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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O sócio-gerente da Mad.Intax diz que a posição de Bruxelas sobre a Zona Franca é "ridícula. Tece críticas também aos políticos portugueses que acham que é melhor receber subsídios do que gerar riqueza via negócios.

A Mad.Intax foi criada em dezembro de 2013 com o objetivo de alterar a forma como se trabalhava, passando de um modelo cobrado por horas para um assente em preço fixo para ajudar as empresas a planearem melhor as suas despesas. Neste espaço de tempo conseguiu ser PME líder em 2017 e 2018 e PME excelência em 2018.


O Centro Internacional de Negócios (CINM) constitui 60% do negócio da empresa, onde representa 112 empresas que possuem cerca de 245 postos de trabalho a tempo inteiro, sendo que 112 postos são na Madeira.


A empresa dedica-se a áreas relacionadas com a contabilidade, recursos humanos, a ajudar clientes a montar as suas empresas e a assistir clientes na manutenção e constituição de empresas na Zona Franca da Madeira (ZFM).


"Apostamos não num modelo de faturação assente no tempo/hora, mas em termos patamares definidos de custos para a grande maioria dos nossos serviços. Isso permite ao cliente saber quanto vai gastar exatamente na manutenção da sua estrutura. Esta talvez tenha sido a base do nosso sucesso", diz Nuno Coelho, sócio-gerente da Mad.Intax.


O gestor defende que existe uma grande falha no mercado em termos de formação em compliance e que é necessária colmatar.


"Existiram uma série de exigências introduzidas pela União Europeia (UE) e por Portugal. As obrigações surgem mas o know-how e a passagem desse know-how aos profissionais quase que não existem", alerta. Nuno Coelho explica que a empresa adquiriu um software da Thomson Reuters para investigar os tipos de atividades das várias empresas, para verificar se sobre estas pende algum tipo de investigação.

"Queremos evitar ficar ligados a determinadas situações", sublinha.

O sócio-gerente da Mad.Intax diz que nesta área do compliance a empresa vai aprendendo com as diretivas e também vê como o mercado se posiciona" face às diretivas.

"Vamos criando o nosso próprio mecanismo interno de controlo", acrescenta. "E muito fácil criar obrigações. O Estado tem de perceber que tem de criar os mecanismos para que essas obrigações possam ser cumpridas", sublinha Nuno Coelho.
Impacto indireto


A Zona Franca é o "único instrumento" que a Madeira tem para diversificar a economia e poder crescer, apesar da importância do turismo, e que a praça financeira "é se calhar uma das nossas maiores fontes" de rendimento, diz. "Mais que o impacto direto é o indireto que quase ninguém fala. As empresas que representamos têm mais de 12 milhões de euros em imóveis na Madeira. Esses clientes compram carros, têm as suas famílias na Madeira, vão a restaurantes, viajam. E todo um setor e uma dinâmica externa e secundária que ninguém olha. O impacto indirecto da Zona Franca é brutal", explica. Tendo isso em conta, Nuno Coelho diz que lhe "choca um pouco" as conclusões da União Europeia sobre a Zona Franca.


"Estão a analisar o período 2007-2013 onde tivemos um período de crise mundial. A União Europeia realizou um estudo, abrangendo 2008 e 2014, onde conclui que as PME são a base da economia na UE, que mais de 80% das PME em países como a Alemanha, França, Reino Unido, Bélgica, o Luxemburgo, só criavam o primeiro posto de trabalho no quinto ano", refere o responsável pela Mad.Intax.


"A União Europeia vem à Madeira, uma Região Ultraperiférica (RUP), analisar o mesmo período sabendo que a grande maioria das empresas em países em economias ultradesenvolvidas não criam o primeiro posto de trabalho até ao quinto ano. Exigem à Madeira, uma zona ultraperiférica (RUP), em zona de risco, numa economia constrangida e limitada, e dão-nos seis meses para criar o primeiro posto de trabalho quando em economias mais desenvolvidas só se cria esse posto de trabalho no quinto ano", afirma.


"Em países, como a Alemanha e França, o Estado incentivou as empresas a contratar em part-time e chegou a pagar 50% do ordenado. A União Europeia acha que Portugal distorceu a concorrência nesse período por permitir que empresas contratassem em part-time, distorcendo a concorrência no mercado europeu. Falta noção de uma visão global à UE", diz Nuno Coelho. "Isto é ridículo", acrescenta.


Adianta que "cá dentro estamos a dar tiros nos pés", enquanto que em países como Malta e Chipre se luta pelas praças financeiras, e que o Luxemburgo e a Suíça vêm à Madeira para levar empresas para lá.


Dependência de subsídios


O sócio-gerente refere que a UE tem um "mau feedback" da Zona Franca, que é dado por certos eurodeputados, como Ana Gomes, que "passa uma parte do seu tempo a atacar" a Zona Franca.


"Se nós atacamos, se calhar passa a ideia que o CINM não nos interessa. A UE colocou pressão sobre Malta e Chipre e eles defenderam as suas praças financeiras", sublinha.


"Se calhar, a Zona Franca é a única forma de nos livrarmos da subsidiodepedência. Há uma mentalidade péssima dos nossos políticos, que continuam a achar de que é melhor receber um subsídio do que ter a capacidade de gerar riqueza.

 

Felizmente, parece-me que não é toda a classe política. Mas ainda ouvimos muito o género de comentários de que a Madeira perdeu a possibilidade de chegar a não sei quantos milhões de benefícios e subsídios porque a Zona Franca empolou o Produto Interno Bruto per capita na Madeira. Eu acho que isso é excelente. Eu não gosto, nem gostaria de viver numa ilha que vive de subsídios", afirma.


Nuno Coelho faz questão de ser claro num ponto. "Se a ZFM acabar, eu não tenho a mínima dúvida que a Europa e Portugal terão que apoiar muito mais a Madeira", afirma. "Não vamos viver do turismo, e da nossa produção de vinho e de banana interna. Vão ter que aumentar exponencialmente os apoios. Eu prefiro pensar que sou capaz de ajudar e criar riqueza interna do que estar dependente de subsídios externos", reforça o sócio-gerente da Mad.Intax.


"Estamos num momento crucial em que podem acontecer duas coisas. Ou a UE se apercebe que isto é um exagero ou vai optar por não continuar com a ZFM. E isso preocupa-me. Se optarem por não continuar direta e indiretamente tenho conhecimento de que pelo menos quase 300 famílias ficam sem trabalho. E isto faz mossa", alerta.


Quanto aos planos da Mad.Intax, Nuno Coelho diz que vão depender da ZFM. "Se continuar, nós vamos crescer", salienta.
"Temos crescido muito, de maneira ponderada, mas a um ritmo que diria fora do normal no sentido positivo. Tentamos estar preparados para qualquer circunstância", diz.


"Temos apostado mais no local, mas o mercado local é limitado. Decidimos internamente não estar demasiado expostos à Zona Franca devido à instabilidade que se criou à sua volta. E quanto mais pessoas eu tenho, mais preocupado eu fico. Daí, estarmos a apostar noutras áreas do mercado local", conclui.

A Mad.intax dedica-se a áreas relacionadas com a contabilidade, recursos humanos, a ajudar clientes a montar as suas empresas e a assistir clientes na manutenção e constituição de empresas na Zona Franca da Madeira.

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