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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Nem todos os setores sofreram com a pandemia. Os vinhos nacionais têm estado em crescendo com o online e as exportações a alavancar.

As exportações de vinhos portugueses cresceram 3,8% em volume e 8,6% em valor entre janeiro e novembro, comparativamente com 2020, revelaram esta quinta-feira os dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) divulgados pelo Ministério da Agricultura. O Douro destaca-se neste campo – aumentou as exportações 11% em quantidade e 18% em valor – e ainda num outro: no total, as vendas da região fixaram-se em redor dos €600 milhões, no decorrer de todo o ano de 2021, segundo informação a que a EXAME teve acesso. O presidente do IVDP, Gilberto Igrejas, congratula-se com o resultado e nota que o aumento das vendas foi acompanhado de um aumento do preço médio, o que permite que a região sonhe mais alto.

 

“Em 2020, face ao contexto pandémico, ficou evidente a resiliência das marcas Porto e Douro e das empresas do setor no mercado internacional: a quantidade exportada de Douro cresceu 5,4 % em relação ao ano anterior, e a de Porto diminuiu apenas 1,4 % em comparação com o ano de 2019, o qual tinha ficado marcado pela inversão de tendência nas exportações de vinho do Porto, após vários anos consecutivos de decréscimo”, refere em respostas enviadas por email à EXAME. “Em 2021 as vendas dos vinhos da Região Demarcada do Douro (RDD) registaram uma evolução muito positiva em termos de quantidade, mas também no preço médio, levando a um volume de negócios recorde, e evidenciando a capacidade da região para enfrentar os desafios resultantes de uma conjuntura de instabilidade e transformação”.

 

Em agosto do ano passado, também em declarações à EXAME, a presidente da Associação Portuguesa de Enoturismo (APENO), congratulava-se com a subida consistente do preço médio do vinho nacional, mas pedia medidas mais musculadas por parte das autoridades para reposicionar o produto português junto dos seus congéneres. Sobretudo numa altura em que o aumento significativo das exportações reflete o crescente interesse pela produção portuguesa.

 

“Acho sinceramente que devia haver uma política diferenciada para os preços para o mercado nacional e o mercado internacional”, dizia na ocasião Maria João Almeida. Uma ideia, aliás, que tem vindo a defender ao longo dos anos, recordando que, para quem não conhece os vinhos, o efeito preço é sempre valorizado. “Há muitos países em que não se compra um vinho barato porque se acha que não é bom. E nós temos vinhos muito bons, mas demasiado baratos.”

 

Gilberto Igrejas, por seu lado, acredita que esta subida de preço médio veio para ficar, e é inclusivamente possível que continue a acontecer no médio e longo prazos. “A tendência de evolução positiva dos preços dos vinhos da região nos últimos anos, e particularmente o seu comportamento positivo em 2021, apesar de todas as dificuldades inerentes à instabilidade introduzida pela pandemia, permitem ter confiança no empenho do setor em continuar a percorrer um caminho que corresponda à valorização dos vinhos da RDD”, reitera.

 

E salienta a importância das vendas online neste percurso que tem sido feito, sobretudo nos últimos dois anos – durante os quais muitos pequenos produtores acabaram por se ver obrigados a criar as suas lojas digitais por forma a não perderem a oportunidade de mercado.

 

Ainda assim, “em 2020, a reação positiva das vendas online, e o acréscimo do consumo de vinho em casa durante os períodos de confinamento, não compensaram a significativa quebra das vendas de vinho no mercado nacional, resultante dos períodos de encerramento do canal HORECA e da forte diminuição registada no turismo, esta com maior impacto negativo na comercialização de vinho do Porto”. Já no ano passado “registou-se uma forte recuperação das vendas de vinhos da RDD no mercado nacional, mas no caso do vinho do Porto ainda sem atingir os níveis de 2019”, lamenta o responsável.

 

No entanto, nas exportações “o comportamento em 2021 é igualmente assinalável, principalmente porque estamos a comparar com o ano de 2020, que, tendo em conta o contexto de pandemia, registou uma evolução que podemos considerar como positiva”. Isto significa, refere ainda, que claramente as exportações foram o grande garante dos bons resultados da região no ano que agora passou.

 

E para 2022, Gilberto Igrejas antecipa resultados positivos, mais uma vez. “A região e o setor vitivinícola demonstraram nos dois últimos anos toda uma resiliência e capacidade de adaptação e reação para enfrentar os desafios que vão surgindo, permitindo encarar 2022 com confiança. O Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P., pelo seu lado, contribuirá mantendo-se sempre on na prossecução da sua Missão, procurando soluções que melhor sirvam os interesses do setor, executando o seu orçamento em prol da RDD e da sua sustentabilidade, aumentando paulatinamente o investimento na proteção das DOP Porto e Douro, e na promoção da região e dos seus vinhos”, conclui.

 

Também a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, se mostrou otimista em relação à saúde e prestação do setor, que tem conseguido atravessar os últimos tempos de turbulência económica com relativa tranquilidade. No comunicado enviado pela Tutela, a ministra salientava que “os vinhos portugueses têm revelado uma evolução notável, em grande parte impulsionada pelas exportações. Os dados agora divulgados pelo INE vêm sublinhar isto mesmo, ao mesmo tempo que evidenciam a resiliência do setor”.

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