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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A startup portuguesa Bluegrowth está a preparar a abertura de dois centros de excelência e de investigação em robótica submarina nos Açores e em Almada.

A empresa, com sede no meio do Oceano Atlântico, vai investir 1,5 milhões de euros com o apoio de outras entidades portuguesas, francesas e norueguesas. "O desenvolvimento das atividades económicas ligadas ao mar estará sempre dependente dos avanços da indústria na robo- tização dos seus processos.

 

Para tal, será necessário criar condições para formar as pessoas para manter e reparar equipamentos", disse o cofundador Hugo Metelo Diogo ao Jornal Económico (JE).


O projeto está dividido em três fases, sendo que a primeira consiste um centro de formação indoor e uma unidade de manutenção de equipamentos, a ser inaugurado ainda no final do primeiro semestre de 2019 no polo de ciência e tecnologia Madan Parque. A segunda, ainda em negociação, será destinada à inovação de produto e formação avançada para indústria e deverá instalar-se num local com acesso ao plano de água, "algures a sul do Tejo". Já a terceira é um centro de treino oceânico nos Açores, a região "que reúne condições ímpares para este tipo de operações", segundo os fundadores da Bluegrowth.


A empresa açoriana presta serviços e desenvolve produtos como robótica para inspeções subaquáticas ou consultoria sobre economia do mar. A garantia de qualidade de vida, os incentivos fiscais e a qualidade dos recursos humanos fizeram com que a dupla de empreendedores Cláudia e Hugo apostassem nos "salpicos no meio do Atlântico", como descrevem o arquipélago.
"Diz-se na gíria que «Quem anda no mar, aprende a rezar».

 

A Bluegrowth é o produto de várias tentativas e erros em fazer acontecer negócios inovadores no contexto da economia do mar. A ideia surgiu quando decidimos investir numa produção aquícola. O processo inicial, de desenvolvimento de produto e de aproximação ao mercado, foi bastante sinuoso e rapidamente percebemos que a sustentabilidade da operação teria de ir para além da oferta para o setor aquícola", explicou Hugo Metelo Diogo. Apesar de a Bluegrowth ter começado por ser uma empresa de aquacultura, neste momento é a área de prestação de serviços offshore que representa a maior percentagem do volume de negócios. "Será expectável que entre 2020 e 2021 a de produto ligado à gestão da qualidade de água venha a representar 60% do nosso volume de negócios, dos quais 40% formulados junto do setor aquícola", antecipa a CEO, Custódia Rebocho. Os empresários dos Açores aplaudem o "grande investimento" que o Governo Regional tem feito em criar uma rede de incubadoras e parques de ciência e tecnologia. "[As incubadoras] estão verdadeiramente empenhadas em fazer acontecer, e isso faz com que o ecossistema de empreendedoris- mo dos Açores esteja cheio de sangue na guelra", explica Custódia Rebocho. A dupla pretende, a longo prazo, ter um espaço físico na antiga Base das Lajes, no âmbito da Terceira Tech Island. "Será uma realidade quando estiverem reunidas as condições para tal. Para já, aguardamos que se reúnam condições para fixarmos a empresa nas instalações do Terinov", refere a CEO.


A Bluegrowth foi criada há cerca de dois anos com 500 mil euros de capitais próprios e recebeu, mais tarde, investimentos do Fundo Azul (400 mil euros) e do Mar 2020 (300 mil euros). No ano passado, esteves prestes a afundar quando um dos seus maiores clientes naufragou, tornando o início de 2018 "dramático". A empresa conseguiu vir ao de cima entre setembro e dezembro - o que a diretora-executi- va caracterizou como "recuperação absolutamente prodigiosa" - e encerrou o ano com quase 20 mil euros de lucros, prevendo agora lucrar um milhão de euros no fim de 2019. A apoiar estiveram as exportações para Noruega, França, Itália e Estados Unidos. "Estamos muito focados na internacionalização. Podemos crescer muito na Noruega e alavancar muitas oportunidades cooperando com organizações norueguesas. Por exemplo, os mercados da lusofonia poderão vir a ser fortemente expandidos a partir desses laços", defende Cláudia Rebocho. Em 2020 a startup quer iniciar negociações para uma futura ronda de investimento na ordem de um milhão e meio de euros de forma a continuar a apostar nos domínios da robótica submarina.


Ainda assim, para os primeiros passos, a Bluegrowth contou com o apoio da StartUp Angra, onde foi incubada. O diretor executivo desta incubadora da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo assegura que o ecossistema cresce "hoje mais do que nunca" na região, com "infraestruturas e equipas de gestão capazes de fazer o acompanhamento e desenvolvimento de negócios e investigação". "Os empreendedores devem é ter em conta os custos de contexto associados ao facto de estarem a operar numa zona ultraperiférica e dessa forma adaptarem os seus investimentos e modelos de negócio", aconselha Fábio Santos ao JE. Entre as ilhas Terceira, Pico, São Jorge, Benavente e zona de Lisboa e Óbidos, StartUp Angra já apoiou cerca de 50 projetos e startups, que, geralmente, criaram entre dois a oito empregos.

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