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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A economia social representa 2,7% do PIB em Portugal e 6,1% do emprego remunerado. A Base de Dados Social, um agregador estatístico da Nova SBE, mostra que a grande maioria das organizações sociais dedica-se aos temas da proteção da vida terrestre, às cidades e comunidades sustentáveis e à redução das desigualdades.

A definição de economia social está plasmada na Lei de Bases de 2013 e integra, entre outras, cooperativas, associações mutualistas, misericórdias, fundações, outras instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e ainda associações com fins altruísticos que atuem no âmbito cultural, recreativo, do desporto e do desenvolvimento local.

Os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicados em 2019 (referentes a 2016) mostram que em Portugal existiam 72 mil entidades que fazem parte da chamada economia social. As atividades desenvolvidas por estas organizações sociais pesam 3% no valor acrescentado bruto da economia e 2,7% no produto interno bruto (PIB) português, sendo ainda responsáveis por 6,1% do total do emprego remunerado.

Na Base de Dados Social está registada uma amostra de 18.026 destas organizações e é possível analisar o seu alinhamento com os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) das Nações Unidas (ver gráfico em baixo). Quase 90% das organizações sociais perseguem objetivos alinhados com um destes quatro ODS: proteger a vida terrestre (28,9%), cidades e comunidades sustentáveis (25,1%), reduzir as desigualdades (18,8%) e ainda educação de qualidade (16,3%). Do lado oposto do ranking, ou seja, os ODS sem representação na economia social ou com uma representação residual são os das “energias renováveis e acessíveis” e o da “ação climática” (ver gráfico em baixo).

Os 17 ODS fazem parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada por todos os estados-membros das Nações Unidas em 2015, e que entrou oficialmente em vigor em 2016, definindo as prioridades em termos de desenvolvimento sustentável global até 2030.

 

A Base de Dados Social é uma plataforma de dados abertos do ecossistema de impacto social português e é um projeto desenvolvido no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação ”la Caixa”, o Banco BPI e a Nova SBE, e coordenado pelo Nova SBE Data Science Knowledge Center.

Das 18.026 IPSS e organizações sociais que estão registadas nesta base de dados, quase metade (46,8 %) dedica-se aos serviços sociais, 34,6% às atividades de recreio, 10,2% à educação e 2,6% às atividades de proteção ambiental e de bem-estar animal (ver gráfico no final do texto).

Os números da Conta Satélite da Economia Social produzidos pelo INE, em parceria com a CASES - Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, revelam que o setor da economia social em Portugal emprega 234.886 pessoas, o que representa 6,1% do total do emprego remunerado em Portugal. Das instituições inscritas na Base de Dados Social, o Corpo Nacional de Escutas (14.500), o Movimento REFOOD (7.500), a Associação de Socorros Mútuos dos Empregados do Estado (4.627), a Cruz Vermelha Portuguesa (2.500) e a Mutualidade da Moita (2.392) estão no top 5 das organizações sociais com mais colaboradores.

Em termos de indicadores financeiros, a Fundação Casa da Música é aquela que aparece com o maior orçamento entre as 18 mil organizações que estão registadas na Base de Dados Social (sendo que nem todas divulgam os seus dados financeiros), com 14,2 milhões de euros de custos e 15,2 milhões de proveitos. A Sociedade Portuguesa de Autores (8,7 milhões), a Associação Luiz Pereira Motta (6,3 milhões), a União Mutualista Nossa Senhora da Conceição (5,8 milhões) e a Associação do Porto de Paralisia Cerebral (5,7 milhões) também estão no top 5 em termos de proveitos.

Este projeto Base de Dados Social, além de divulgar estatísticas ao público, tem feito vários workshops de dados exclusivos para organizações sociais. Num comunicado enviado ao Expresso SER, Cátia Cohen, gestora do projeto no Nova SBE Data Science Knowledge Center, refere que “os dados são uma ferramenta importante para os processos decisórios e de mudança social, mas a maioria das organizações sociais afirma não saber como recolher, analisar e utilizar os dados de forma eficaz. Estes workshops pretendem responder a esta necessidade e apoiar as organizações na adoção de uma cultura de dados”.

A Nova SBE, além deste projeto da Base de Dados Social, também tem em marcha uma nova edição do Social Leapfrog que é um programa que já ajudou 25 organizações sociais a serem financeiramente mais sustentáveis. A Alzheimer Portugal que resolveu duplicar a capacidade da Casa do Alecrim, a Associação Pão a Pão que, além do restaurante de comida do Médio Oriente, também resolveu lançar uma escola, e a CECD que trabalha com pessoas com deficiência intelectual e tinha um problema de liderança são algumas das organizações sociais que já passaram por este programa que tem como missão colocar esta instituições a dar dinheiro para que possam chegar a um maior número de pessoas.

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