NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Se nada mudar, os turistas britânicos têm "luz verde" do Governo para fazerem férias em Portugal, sem quarentena obrigatória no regresso, em setembro, o mês em que mais visitam o país.

O levantamento da quarentena obrigatória para os turistas britânicos que venham a Portugal chega mesmo a tempo do mês em que estes mais visitam o território nacional: setembro. É esta a altura preferida dos viajantes vindos do Reino Unido, segundo mostram os dados mensais do Instituto Nacional de Estatística (INE), desde 2013, relativamente aos hóspedes que ficam na hotelaria.

 

Desde o início do desconfinamento na Europa que o Governo português esperava para ser incluído na lista dos corredores aéreos. A inclusão é especialmente importante para o setor turístico do Algarve, que é o destino português preferido dos britânicos. Cerca de dois meses depois, o Governo britânico decidiu que “agora” a situação epidemiológica em Portugal permite a integração do país nessa lista.

 

Assim, os turistas que regressarem ao Reino Unido com origem em Portugal a partir das 16h de sábado não serão obrigados a fazer um isolamento de 14 dias. Apesar de a mudança chegar já na reta final do verão, a notícia positiva é que ainda vem a tempo da altura em que mais britânicos costumam eleger Portugal como destino turístico.

 

Segundo os dados do INE, nos últimos sete anos, o mês de setembro foi o eleito por mais turistas britânicos para vir a Portugal, superando entre 2013 e 2019 os meses mais quentes do verão como agosto e julho (como mostra o gráfico). Em setembro de 2019, por exemplo, vieram 262.960 hóspedes britânicos para território nacional, acima dos 257.064 de junho, 233.307 de julho e 228.903 de agosto.

 

Além de setembro, se o levantamento da restrição continuar nas próximas semanas, também outubro poderá beneficiar desta decisão uma vez que este é outro dos meses em que mais britânicos viajam para Portugal: foram 231.552 em 2019, mais do que em agosto, por exemplo. Ressalve-se que esta conclusão é retirada com base nos números do INE relativos aos hóspedes britânicos que ficam em estabelecimentos de alojamento turístico, não representando o total de turistas britânicos que chegam a Portugal.

 

Além disso, há outro fator que poderá ajudar o turismo nacional: como relembrou o Ministério dos Negócios Estrangeiros em reação à decisão do Reino Unido, o “levantamento desta restrição é útil” sobretudo para “os mais de 300 mil de portugueses no Reino Unido e os mais de 30 mil britânicos residentes em Portugal”, prevendo que estes possam viajar após terem estado impossibilitados de o fazer durante vários meses.

 

Contudo, apesar desta boa notícia para o turismo em Portugal, o impacto que a crise pandémica — e em particular a decisão do Reino Unido de excluir Portugal dos corredores aéreos — já teve no setor é enorme. Segundo os dados do turismo em 2019, o Reino Unido é o principal emissor de dormidas e o segundo maior em número de hóspedes, apenas superado por Espanha. Olhando novamente para o número de hóspedes, chegaram apenas 746 turistas britânicos em abril, 1.313 em maio e 5.991 em junho. Há um ano tinham sido 192.173, 250.900 e 257.064, respetivamente. Os números de julho e agosto serão conhecidos nos próximos meses.

 

Em reação à decisão, Elidérico Viegas, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) considerou que são “boas notícias”, em declarações à Lusa. No entanto, “a medida peca apenas por tardia e lamentamos que a situação do levantamento destas restrições não tenha sido efetuada no início do mês de junho de modo a evitar um impacto tão negativo como tivemos nos meses de julho e agosto, que são os meses por excelência do turismo no Algarve”.

Governo britânico avisa que lista pode “mudar rapidamente”

 

Quando anunciou o levantamento da quarentena obrigatória, o secretário de Estado dos Transportes britânico confirmou que “os dados mostram que podemos agora acrescentar Portugal à lista de países incluídos nos corredores aéreos”, mas avisou logo de seguida que os britânicos devem estar cientes de que a situação pode “mudar rapidamente”. Ou seja, tal como aconteceu com outros países, Portugal pode vir a sair da lista caso haja um aumento significativo de casos.

 

Esta é, portanto, uma situação de elevada incerteza que poderá afetar a capacidade de recuperação do mercado britânico no turismo nacional. Grant Shapps foi mais longe ao recomendar aos britânicos que “apenas” viagem se estiverem confortáveis em cumprir uma quarentena de 14 dias, de forma “inesperada”. “Falo por experiência”, acrescentou, referindo-se à sua viagem a Espanha que o obrigou a cumprir essa mesma quarentena, após a retirada do país da lista por parte do Governo durante a sua estadia.

 

Shapps também revelou quais os fatores que levam a mudanças nos países, nomeadamente Portugal, incluídos na lista: a prevalência estimada do vírus no país; o nível e a taxa de crescimento dos casos positivos confirmados; o nível de testes do país; “até que ponto é que os casos podem ser atribuídos a um surto contido por oposição a uma transmissão mais geral na comunidade”; as medidas do Governo; e outra informação epidemiológica que seja relevante. Caso a avaliação da situação epidemiológica portuguesa volte a ser negativa, o país poderá no futuro voltar à “lista negra”.

Partilhar