se o fizermos teremos muito provavelmente, ou manteremos, um stock de IDE muito próximo dos 75% do PIB, que é um valor recorde na economia portuguesa

No final de 2020 disse que havia condições para receber uma parte da produção de vacinas. Há uma empresa em Paredes de Coura que está a avançar. Estão previstos mais projetos?
Demos particular atenção ao setor farmacêutico, não só por causa das vacinas, mas também porque faz parte da nossa estratégia de desenvolvimento da perceção externa da marca Portugal, de como é que Portugal é visto do exterior. E a forma como somos vistos tem impacto na nossa economia O setor farmacêutico e o setor da saúde têm muito peso na forma como somos vistos do exterior. O caso da Zendal, em Paredes de Coura, é um caso muito interessante, é um projeto que está em construção e que esperamos que esteja em condições de ter um output produtivo entre o fim deste ano e o princípio de 2022, é isso que dizem os promotores, portanto não estou a dar nenhuma novidade. Temos, ao mesmo tempo, noutras áreas, captado investimento relacionado com vacinas. Talvez tenha passado despercebido, mas a Janssen, que é uma das vacinas que os portugueses estão a tomar hoje em dia, anunciou para Portugal um dos centros de apoio à aplicação da vacina já este ano. Penso que terá três a quatro centros no mundo, um deles será em Portugal. Tivemos a boa notícia do reconhecimento que a Moderna - outra das vacinas que andamos a tomar - deu ao iBET e à Genlbet pelo contributo para o desenvolvimento, e nós acreditamos que aí vamos ter mais oportunidades de investimento no desenvolvimento dessas competências. Há duas empresas em particular, não ligadas às vacinas, mas na área da terapêutica, que apresentaram soluções. Falo da Hikma, uma empresa de origem jordana que está em Portugal e que produz o Remdesivir na Europa, e a Hovione, uma excelente empresa portuguesa que produz princípio ativo. Temos aí essas duas empresas, uma de capital estrangeiro e uma de capital nacional. A Bluepharma anunciou há muito pouco tempo um investimento grande nos injetáveis complexos que, mais à frente, pode dar-nos - e que vai-nos dar, espero que dê - oportunidades de enchimento e de preparação de vacinas. E isso é um excelente investimento de uma empresa com base em Coimbra. E há duas semanas tive oportunidade de estar numa nova unidade do grupo Hikma, mas é um investimento de uma empresa de origem suíça, que é a Labatec, que abriu agora em Sintra uma nova unidade de 15 milhões de euros para produzir medicamentos.

Vários projetos em curso...
Temos muitos projetos no setor farmacêutico e não quisemos perder esta oportunidade para posicionar Portugal como um país produtor de produtos farmacêuticos, tipicamente produtos com duas naturezas: que precisam de investigação e desenvolvimento e que têm elevado valor acrescentado. Estas duas características posicionam a economia portuguesa de forma diferente. O mesmo na área das tecnologias de informação e comunicação.

Merkel e Macron falam mais com a China do que Portugal
Eurico Brilhante Dias sente-se "injustiçado" quando ouve dizer que Portugal está demasiado dependente do investimento chinês e sublinha que muitos países relevantes na Europa se desdobram mais em conversações com Pequim do que Lisboa

Como é que o Governo se posiciona quanto à intenção de Bruxelas em reduzir a dependência face ao investimento chinês, que tem um peso relevante na nossa economia?
Devo dizer que isso é uma grande injustiça Eu quando digo que é uma grande injustiça é porque, às vezes, me sinto injustiçado pois muitas vezes usam essaques- tão em relação a Portugal. Vamos lá ver, o primeiro-ministro português visitou Pequim em 2016, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, visitou Pequim em 2019. E entre 16 e 19', o ministro dos Negócios Estrangeiros terá ido uma vez, que me recorde. Agora comparem com o número de interlocuções que, por exemplo, a chanceler Merkel ou o presidente Macron fazem com a China E se quisermos falar em quantidade de investimento, eu diria que Portugal captou investimento direto chinês num momento circunstancial, muito preciso, que os portugueses conseguem identificar muito bem porque têm boa memória daqueles tempos da troika Mas se eu for a Espanha, França, Reino Unido, ou Alemanha, garanto que a quantidade de investimento é muito superior.

Mas há a questão do peso em setores estratégicos, no caso de Portugal na energia.
O caso da energia é um caso que tem um contexto muito conhecido. Um contexto em que nós nem sequer dissemos, e estou à vontade....

Foi, de alguma forma, imposto por Bruxelas.
Eu era do partido da oposição, se bem se lembram. Aquilo que estou a dizer nem diz respeito ao Governo do Partido Socialista

Não se sente desconfortável com o peso do investimento chinês no setor da energia?
Portugal é um país aberto. O investimento chinês será sempre bem-vindo a Portugal, sempre que seja investimento produtivo, que gere exportações e que nos ajude a desenvolver a nossa economia

Há alguma circunstância em que não seja bem vindo?
Nós somos membros da União Europeia A UE tem um instrumento preciso de escrutínio, que ainda é muito centrado em áreas muito precisas, ligadas à segurança e à defesa nacional. Estamos nesse quadro e respeitamos esse quadro.

A China está afastada no âmbito do 5G?
Não dou essa resposta Essa resposta é claramente... não será a origem do capital em concreto que afastará... não vamos afastar nenhum investidor estrangeiro deste país em função da sua origem. Isso serão sempre questões que estão contempladas e que nós respeitaremos até ao último detalhe. Sempre que nos tentam colar esse rótulo de que Portugal atrai mais investimentos da China, vemos ao mesmo tempo altos responsáveis de governos da UE a aterrar em Pequim para promoverem as suas economias como economias de captação de investimento.

Está a criticar o acordo de investimento UE-China?
O que eu digo é que como membro do Governo português que passa uma parte substantiva do seu tempo a promover o país no exterior para captar investimento direto estrangeiro, sinto às vezes que há um duplo critério e o duplo critério é simples. Sobre Portugal o duplo critério é: temos investimentos chinês amais para outros que nos tentam impor esse critério de investimento com origem na China, que são os mesmos que aterram em Pequim com elevada frequência

Mas é favorável ao acordo de investimento UE-China?
Devemos ter um acordo de investimento com a China Deve ter regras e deve proteger o investimento europeu na China

Garantir reciprocidade?
A reciprocidade é um princípio básico das relações internacionais.


Respostas rápidas
TAP
Essencial para a internacionalização da economia portuguesa.
WEB SUMMIT
Muito importante para a imagem do país.
AUTOEUROPA
É um grande exportador. É o maior.
HIDROGÉNIO
Verde. É o futuro.
SECRETÁRIO-GERAL DO PS
António Costa.
ANTÓNIO COSTA
Secretário-geral do PS.
AMBIÇÃO
Fazer bem o meu trabalho.
FAMÍLIA
É o pilar fundamental. Aquela gente lá de casa é fundamental.
FÉRIAS
A partir de dia 17 de julho.
PORTUGAL
É um grande país.

EURICO BRILHANTE DIAS SECRETARIO DE ESTADO DA INTERNACIONALIZAÇÃO
"Estamos a exportar mais 20% de bens, mas temos o turismo a puxar para trás"
Brilhante Dias destaca a melhoria "significativa" na exportação de bens, garantindo este ano um aumento de 20% face ao período homólogo. No entanto, "temos o turismo ainda a puxar-nos para trás", lamenta.
DAVID SANTIAGO
dsantiago@negocios.pt ROSÁRIO LIRA, ANTENA 1 VÍTOR MOTA
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O secretário de Estado da Internacionalização acredita que, até 2023, o setor do turismo pode "regressar anormalidade" e antecipa que será a evolução do turismo até ao final de 2021 a determinar se as exportações regressam ao nível pré-pandemia ainda este ano.

A crise pandémica vai obrigar a uma reavaliação da estratégia de internacionalização do país?
Tivemos necessidade de fazer duas coisas. Primeiro, tivemos de adaptar muitos dos projetos que tínhamos de internacionalização, essencialmente de produção. Soluções híbridas ou 100% digitais. A segunda questão que tivemos de rapidamente adaptar foi redefinir objetivos e metas para começar a dirigir os nossos recursos para o que tínhamos de fazer. Tivemos, no curto prazo, de centrar-nos primeiro nos mercados europeus e em mercados de proximidade.

E qual foi o resultado dessa redefinição?
Na maioria das fileiras tivemos projetos de internacionalização que se adaptaram e que têm mais componente digital e isso é muito notório, não apenas no setor agroalimentar. Na área da fileira casa e nos materiais de construção isso é muito evidente. A segunda questão, imediatamente redefinimos metas, o objetivo de chegar a 50% do peso nas exportações no PIB, que gostaríamos de fazer até meados desta década.

A data agora é 2027.
Era 2025, fomos nós que empurrámos para 2027, esteve aí o redesenho.

Mantêm a meta para 2027?
Mantemos essa meta

Houve um reagravamento da pandemia já este ano...
Mas sentimos que o setor dos bens tem melhorado de forma significativa, estamos a exportar bens este ano, segundo os últimos números mais 20% do que exportámos no período homólogo. Estamos a exportar globalmente mais 4,5%, mas temos o setor do turismo ainda a puxar-nos para trás porque o princípio do primeiro trimestre de 2020 foi dito normal. O confinamento, o primeiro lockdown de 2020, começou já em meados do mês de março, portanto já estamos a recuperar na área dos bens e acreditamos que até 2023 o setor do turismo poderá progressivamente regressar à normalidade.

Mas não sabem em que medida vão contar com o turismo. Isso fez repensar a estratégia para, mesmo assim, se conseguir um crescimento?
Repensámos o crescimento globalmente, o turismo é uma parte muito importante das exportações de serviços, como o transporte aéreo, que está muito ligado. E o turismo tem um conjunto de efeitos muito positivos na economia portuguesa, que vão além da exportação de serviços, que está no emprego e na grande montra de produtos portugueses que o turismo é. Muitas exportações de bens, especialmente de bens de marca, têm muita tração a partir do fenómeno do turismo. Isto é um dos aspetos mais interessantes e é um grande contributo do turismo. Acreditamos que até 2023 teremos um retomar de valores do turismo mais próximos do que tínhamos no pré-pandemia, em 2019. Na área dos bens, 2020 é um ano de queda de 10% do valor. Este ano estamos a voltar a esses valores e penso que vamos conseguir chegar ao fim de 2021 acima do que exportámos em 2020 e muito mais próximos daquilo que exportámos em 2019 nos bens.

Em termos globais?
Sim. Temos o caminho muito claro de que 2021 é um ano de recuperação e que o ano de 2022 nos pode fazer aproximar dos valores de exportações de 2019.

2021 ainda vai acabar abaixo de 2019 em termos globais?
Depende, no essencial, de sabermos como se comporta o turismo no resto do ano, isso é clarinho, e o transporte aéreo. 2019 foi um ano particularmente interessante porque é o ano em que o país exporta pela primeira vez mais de 90 mil milhões de euros. Exportámos, em 2019,93,5mil milhões de euros, valores recorde de sempre e com muitos fatores positivos que não só o turismo, mas também o setor automóvel. Portugal exportou, em 2019,350 mil veículos automóveis, um valor assinalável.

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