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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Não tenhamos uma dúvida que o mundo será completamente diferente depois desta pandemia, já assim aconteceu com o 11 de Setembro. Mas desta vez as mudanças serão em beneficio próprio das pessoas e da sua qualidade de vida, porque o mundo e a nossa profissão vai ter que “parar” um bocado, vai ter que descansar um pouco e viver a uma velocidade mais adequada, onde as pessoas darão mais importância e prioridade ao que lhes é mesmo relevante.

Estávamos todos a viver a um ritmo esquizofrénico onde nenhum de nós parava para pensar no que é realmente essencial. Velocidade desenfreada na nossa vida, no nosso trabalho, nas nossas viagens, no nosso dia-a-dia, nos deadlines que nos eram impostos, e como se não bastasse, naqueles que impomos e exigimos a nós mesmos.

 

Se fizermos um paralelismo com o mundo da publicidade e da comunicação eu acho que acontecerá o mesmo, aliás já estava timidamente a acontecer. E este vírus vai fazer com que essa mudança aconteça mais rapidamente.

 

As marcas, as agências e todos os agentes deste mercado já estavam a começar a parar um pouco para pensar qual era o seu propósito e o que podiam fazer de relevante para as pessoas. Esta pandemia só vai acelerar este processo, o que será positivo. Vamos deixar (espero eu) de trabalhar a uma velocidade desenfreada, vamos deixar de viver só para bater os históricos do mês/ano anterior, vamos deixar de trabalhar com deadlines alucinantes e respostas mais rápidas que as próprias perguntas. Vamos de uma vez por todas trabalhar com pés e cabeça, com o tempo adequado, à procura de respostas para as pessoas e para os nossos negócios. Vamos cada vez mais focar-nos no propósito do nosso negócio e no essencial.

 

Por necessidade física e ecológica este processo já estava a decorrer mas não desta forma tão abrupta, provavelmente seria um processo moroso. E como em todo o tipo de ‘crises’ existem sempre oportunidades para melhorarmos como pessoas e como profissionais. Neste não será diferente. Mas, todo este processo (aliás, como a solução desta pandemia) depende de nós, de todos nós juntos a trabalhamos com o mesmo objectivo.

 

Agora é tempo de isolamento social, o que é na minha opinião uma grande oportunidade para parar, analisar e definir a estratégia futura, para que quando voltamos à nossa vida (que já não será a mesma) voltarmos com mais discernimento, e aí sim será tempo de nos unirmos todos nos nossos objectivos, e no que realmente é importante na nossa vida, na vida das nossas empresas, na vida das marcas que trabalhamos e das quais fazemos parte.

 

A mudança mete sempre medo porque é sempre uma incerteza, mas esta mudança além de necessária é a nossa única hipótese. É a única hipótese das agências em Portugal estarem ao nível das melhores agências lá de fora, é a única hipótese das produtoras portuguesas serem tão boas com as melhores do mundo, etc.

 

Como costuma dizer o meu sócio Tomás Froes “se temos o melhor jogador do mundo, se temos o melhor treinador do mundo, se a nossa selecção é campeã europeia, etc, porque não havemos de ser os melhores do mundo em tudo?”

 

A verdade é que podemos ser e não há desculpa para não o sermos. Se quisermos, o DC será melhor que o AC.

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