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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Neste momento, não podemos afirmar que a indústria da energia é totalmente digital. Mas os tempos estão a mudar. Mais automação e inteligência podem gerar ganhos de eficiência significativos, defende Lisa Davis neste artigo de opinião.

Nos dias que correm, a produção de energia enfrenta um cenário de megatendências que afeta o mundo todo. Temos as alterações demográficas, com a população global, em 2050, a passar dos atuais 7,3 para os 9,7 mil milhões de pessoas. Estamos também a enfrentar alterações climatéricas, com a atmosfera do nosso planeta a registar, em 2017, a maior concentração de dióxido de carbono em 800 mil anos. Dominar estes desafios, para além de ser uma enorme preocupação política, exige ainda uma abordagem tecnológica. Que tecnologias vão moldar o futuro sistema energético descarbonizado? Para já sabemos que a digitalização e a integração serão elementos vitais de todas estas tecnologias.

 

Neste momento, não podemos afirmar que a indústria da energia é totalmente digital. Mas os tempos estão a mudar. Mais automação e inteligência podem gerar ganhos de eficiência significativos e maior segurança em todas as etapas da cadeia de valor. Ao recolher dados e ao analisá-los, podemos transformar grandes quantidades de informações em decisões operacionais mais informadas, e podemos fazê-lo mais rapidamente.

 

As tecnologias digitais disponibilizam um nível de inteligência cada vez maior para todos os tipos de fornecedores de energia, para os consumidores e, especialmente, para a rede elétrica. Criam novas oportunidades para interligar os diversos elementos do panorama energético, mesmo entre setores, e para otimizar as vantagens de cada um deles.

 

Power-to-mobility, o conceito que alavanca as capacidades de armazenamento do sector da mobilidade eléctrica, é apenas outro exemplo  das áreas que estão a mudar as regras do jogo. Os setores industriais e da construção também oferecem importantes oportunidades para mudar a alocação de energia, mediante uma melhor integração dos níveis de procura e da capacidade de armazenamento de calor, frio e de produtos químicos.

 

Considerando o objetivo de longo prazo de descarbonizar o setor da energia e de  criar um novo mix energético, a tecnologia de hidrogénio, juntamente com os biocombustíveis, está a emergir como alternativa sustentável ao petróleo e gás. As tecnologias de conversão e de armazenamento acabam por ser indispensáveis, uma vez que os sistemas de energia totalmente baseados em energias renováveis enfrentam o enorme desafio de ter de equilibrar constantemente a procura e a oferta.

 

O hidrogénio é frequentemente referido como o "combustível do futuro", porque tanto a sua produção a partir de fontes renováveis como o seu consumo são sustentáveis. Nesta área, a Siemens está a construir uma instalação de hidrogénio verde, alimentada por energia solar, no parque Mohammed Bin Rashid Al Maktoum operado pela Dewa. Trata-se de uma central elétrica dedicada à produção e ao armazenamento de hidrogénio, que funciona com energia renovável obtida do maior parque solar do mundo. Uma inovação concreta, verdadeiramente revolucionária.

 

O desenvolvimento destes novos conceitos tecnológicos está a dar-se a uma velocidade sem precedentes e está a transformar indústrias inteiras. Mais ainda, está a acelerar as mudanças que são necessárias para um futuro mais sustentável e mais limpo.

 

A fim de permitir a participação construtiva de povos e sociedades e de evitar que sejam ultrapassados por essa transição, empresas e governos devem definir um quadro estável para a inovação e geri-lo de forma responsável. O diálogo e a colaboração são essenciais para superarmos os desafios e tirarmos partido das oportunidades dos sistemas energéticos atuais e futuros.

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