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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Opway reforça grupo de Gilberto Rodrigues. São duas compras em três meses. BCP e Novo Banco são aliados.

A construção no Quénia de uma das barragens do plano de irrigação e abastecimento de água para combater a seca e impulsionar a produção agrícola é a mais recente adjudicação da Elevo no exterior. A obra de €180 milhões fica na região de Embu (província oriental) e impulsiona a carteira da construtora acima dos €2 mil milhões. O financiamento da barragem, a cargo da Elevo, está assegurado e as condições do negócio já foram aprovadas pelo Governo queniano.

 

É em África que a Elevo regista mais contratos recentes. Em Angola, uma ligação rodoviária (65 km) no Huambo, um novo armazém farmacêutico do grupo Shalina e a execução da rede de abastecimento de água do Soyo reforçam em €110 milhões a carteira. Em Moçambique, uma intervenção no parque natural do Limpopo vale €14 milhões. A estreia no Quénia segue-se à entrada nos Camarões, em meados de 2017, com um troço (190 km) do eixo rodoviário que liga à fronteira com o Chade (€60 milhões).

 

África destaca-se nos 18 mercados em que a Elevo opera, incluindo países como o Gabão, Costa do Marfim ou Zâmbia. Mas o novo presidente e acionista da Elevo, Gilberto Rodrigues, prepara uma reorganização profunda, “potenciando sinergias” e trocando os mercados que se revelam “tradicionalmente deficitários” por economias em modo de prosperidade “valorizando a criação de valor”. A Elevo passará a ter um administrador residente em cada uma das regiões estratégicas, “numa lógica de proximidade aos clientes e operações”, diz o presidente do conglomerado.

 

Opway sem Sarrion

 

O movimento de reorganização ganhou esta semana um novo carácter, com a aquisição pela Nacala Holdings, de Gilberto Rodrigues (75%) e Pedro Antelo, da Opway, a construtora que se transferira do universo Espírito Santo para a posse de três gestores e definhava à sombra de um plano de viabilização que não contara com os favores dos credores bancários.

 

Antes da operação, a gestão da Opway alienou a posição de controlo da Sarrion, a construtora espanhola que surgia como um dos principais ativos do grupo. De acordo com o plano de viabilização, a Opway agendara para 2018 o primeiro pagamento aos bancos — 55% da dívida de €130 milhões em sete prestações anuais.

 

A Nacala surge como um agente de reorganizador da indústria de construção, ajudando a banca na sua cruzada de limpeza de balanços. Após fechar em setembro a aquisição da Elevo, o terceiro maior conglomerado da fileira da construção, a Opway concede-lhe “capacidade técnica e operacional” para executar “todo o tipo de obra de engenharia, em qualquer parte do globo”.

 

E agora? Primeiro reorganizar e potenciar a eficiência, depois valorizar competências e crescer a todo o vapor. Os novos acionistas “aportaram experiência, ambição e uma fortíssima capacidade de gestão” à Elevo, sempre focada na eficiência operacional e na geração de liquidez. Nos últimos três meses Gilberto Rodrigues já visitou todas as frentes operacionais da Elevo, distribuídas pela Europa, África e América Latina.

 

O que motiva a dupla Gilberto e Pedro é “o crescimento sustentável” e a oportunidade de dirigir “um grupo de referência em todos os mercados”. E com ênfase especial em Portugal: “O grupo deixou de investir, mas agora está de regresso”, diz o presidente. A mudança acionista “era fundamental para seguir um rumo e tomar decisões”. A administração anterior “estava condicionada por se encontrar num cenário de gestão corrente”. “Há muitos negócios a acontecer em várias frentes”, diz Gilberto Rodrigues, que promete a Elevo nas notícias “agora pelas boas razões”.

 

BCP e Novo Banco parceiros

 

Pressionada por ações em tribunal e pedidos de insolvência, a Elevo sofria com a política restritiva da banca quando a Nacala fechou a aquisição. Um negócio avaliado em €90 milhões, incluindo um aumento de capital e compra de créditos bancários. No mercado, comenta-se que a reestruturação financeira incluiu o perdão de 60% da dívida por parte da maioria dos bancos, CGD incluída. Mas a dívida ao BCP e Novo Banco terá ficado inalterada e cada um dos bancos injetou €20 milhões para reforçar a tesouraria, em troca de garantias patrimoniais cedidas pelos acionistas.

 

Gilberto Rodrigues comenta apenas que “esta foi uma operação em que todos ficaram a ganhar”, referindo-se ao BCP e Novo Banco “como parceiros de qualidade e prestígio”. Dois bancos “com uma visão diferente” e que optaram “por continuar a apoiar” a Elevo.

 

Na Opway o cenário é idêntico. A construtora sofria com a falta de garantias bancárias e estava refém do principal credor, a CGD. Com o crédito vedado, foi realizando liquidez com a venda de ativos e adiantamentos de clientes.

 

No caso da Elevo, o grupo acumulou défices de exploração e teve de “reconhecer perdas” e “efetuar um corte no passivo” para que este novo ciclo fosse possível. De outro modo “não haveria ninguém disponível para investir no negócio”. Nesta nova fase, a Elevo admite ser “concorrente ou parceiro” de construtoras portuguesas no exterior.

 

A “dimensão adequada” e “a reestruturação do perfil da dívida e do balanço” foram os fatores que seduziram a dupla ex-Mota-Engil. Gilberto está nesta aventura com “a motivação de um empreendedor que decide sair da zona de conforto, arriscando dinheiro, reputação e trabalho para expandir o negócio” e transformar a Elevo “num grupo verdadeiramente global”.

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