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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Os Clusters de Competitividade e as suas empresas associadas estão já sensibilizados para a implementação de novas tecnologias e para os desafios da sustentabilidade, competitividade e internacionalização.

Esta é uma das conclusões do workshop "Conectividade para a Competitividade e Internacionalização", encontro realizado recentemente no CEi (Centro de Empresas Inovadoras), em Castelo Branco, e que permitiu aos clusters debaterem sobre as respostas aos desafios digitais e tecnológicos.

O workshop "Conectividade para a Competitividade e Internacionalização" permitiu que 13 clusters de diversos setores, unidos pela Parceria Portugal Clusters, debatessem os seus esforços na resposta aos desafios digitais e tecnológicos. As apresentações salientaram a importância da inovação e da transformação digital nas diversas cadeias de valor que os Clusters de Competitividade nacionais representam.

O encontro abriu com a apresentação de temas estruturantes enquadrados como "Os desafios da conectividade", onde intervieram como oradores especialistas reconhecidos nestas áreas como José Tribolet, professor catedrático do Instituto Superior Técnico e fundador do INESC, Pedro Alberto, professor da Universidade de Coimbra, e Catarina Silva, docente do Instituto Politécnico de Leiria.


José Tribolet reforçou a importância da cibersegurança, salientando a inexistência de preocupação e senso de emergência no que respeita à cibersegurança nas empresas e demais entidades públicas e privadas e o quão vulneráveis e permeáveis a ataques estão as empresas. Um discurso pautado pela necessidade da tomada de ação, onde afirma que "nós estamos no mundo virtual e temos de perceber como se opera neste mundo", reforçando o conceito de prevenção em que as empresas devem trabalhar.


Pedro Alberto destacou a Computação de Alto Desempenho (HPC) ao Serviço da Economia. Numa visão holística, referiu que a supercomputação impulsiona a ciência através da simulação e salientou também a relevância que a HPC possui em áreas diversas da saúde, medicina, materiais/tecnologia da informação e que as empresas irão cada vez mais estar dependentes da HPC. Tanto nas indústrias automóvel, aeronáutica ou farmacêutica como no setor das finanças, a União Europeia prevê um aumento da procura de HPC nos próximos anos para dar resposta aos complexos desafios de que o setor produtivo necessita para ser competitivo referiu.


Catarina Silva destacou a Inteligência Artificial como um dos desafios à nova indústria, referindo que as máquinas também aprendem e falou do desenvolvimento de algoritmos mais ou menos complexos, que terão de ser ajustados em função das necessidades das empresas e referiu ainda o enorme potencial de utilização em benefício destas. Apontou também para a importância da obtenção de dados fiáveis para processar a informação e da necessidade de se conhecerem rodas as variáveis. Este desafio terá um impacto significativamente crescente na tipologia dos empregos novos a surgir e na cooperação homem-máquina no quadro das fábricas do futuro.


Os Clusters e os desafios da transformação digital
O encontro prosseguiu com o debate sobre "Os clusters e os desafios da transformação digital" através de um painel onde os clusters presentes, membros da Parceira Portugal Clusters, puderam expor sucintamente

os desafios que a transformação digital teve sobre as suas cadeias de valor e que projetos estão a dinamizar neste domínio para benefício das suas empresas associadas.
A dimensão dos desafios da transformação digital (Indústria

4.0) tem impacto nos diferentes setores e respetivos processos produtivos das empresas associadas dos clusters, dependendo a sua implementação, mais ou menos rápida, do reconhecimento da necessidade da sua existência, bem como da necessidade de utilização desses processos. Foram referidos pelos vários Clusters exemplos concretos de transformação digital em algumas das empresas suas associadas já despertas para estas oportunidades com impacto na sua competitividade. Foi evidente que os clusters e as empresas associadas estão sensibilizados para a implementação de novas

tecnologias, com impacto na sua sustentabilidade, competitividade e internacionalização. Foi também assinalada a necessidade de atualização permanente de recursos humanos qualificados para dar resposta a estes desafios e oportunidades.

Visão da indústria
O evento prosseguiu com a apresentação de um caso real de transformação digital a vários níveis efetuada pela intervenção de Pedro Assude, da Delta Cafés, que, relativamente à implementação de novas tecnologias disruptivas, deu exemplos de projetos implementados e novos processos na empresa, nomeadamente, nas áreas das tecnologias inteligentes de materiais e indústria, das tecnologias inteligentes de conectividade, das tecnologias informáticas e de "big data" (infra-estrutura digital e "Cloud computing"). Pedro Assude referiu ainda que a empresa Delta Cafés está desde o início envolvida na iniciativa nacional Indústria 4.0 e concluiu que as linhas estratégicas passam agora por, junto das empresas, "generalizar, capacitar e assimilar".
Neste último painel, José Caldeira, administrador do INESC- TEC, apresentou um estudo efetuado para a plataforma europeia Manufuture com a visão para a indústria 2030, referindo as megatendências e os motores do processo produtivo, salientando a resiliência como elemento chave para o sucesso e competitividade das empresas no futuro. A combinação de desafios centrados na transformação digital mas também na economia circular e na sustentabilidade condicionam claramente diversos domínios de

investigação e inovação no futuro próximo da indústria europeia.
Na sessão de debate final do evento, a presidente do InovCluster e vereadora da Câmara Municipal de Castelo Branco, Cláudia Domingues Soares, acentuou que os clusters têm desenvolvido um importante papel na consciencialização e vigilância das empresas para a competitividade e internacionalização, salientando algumas mudanças que já estão a acontecer na diferenciação dos produtos, como, por exemplo, nas embalagens inteligentes e na digitalização de processos. Paralelamente, destacou o papel que a Câmara Municipal de Castelo Branco tem tido na dinamização local de espaços propícios ao desenvolvimento, apoio e crescimento de produtores e empresas da região.


Nesta última parte do evento, Victor Ferreira, presidente do Cluster Habitat Sustentável e membro da coordenação da Parceria Portugal Clusters, respondeu a algumas das questões relevantes colocadas pelo público e salientou que uma das formas geradoras de competitividade acrescida nos mercados globais passa pela colaboração entre os diversos Clusters, suas empresas e centros de investigação e desenvolvimento, face aos desafios que as suas cadeias de valor enfrentam nesta era de transformação digital, o mote do evento.

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