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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O investimento externo em Portugal subiu em 2019, após a queda de 2018. França destacou-se com uma subida de 27%. A série foi revista em alta, revelando que, afinal, há mais IDE.

Entre o final de 2018 e o de 2019, o investimento direto estrangeiro (IDE) em Portugal aumentou 7%, o que se traduziu em mais 9,2 mil milhões de euros. Um dos países com maior crescimento do investimento em Portugal foi França.

Os dados foram divulgados na semana passada pelo Banco de Portugal e mostram que, ao contrário da queda de 2018, o saldo entre as saídas e as entradas de IDE em 2019 foi positivo.

Ao todo, o stock de IDE em Portugal engordou de 134,7 mil milhões de euros em 2018 – ano em que registou a primeira queda desde a entrada da troika – para 143,9 mil milhões de euros em 2019. Este é o valor mais elevado da série que começa em 2008.

Contudo, em percentagem da dimensão da economia (ou seja, do peso no Produto Interno Bruto), o IDE de 2019 (68,2%) não é o maior. O pico nessa ótica foi alcançado em 2017 com 70,4%.

Entre os setores, um dos destaques continua a ser o investimento imobiliário que representa quase 15% (20,8 mil milhões de euros) do total de investimento direto estrangeiro. Em 2019, o investimento no imobiliário português, oriundo de fora do país, subiu dois mil milhões de euros face a 2018.

Recorde-se que um investimento estrangeiro é contabilizado quando o investidor direto detém pelo menos 10% dos direitos de voto da empresa final, segundo a definição do banco central.

França destacou-se no ano passado

O IDE com origem em França aumentou em 27%, o que se traduziu em mais 2,1 mil milhões de euros. No total, passou a ser de 9,8 mil milhões de euros.

O stock de investimento francês passou assim a ser o quarto maior, ultrapassando o Reino Unido. Para tal contribuiu também a redução do investimento britânico em 627 milhões de euros num ano marcado pela incerteza relacionada com o Brexit, nomeadamente o receio de uma saída desordenada, um cenário que ganhou força durante o ano passado.

As duas maiores subidas nominais de IDE em 2019 verificaram-se nos dois países com maior stock, a Holanda e o Luxemburgo: registou-se um aumento de 2,8 e 2,2 mil milhões de euros, respetivamente.

Série é revista em alta em cerca de 20 mil milhões

No terceiro trimestre do ano passado, toda a série do investimento direto estrangeiro foi revista em alta em cerca de 20 mil milhões de euros face aos dados antigos. Esta mudança foi feita no âmbito da atualização da base das contas nacionais.

O Banco de Portugal destaca três mudanças que justificam esta revisão em alta do investimento estrangeiro: uma nova fonte de informação para as aquisições líquidas de imobiliário entre residentes e não residentes, a revisão da valorização das ações não cotadas e outras participações e revisão do método de apuramento dos euros na posse de residentes. “A alteração não foi motivada por nenhum setor ou país em particular”, assinala o banco central em resposta às questões colocadas pelo Negócios.

 

INVESTIMENTO ESTRANGEIRO RECORDE

 

Investimento do exterior em Portugal, em milhões de euros

 

Em termos nominais, o stock do investimento direto estrangeiro registado no final de 2019 atingiu um recorde ao fixar-se nos 143,9 mil milhões de euros. Já o peso do IDE em percentagem do PIB, apesar de ter subido entre 2018 e 2019, não superou o máximo de 2017.


A Holanda e o Luxemburgo são os que têm mais IDE em Portugal. Estes países servem de sede a muitas multinacionais por razões fiscais.

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