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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Criada em 1917, foi com a entrada de António Serrenho em 1950, primeiro como engenheiro, depois como acionista, que a CIN se tornou líder em Portugal. Com o filho João cresceu em Espanha, França entre outros países.

Um dia, na fábrica da Empresa de Cimentos de Leiria, António Serrenho, que vendia as tintas, e João António Koehler, fundador da Colquímica, que vendia as colas, conversavam com o diretor da fábrica de sacos de cimento, quando passa uma pessoa e diz: "Cuidado, engenheiro Machado, falar com o engenheiro Serrenho muito tempo significa uma de duas coisas: ou compra mais tintas ou paga mais caro." Era, segundo João António Koehler, António Champalimaud, como conta no livro "António Serrenho - O Senhor das Tintas", escrito por José Alberto Magalhães e editado em 2012.

Era um negociador temível. Em 1979, João Serrenho, o atual CEO da CIN, e o pai foram à Suécia negociar um equipamento, tendo assinado logo o contrato. De regresso ao Porto, António Serrenho envia uma carta a dizer que a administração achara o preço elevado e pedia um desconto de 50%. João Serrenho achou que era tempo perdido mas, na volta do correio, veio um desconto de 35%. Numa outra negociação com italianos, António Serrenho falava em português para o filho traduzir até que este lhe diz: "O pai fala francês e eles percebem." "Não, enquanto tu traduzes, eu penso", respondeu António Serrenho.

António Serrenho nasceu em 31 de março de 1922 em Alcácer do Sal. Era o mais novo de cinco filhos do marceneiro Luís Martinho Serrenho e de Vitória Martins. Nessa altura, as salinas eram o motor económico da região. Os irmãos trabalhavam no que surgia e as irmãs na costura.

Engenharia em Lisboa e Porto

Fez o ensino primário e depois, aos 15 anos, foi trabalhar para uma empresa de Abel Amaral que representava bancos, adubos, sementes e cervejas. Candidatou-se a uma bolsa e veio para Lisboa fazer o secundário em escolas privadas, tendo-se cruzado num colégio na Amadora com Manuel Cargaleiro, de quem tem vários quadros. Fez o curso liceal com 18 valores, apoiado por Abel Amaral e pelo irmão Joaquim Amaral, que foi deputado, governador do Banco de Angola e presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

Frequentou Engenharia na Faculdade de Ciências de Lisboa, onde faria os primeiros três anos do curso, a que se seguiram os três anos finais na Faculdade de Engenharia do Porto, onde terminou a licenciatura em 1948 como o melhor aluno de Engenharia Química. Depois fez dois estágios, um deles na CUF. Mais tarde um colega de curso, que tinha sido convidado para trabalhar nas Tintas CIN, fundada em 1917, optou por uma outra empresa, e falou a António Serrenho dessa vaga. Depois de falar com Manuel Pinto Lopes, um dos principais acionistas da CIN, foi admitido.

Em 1950, a fábrica ficava situada na rua de Bento Júnior. Tinha sido construída em 1926, com uma área de cerca de 4 mil metros quadrados. António Serrenho recorda-se que quando chegou à empresa deu uma volta pela fábrica e ficou "muito mal impressionado com a falta de modernismo da empresa, especialmente no setor fabril". Por isso, diz, "fiz a mim próprio a promessa de agir com rapidez no sentido de corrigir tudo o que se encontrava obsoleto e ainda as condições de trabalho".

Nessa altura havia cerca de 20 empresas de tintas e vernizes e o mercado era dominado pela Dyrup, Sotinco e Robbialac. Entrou para substituir um engenheiro inglês que se estava a reformar, mas guardava segredo das formulações. Para António Serrenho, "o homem achava-se uma espécie de feiticeiro Merlin, muito cioso dos seus segredos e poderes. Mas estava nitidamente ultrapassado e a CIN precisava de se projetar para o futuro". Foi o primeiro licenciado português a entrar na empresa e durante os primeiros três anos organizou o laboratório e desenvolveu o I&D da empresa.

Estratégia comercial

"O senhor Pinto Lopes foi muito aberto às novas ideias que eu trouxe, de tal modo que, em todo o lado onde se falava no Serrenho, me punha nos píncaros." "Foi aceitando a cedência dos poderes que tinha, passando-os para mim, como prova de confiança e facilitando sempre a minha atuação", recordou António Serrenho. Em 1957, os acionistas ofereceram-lhe 5% do capital e, em 1972, com a morte de Manuel Pinto Lopes, comprou as ações do empresário e ficou com a maioria.

Uma das suas estratégias foi dedicar-se ao pelouro técnico-comercial, que lhe permitia contacto com os clientes e os seus problemas, a quem oferecia, desenvolvia e estudava soluções. Nos anos 1960, pela capacidade técnica, a CIN tornou-se fornecedora de tintas de empresas como a Efacec, o Amoníaco Português e a Empresa de Pesca de Aveiro e Viana.

Nos anos 1960 abriu lojas próprias em Lisboa e Porto, e alargou a rede para 38 lojas. Fez a expansão para as ex-colónias, com unidade industrial em Angola (1970) e em Moçambique (1973). Depois avançou para as regiões autónomas. Em 1978, para Ponta Delgada e, em 1982, para a Madeira.

Em 1966, foi construída a nova unidade industrial com 50 mil metros quadrados. A CIN estava preparada com uma nova unidade, laboratórios de investigação e controlo de qualidade de tecnologia de ponta, engenheiros seniores, jovens licenciados e operários e quadros com boa formação técnico-profissional. Para António Serrenho foi o "laboratório da inovação que nos levou à liderança ibérica em pouco mais de 20 anos".

Folião e autoritário

Na sua vida pessoal tem um lado divertido, folião e, como se dizia no seu livro de curso, estava "sempre sorridente, alegre, prazenteiro e com uma história pronta, engatilhada". Na fábrica era autoritário, exigente, mas sabia reconhecer quando era excessivo sem necessidade. Entre os trabalhadores era conhecido pelo "cinco estrelas" e pelo "homem dos sapatos pretos". Manteve-se aberto a novas ideias.

A internacionalização ganha impulso com a entrada da segunda geração aos comandos do grupo - o filho João Serrenho, também licenciado em Engenharia Química e que chegou a ser presidente da Confederação Europeia da Indústria de Tintas. Este revela que "com o fim do condicionamento industrial, em 1974, entrámos numa altura de grande crescimento e propus que, em vez de se comprarem novas máquinas, se fizesse uma linha completamente nova", assinala, referindo que, desde então, a empresa cresceu de uma maneira "perfeitamente diabólica". Igualmente importante foi a aquisição da Valentine, em Espanha (Barcelona), em 1994. "Deu-nos um grande alento para continuarmos a fazer aquisições."

Os sucessores e o mapa-múndi das empresas

 

É pai de quatro filhos: Maria João, João Manuel (CEO da CIN), Maria Francisca - os acionistas da CIN -, e António Francisco, engenheiro civil com atividade fora das empresas familiares. António Serrenho tem nove netos, um dos quais, João Luís, é administrador da CIN Coatings, que é também um dos membros do novo partido Iniciativa Liberal. Em Portugal, tem a CIN e a CIN Industrial Coatings. Em Espanha, a CIN Valentine, a Pinturas CIN Canárias, a CIN Soritec, a CIN Govesan. Em França, a CIN Celliose, a CIN Monopol. Na Polónia, a CIN Coatings Polska. Na Turquia, a CIN Coatings Turkey. Na África do Sul, a CIN Coatings South Africa e, no México, a CIN Coatings México. Líder do mercado português desde 1992 e do mercado ibérico desde 1995, a CIN é a 16.ª maior empresa de tintas na Europa e a 48.ª no mundo.

 

Fundação da empresa: 1917

Volume de vendas: 241 milhões de euros (2019)

Principais negócios: Tintas para a construção civil (51%), industriais (37%) e tintas para proteção corrosiva (12%)

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