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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O turismo vai sobreviver à pandemia do Covid-19 como sobreviverá à crise económica, mas será um turismo diferente, com empresas feridas e turistas a regerem-se por parâmetros diferentes. Do futuro sabe-se apenas para que ele exista é necessário que as empresas resistam e os empregos sejam garantidos. Só depois virá a adaptação ao “novo mundo” e ao “novo turismo”. De tudo isto se falou na Web Conference da ADHP.

“O impacto do Covid-19 no turismo e hotelaria” foi o tema escolhido pela Associação dos Directores de Hotéis de Portugal para a sua Web Conference, realizada esta quinta-feira, 2 de Abril, o dia em que se deveria iniciar o congresso da Associação, em Évora, entretanto adiado para Outubro.

 

Reflectir e analisar os caminhos que poderão ser trilhados para que o Turismo volte a ser um dos principais sectores contributivos para a economia portuguesa era o objectivo, mas o momento que esta actividade económica atravessa é ainda incerto demais e o que esteve principalmente “em cima da mesa” foi a necessidade de salvar as empresas em dificuldades e os empregos daqueles que lhes dão viva e que serão necessários para que, no pós-Covid, elas possam reabrir as suas portas, voltar a captar clientes e recebê-los como sempre, com qualidade.

 

Isso mesmo sublinhou o presidente da ADHP que, ao referir-se aos temas que estavam anunciados para o congresso da Associação, afirmou que “temos hoje novas preocupações” – as que decorrem de uma pandemia de consequências ainda desconhecidas e para a qual ninguém estava preparado.

 

Com os administradores das unidades hoteleiras a terem como única preocupação no momento a salvação dvas suas empresas e hotéis, cabe aos directores de hotéis “dar-lhes todo o apoio técnico necessário”, frisou Raúl Ribeiro Ferreira. E o presidente da ADHP focaria também a importância da manutenção dos postos de trabalho, uma vez que “no fim da crise, os hotéis vão ter que reabrir” e terão de o fazer “em condições de retomarem a sua operação normal”, afirmou, antecipando que “no início de Maio há que começar a pensar nisso”.

 

Raúl Ribeiro Ferreira deixaria, no entanto, uma palavra de esperança ao mostrar-se confiante em que os novos mecanismos que estão hoje à disposição, possam permitir uma recuperação mais rápida do sector e da economia em geral.

 

No decorrer da conferência, a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, falou de resistência, inovação e confiança e quase todos os intervenientes falaram da alteração dos padrões de viagem e de um turista que irá ter um perfil diferente, o que obrigará ao aparecimento de novos produtos e reforço de alguns existentes mais relacionados, como disse Ceia da Silva, presidente da ERT do Alentejo e Ribatejo, com a natureza e um certo isolamento.

 

Ficou a certeza de que no futuro vamos ter um turismo diferente mas ficou igualmente a certeza de que para isso há que salvar as empresas, de que há que fazer com que os apoios cheguem também às microempresas, que são muitas, e que a todas chegue “dinheiro vivo” e não apenas créditos porque se as empresas se endividarem demasiado, poderão não morrer da doença mas morrerão da cura, como afirmou Ana Jacinto, da AHRESP.

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