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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Carvalho Neto, presidente da AJEPC, em entrevista ao JE, diz que a AICEP deve ser um guarda-chuva das associações portuguesas, para que estas trabalhem como uma só e não para as suas 'quintinhas'.

"Em Portugal, a estratégia para um país como a China ainda não é suficiente para aquilo que é o potencial existente". A afirmação é de Alberto Carvalho Neto, presidente da Associação de Jovens Empresários Portugal-China (AJEPC). Em entrevista ao Jornal Económico, à margem da 24a edição da Feira Internacional de Macau, o empresário assume que "há espaço e vontade para aprofundar a relação", entre os dois países, mas "que deve haver um reforço a nível nacional da capacidade e do entendimento das associações, que continua a não haver".


O líder da AJEPC salienta que "em Portugal não estamos a dar o valor certo às associações também como um pilar da economia". Questionado sobre como esse esforço pode ser feito, Alberto Carvalho Neto, afirma que deve ser feito em dois sentidos: "a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) deve liderar as delegações internacionais, sendo um 'chapéu de chuva' de todos nós e fazer com que as associações deixem de pensar em 'quintinhas', para pensarem realmente numa união nacional da promoção de Portugal", dando o exemplo da MIF 2019, onde estão presentes "muitas associações que deixaram de pensar se são maiores ou mais pequenas e já começam a pensar que temos de trabalhar todos em conjunto", acrescentando que "ainda há um trabalho muito grande a ser feito no associativismo em Portugal, porque continuamos às vezes a não deixar de trabalhar porque temos um histórico e um passado pessoal, que deve ser hoje em dia posto de lado pela promoção nacional".


Alberto Neto acredita que "um dos objetivos do AICEP é permitir que as associações possam trabalhar em conjunto, independentemente de terem ou não financiamento ou projetos internacionais, mas deve haver uma relação entre as associações de trabalho de equipa, com uma liderança do AICEP neste entendimento".


O líder da AJEPC frisa que continua a existir muita desorganização entre as associações. "Não há um calendário, e uma estratégia que deve vir em acordo de uma estratégia nacional, que tem de ser coordenada pelo Estado", afirma.


Brexit pode ajudar Portugal a atrair investimento chinês


Alberto Neto defende ainda que a China tem uma forma "muito curiosa" de olhar para a Europa e que "não vê que fique enfraquecida com o Brexit", realçando que Portugal tem, neste contexto, de ser promovido como uma solução. "Estamos a assistir a uma saída de Londres por parte de algumas grandes empresas que estão à procura de opções e Lisboa poderá ser essa opção nos mercados financeiros e em todo o potencial que existe", explica o presidente da AJEPC. Para este responsável, é necessário "olhar para a estratégia do Atlântico e deixar de ser uma teoria e passar a ser a prática". Alberto Neto realça que Portugal tem uma "fantástica" capacidade transatlântica com a União Europeia e que falta ao país "passar da teoria aos factos", o que começa logo, diz, pela relação com a Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP).

"Discutimos muito, mas não temos ainda mobilidade. Portugal poderá ser uma porta de entrada para as empresas chinesas quer para Africa quer para a América Latina", defende o líder da AJEPC. E alerta: "Mas temos de mostra-nos como solução. A maior parte dos governos só estão preocupados com as exportações e captação de investimento. E perdemos o nosso potencial que é a triangulação de serviços". Alberto Neto refere, por isso, que Portugal tem de começar a mostrar os projetos que tem, inclusive o do Porto de Sines que, conclui, "são projetos de inclusão e de solução". A este respeito, sugere que Portugal esteja incluído no programa Nova Rota da Seda.


Além do vinho, azeite e sapatos existem outros produtos que estão a ser bem acolhidos no mercado chinês. Segundo o presidente da AJEPC, a nível da exportação direta, existe já "um mercado muito crescente nas conservas". Há ainda "um grande potencial "no setor dos fumados e carnes, onde, diz este responsável, "ainda não está traduzido em números reais", porque houve um processo que demorou "muito tempo", tendo em conta que, explica, a maior parte das exportações de fumados e carnes têm sido para o mercado tradicional macaense. "Temos de evoluir, hoje este setor tem de dar o salto para as grandes cadeias hoteleiras", defende, acrescentando que os têxteis são outros dos produtos bem acolhidos em Macau. Segundo o presidente da AJEPC, "muitas indústrias entenderam que Macau com 33 milhões de visitantes anuais é um mercado para a indústria têxtil portuguesa tanto a nível de fardas, como roupa de cama, cortinados, etc". E começa também a existir uma intensificação dos produtos de moda, como a cortiça.

MAIS DE 200 EMPRESAS NACIONAIS EM MACAU


A 24 edição da Feira Internacional de Macau (MIF) arrancou esta quinta-feira com a presença de 205 empresas portuguesas. O evento deste ano, subordinado ao tema "Cooperação - Chave para oportunidades de negócio", decorre entre os dias 17 e 20 de outubro, no Venetian Resort Hotel, ocupando uma área de cerca de 24 mil metros quadrados composta por 1.500 expositores. Na cerimónia de abertura, Leong Vai Tac, secretário para a Economia e Finanças da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), disse que o território deve desempenhar um papel central na aproximação à lusofonia e que o plano da Greater Bay Area (região do Delta do Rio das Pérolas, onde Macau está inserida).

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