NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Luís Castro Henriques, Presidente da AICEP, Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, foi o convidado da mais recente edição das Conversas METAL PORTUGAL by AIMMAP, um evento moderado por Rafael Campos Pereira, Vice-Presidente Executivo da AIMMAP, entidade promotora desta webconference.

A sessão foi levada a efeito no dia 21 de abril, tendo sido transmitida em di- reto nos canais da AIMMAP no YouTube e no Facebook, onde continua a estar em condições de ser visionada por todos os interessados.


No encontro foi salientado o relevantíssimo papel que a AICEP tem na promoção do comércio externo português e na internacionalização da economia. "É consensual que este tem de ser um desígnio nacional. Temos de exportar mais e ter empresas mais internacionalizadas", referiu Rafael Campos Pereira, o que torna o papel da AICEP ainda mais relevante. "Na AIMMAP, e nas empresas que fazem parte do METAL PORTUGAL, temos tido o prazer de acompanhar de perto esse trabalho e conseguido articular muitas iniciativas, criar sinergias e trabalhar juntos em vários domínios", explicou o Vice-presidente Executivo. Exemplo disso é a Hannover Messe, cuja edição de 2022 terá Portugal como país parceiro.


No evento foram abordados os principais projetos da AICEP para os próximos anos, o grande contributo que o METAL PORTUGAL, enquanto principal setor exportador da economia portuguesa, pode aportara esses projetos, assim como foram discutidas as dificuldades, ao nível de complexidade e burocracia, que as empresas pressentem nos projetos de candidatura.


Exportar mais e melhor, mas também fomentar o bom investimento no país. Estes são dois dos desafios identificados por Luís Castro Henriques, que destacou o facto de o METAL PORTUGAL ser fundamental para ultrapassar estes reptos. "Este é o maior setor exportador em termos globais, com enormes exigências de competitividade, com exportações recorrentes e não oportunísticas e de elevado valor acrescentado". Para além de, enfatiza o Presidente da Agência, "este setor representar bem a competitividade do talento português", uma afirmação que deixou particularmente satisfeito Rafael Campos Pereira. "A concorrência é feroz e nós temos talento altamente qualificado, inovador e que consegue ultrapassar as expectativas dos clientes para garantir a sua fidelização. Não é fácil competir neste setor e as taxas de crescimento dos subsetores ao longo desta última década - retirando 2020, já que é um epifenómeno - comprovam esse talento".


Mesmo no complicado e atípico ano 2020, Rafael Campos Pereira referiu que o setor conseguiu crescer 20% nas exportações para fora da União Europeia, mais uma vez a demostrar a competitividade e capacidade de adaptação. Como referência, em 2019 o METAL PORTUGAL exportou cerca de 20 mil milhões de euros, "o que só se consegue com bom talento, não tenhamos a mínima dúvida", disse Luís Castro Henriques.


A inovação foi outro dos temas debatidos no evento, com o Presidente da AICEP a enfatizar a necessidade de estar permanentemente a inovar e a ultrapassar barreiras individuais de cada empresa para continuar a manter as vendas, o que, no entender de Luís Castro Henriques, gera recorrência. "Creio que este é um dos grandes vetores de sucesso a manter na próxima década".


O facto de este ser um setor de empreendedores é outra prova do talento nacional referido pelo Presidente da AICEP. "Não há só transição geracional. Há empresas com empreendedores de primeira geração", uma simbiose que potencia o profissionalismo e características específicas das empresas portuguesas. "Vemos empresas que conseguem ganhar concursos aos melhores do mundo, manter fiabilidade e passar uma mensagem e noção clara aos compradores de que o que é português é bom, é bem feito, é inovador e competitivo. Uma vez mais, isto só se consegue com talento". Rafael Campos Pereira acrescentou ainda que apenas podemos ser um país autónomo se houver uma aposta em conceber os equipamentos de produção em Portugal, "pois dependeremos menos dos fornecedores e importaremos menos, ganhando mais resiliência e tornando a nossa economia mais autónoma e de valor acrescentado ".


Para o Presidente da AICEP, os fato- res de competitividade que determinaram o enorme arranque das exportações nesta última década devem ser estimulados por forma a garantir igual performance nos próximos anos. "Temos de encarar que o nosso mercado interno não é Portugal, é a Europa. Nos países onde é mais exigente trabalhar damos cartas, pelo que nada impede que passemos a fazer isto num universo mais alargado, seja a norte, sul ou leste". Luís Castro Henriques mencionou ainda a importância de aproveitar bem os países que têm acordos de Comércio Livre, onde há uma redução da barreira tarifária, "criando mais oportunidades". Países da CPLP ou pilares como China, Japão ou Estados Unidos vão, obviamente, no entender do Presidente da AICEP, continuar a ser relevantes.


Luís Castro Henriques garante que a AICEP vai continuar a aumentar a gama de produtos da denominada Academia Internacionalizar', assim como a tipologia de produtos dedicados ao online. "Mesmo neste setor, o e-commerce começa a ter relevância e é preciso trabalhar. Há que olhar para estas plataformas como autênticos países, como mais um mercado". Segundo dados fornecidos por Luís Castro Henriques, o e-commerce, hoje, já representa dois terços de um PIB americano, qualquer coisa como 12 biliões de dólares.


No debate foi ainda mencionada a importância de promover a notoriedade da marca Portugal, com uma mensagem coerente, competitiva e, acima de tudo, diferenciadora. "E, aqui, o setor do metal é absolutamente crítico, até pelo que eu disse no início: o talento", referiu Luís Castro Henriques.


A edição de 2022 da Hannover Messe, no qual Portugal vai estar no palco central, foi obviamente mencionada nesta Conversa METAL PORTUGAL, como uma oportunidade que pode constituir um ponto de viragem e contribuir para que o setor mais exportador de Portugal possa, provavelmente, ter um crescimento exponencial. Isto, salienta Rafael Campos Pereira, havendo mão de obra e matéria-prima. "A Alemanha é o principal exportador da Europa e quem consegue trabalhar de forma competitiva naquele país consegue claramente outros mercados, até fora da Europa", acrescentou Luís Castro Henriques.

 

Aliás, o Presidente da AICEP não tem qualquer dúvida de que o caminho de sucesso do METAL PORTUGAL vai permitir às estruturas empresariais portuguesas chegar a um universo muito mais alargado de empresas industriais de altíssima qualidade e muitíssimo internacionalizadas.


Para Luís Castro Henriques, a Han- nover Messe 2022 constitui a melhor oportunidade dos últimos anos, já que, "num só evento, vai ser possível apre- sentarmo-nos aos alemães e dizermos que somos um dos principais e potenciais parceiros para trabalhar, investir ou comprar". Convém salientar que nesta feira estão presentes mais de 100 mil decisores industriais alemães. "Uma oportunidade única para trabalharmos a notoriedade e a perceção de que Portugal é competitivo e diferenciador. O que vamos lá dizer é que 'Portugal makes sense'. Ou seja, se ainda não faz negócio connosco é porque não pensou em nós. Porque, quando pensar, vai perceber que faz todo o sentido do mundo". O Presidente da AICEP apelou por isso à importância de, em 2022, Portugal ter uma presença muito significativa, com o reconhecimento não só dos compradores e indústria alemã, mas também o reconhecimento institucional do estado alemão de que a fiabilidade e o avanço competitivo de Portugal é relevante para que sejamos um país parceiro de uma das principais feiras de indústria e tecnologia, a nível mundial.


Luís Castro Henriques aconselhou as empresas participantes a prepara- rem-se em termos de conteúdo, assim como prepararem as suas equipas para, de uma forma rápida, profissional e assertiva, lidarem com centenas ou mesmo milhares de contactos que irão fazer. "Há que garantir que o backoffi- ce das empresas está preparado para esta presença". Para além do auxílio da AIMMAP e de outras entidades, as empresas participantes podem ainda contar com o apoio empenhado da própria AICEP, que tem previsto neste certame um investimento superior a três milhões de euros.


Os projetos de candidatura e os apoios às empresas portuguesas foram obviamente discutidos nesta sessão, nomeadamente o PT2020, PRR e Quadro Financeiro Plurianual, que no total contabilizam apoios em mais de 60 mil milhões de euros. Segundo Rafael Campos Pereira, as empresas queixam- -se de burocracias e dificuldades na sua apresentação, algo que a digitalização pode ajudar a facilitar, mas não é suficiente. E, relativamente a este assunto, Luís Castro Henriques lembra que "Na AICEP tentamos ser a solução, nunca um problema", garante.

Partilhar