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Cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveram este produto no âmbito do projeto "Value2Prevent", com o propósito de valorizar a biomassa florestal.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra criou um produto a partir de resíduos florestais e fungos que pode ser usado na construção, nomeadamente em paredes interiores de edifícios, revelou esta segunda-feira a instituição.

 

Os cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveram este produto no âmbito do projeto “Value2Prevent”, com o propósito de valorizar a biomassa florestal, agregar valor às florestas e, também, possibilitar o aumento do rendimento dos produtos, afirma a UC, numa nota de imprensa enviada esta segunda-feira à agência Lusa.

 

De acordo com o investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE) do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da FCTUC, João Martins, normalmente os produtores florestais não têm grandes incentivos à limpeza dos terrenos, porque essa biomassa que resulta das limpezas não tem grande valor, uma vez que tem de ser transportada para locais específicos e o transporte e a recolha são muito caros.

 

“Portanto, tem de haver um retorno elevado para que tal seja compensatório para os produtores“, esclarece.

Nesse sentido, a equipa desenvolveu um produto que pode ser utilizado na construção, designadamente em paredes interiores, que tem um “valor acrescentado muito interessante”.

 

“A ideia é usarmos os tais resíduos de biomassa florestal, inocularmos com um fungo que tem a capacidade de degradar parcialmente a biomassa e criar uma espécie de cimento, agregando todas as partículas e formando um bloco. Posteriormente, este produto é seco, para inativar o fungo, e pode ser utilizado no interior de duas placas de madeira, substituindo, assim, os materiais sintéticos usados atualmente”, descreve o investigador.

 

Além de ser uma alternativa sustentável, este produto tem também outras vantagens, como propriedades térmicas e acústicas.

“O facto de ser uma opção mais equilibrada, pois é tão sustentável como a madeira, mas tão eficiente como o revestimento sintético, e ainda, o baixo custo do produto. A biomassa é relativamente barata e conseguimos produzir estes blocos com facilidade” aponta.

 

Para os testes têm sido usadas árvores como, por exemplo, eucalipto, pinheiro-bravo, medronheiro e ainda uma mistura de arbustos.

 

No futuro, a equipa pretende testar a utilização de outros produtos com a biomassa, como plástico reutilizado, cortiça e borracha, que podem tornar ainda mais eficazes as propriedades acústicas e térmicas deste material.

 

O “Value2Prevent” é promovido pelo SerQ — Centro de Inovação e Competências da Floresta, tendo como parceiros a Universidade de Coimbra (UC), o Instituto Superior de Agronomia (ISA), o Centro Ciência Viva da Floresta de Proença-a-Nova (CCVF) e a Proentia — Essential Oils.

 

Em ECO

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