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CABEÇALHO

O plano para descontamização dos terrenos da Matinha vai consistir em quatro fases. A primeira, que deverá arrancar já em agosto, vai contar com um investimento de mais de 3 milhões de euros. “Se chegarmos à conclusão de que poderá ser necessário descontaminar mais solos esse valor poderá aumentar”, admitiu o COO.

Os terrenos da Matinha, na freguesia de Marvila, em Lisboa vão ser alvo de uma ação de descontaminação antes da obra que vai dar uma nova vida aos aproximadamente 20 hectares, com um total de 260 mil metros quadrados (m2), adquiridos em junho do ano passado pela VIC Properties.

 

Questionado pelo Jornal Económico sobre qual será o valor deste processo de limpeza dos solos, o Chief Operating Officer (COO) da imobiliária revelou que a primeira fase de descontaminação vai valer 3.200 milhões de euros, um valor que representa um uma parte “muito reduzida do plano”.

 

“Se chegarmos à conclusão de que poderá ser necessário descontaminar mais solos esse valor poderá aumentar”, esclareceu Luís Gamboa durante o webinar de apresentação do plano, esta quinta-feira.

 

Este plano consistirá em quatro fases e terá a duração de cerca de sete meses, sendo que a VIC atuará juntamente com o consórcio EGEO Pragosa, uma entidade que atua no mercado de resíduos industriais. A primeira será a escavação de 10 zonas, seguindo-lhe o depósito temporário para ser feita a amostragem e análise que determinam a perigosidade do solo escavado. Depois, segue-se a verificação de admissibilidade em aterro e por fim a carga e envio para o destino final. A primeira fase da obra deverá arrancar já em agosto e será prolongada até fevereiro 2021.

 

“A contaminação é diferenciada, complexa e reflete uma utilização extensa e intensa em termos industrias ao longo de cinco décadas e que levaram a que o terreno ficasse com as características de um brown field, ou seja, um terreno incapaz de se regenerar por si próprio, sendo necessária a intervenção humana”, explicou Carlos Costa da consultora ambiental eGiamb que realizou um estudo sobre as condições do terreno.

 

Para a VIC Properties, que assegura que serão tomadas todas as medidas de segurança necessárias, não só para os profissionais que estarão a atuar no terreno, mas também para os residentes, a descontaminação do território foi sempre uma “prioridade”. “O que era uma ameaça tornou-se numa oportunidade para a VIC investir. Pegar num pedaço da cidade e torná-lo num espaço para viver e usufruir”, assume Gamboa.

 

Questionado sobre se a descontamização se traduz num risco para os residentes da Matinha, Carlos Costa afirma que o maior risco é deixar que os resíduos contaminados fiquem lá. “Nenhuma obra desta dimensão é absolutamente inócua. Existe sempre algum risco inerente, em particular para os trabalhadores. Temos que garantir o risco a níveis toleráveis, quer a nível dos solos, do ar e da água, o que muitas vezes não acontece”.

 

A Matinha será um dos maiores projetos imobiliários em Portugal, estando prevista a construção de duas mil novas habitações, assim como de diversas infraestruturas dedicadas ao lazer e aos serviços, que vão transformar esta parte da cidade numa zona de excelência para residir, trabalhar ou, simplesmente, visitar. Tal como no Prata Riverside Village, projeto já em curso e da responsabilidade da VIC Properties, o objetivo é criar um espaço integrado dedicado exclusivamente às pessoas e à sua qualidade de vida.

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