AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO



Com um milhão de habitantes, Praga recebe quatro milhões de turistas por ano.

Praga é uma cidade monumental. Talvez excessivamente, para quem a habita todos os dias e tem que se deparar com enormes engarrafamentos de turistas um pouco por toda a cidade velha. Claro que nesta babel de línguas, costumes, sons e cores de gente reside boa parte do encanto da cidade das cem torres, como também é conhecida a capital da República Checa.

 

Apesar de conhecida por um certo número de locais e construções - catedral de S. Vito, o Castelo, o Teatro Nacional, a ruela do ouro ou o relógio astronómico - Praga insiste em fugir aos clichés, surpreendendo quem decida dedicar energia e tempo à descoberta dos seus recantos e segredos: se visitar o castelo é uma obrigação turística, acabar nos parques verdes reais é uma necessidade absoluta. Visitar o bairro de Mala Strana, com a igreja do Menino Jesus de Praga, o Palácio do Senado e o jardim de Valdštein é obrigatório, mas terminar este percurso na taberna "U Hrocha" é uma das mais interessantes experiências sociológicas ao alcance do turista de espírito aventureiro (há quem diga que os dois empregados da ‘hospoda' nunca viram a luz do sol, tal a amplitude do horário de trabalho, que se inicia antes do alvorecer e termina depois do ocaso). E depois há Mozart. Esmetana e Dvorak e Janacek, os mais ilustres compositores que viveram a/na cidade e contribuíram para o seu esplendor cultural, que prevalece nos teatros nacionais ou na Ópera de Praga, espaços que convivem com os quase sempre esgotados 50 teatros que da cidade, quase todos com companhias residentes.

 

No entanto, a visão que tenho da cidade é outra: a música que oiço não é só a dos executantes e virtuosos na sala de concertos do Rudolfinum, mas também a do primeiro violino da Orquestra Nacional que, nas horas vagas, vai tocar para a ponte de Carlos, ou a do velho resistente que, com neve, chuva ou sol, toca no saxofone êxitos norte americanos imortalizados por Frank Sinatra ou pela Glenn Miller Orchestra. Chapéu negro, estilo cowboy incluído!

 

Mas o livro é o melhor amigo dos checos. Onde quer que estejam, no hospital à espera de consulta, no metro, no eléctrico ou no parque, lêem compulsivamente. Ir ao café significa passar horas com uma cerveja e um livro - disponibilizado pelo estabelecimento, é claro. Praga é a cidade de Kundera e de Kafka, os menos checos dos escritores checos, e de Jaroslav Sejfert, o Nobel da literatura; mas mais terra-a-terra, quem não conhece a história do "Valente Soldado Šveik", de Jaroslav Hašek?

 

Praga é também uma cidade viva e moderna, estrategicamente situada no centro da Europa e com um crescimento visível no que toca à atracção de multi-nacionais que contribuem para a preservação da cidade, recuperando palacetes e casas de estilo, recorrendo à construção de edifícios de raiz, seguindo linhas estéticas de nova arquitectura e dando ao espaço uma aparência dinâmica e contemporânea. Com uma taxa de desemprego reduzida, atrai as gerações mais jovens, o que dá uma dinâmica social e uma ‘movida' cosmopolita.

 

A relação de Portugal com este país tem raízes históricas que remontam, pelo menos, ao século XVI, quando o Infante D. Pedro se bateu em terras da Boémia contra os hussitas. Há registos da passagem do humanista Damião de Góis e de intercâmbios científicos, de que a apresentação do nónio de Pedro Nunes é apenas um exemplo.

 

Com cerca de um milhão de habitantes, a cidade recebe cerca de 4 milhões de turistas por ano, a maioria para visitar monumentos, museus e ver concertos, mas muitos para participar numa das novas vocações de Praga: conferências e congressos.

RODAPÉ