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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O petróleo já rendeu ao Estado angolano tanto em cinco meses de 2018 como durante todo o ano de 2016.

A consultora Control Risks fez as contas e anunciou que Angola está a diminuir o risco e a aumentar a perspetiva de recompensa para os investidores internacionais desde que o novo Presidente, João Lourenço, chegou ao poder, em setembro de 2017.

 

“Desde que tomou posse, João Lourenço agiu com notável rapidez e empenho para consolidar a sua autoridade” e “mais de 100 pessoas foram removidas dos postos”, escrevem os analistas. O relatório dá conta de uma melhoria da perspetiva de recompensa para os investidores, que passou de 3,7 para 4,8 pontos de 2017 para 2018, ao passo que o nível de risco diminuiu de 6,8 para 6,2 pontos no mesmo período.

 

A Control Risks recorda que vários “contratos estatais e acordos detidos por companhias ligadas à família dos Santos também foram cancelados” e admite que “mesmo que estes esforços sejam motivados politicamente, também ofereceram novas oportunidades de investimento estrangeiro em setores que antes eram dominados pelo antigo Presidente e pela sua família”.

 

João Lourenço, alertam os analistas, “vai ter dificuldade em implementar todas as reformas propostas”, já que “à medida que a necessária consolidação orçamental e a desvalorização da moeda vão começar a ter um impacto no custo de vida, o mandato popular que alicerça as suas ações vai começar a enfraquecer”.

 

A consultora acrescenta que as principais figuras do MPLA “vão oferecer resistência” na passagem dos negócios do mundo político para o mundo mais empresarial”. Mas, para já, “Angola está cada vez mais atrativa como destino de investimento”.

 

A subida dos preços do petróleo, este ano, vai levar as exportações a subirem 48,8% para 41,6 mil milhões de dólares, o que “melhora a perspetiva geral da economia angolana”, prevê a Control Risks, salientando também que a decisão de deixar o kwanza flutuar face ao dólar e a descida da inflação são desenvolvimentos internos positivos, que deverão ajudar a que o PIB cresça 2,1% este ano e 2,8% em 2019 e 2020, quando no ano passado ficou-se pelos 0,7%.

 

Do lado dos empresários portugueses, após algumas conversas que tive com economistas e alguns exportadores, há a registar a vontade de voltar a fazer mais negócios com Angola. Os exportadores nacionais começam a estar menos receosos, nomeadamente devido à falta de recebimentos que marcou os últimos anos, e estão dispostos a acreditar que a situação tenderá a melhorar. Além disso, perante as inúmeras incertezas políticas e económicas na Europa e nos Estados Unidos da América, os empresários tendem a encontrar, de novo, em Angola um parceiro e um destino para as suas vendas.

 

Noutras conversas recentes que tive com investidores angolanos, anotei a forma como hoje se começa a respirar de alívio neste país irmão.

 

Do lado dos angolanos, regista-se uma maior confiança no futuro ou o sentimento de se ter encontrado um rumo para o país. No entanto, sublinho o que me disse um desses decisores: “a cotação do petróleo assim já está bem, mas, se o petróleo subir muito, podemos voltar a cometer os mesmos erros”.

 

Em conclusão, há um ponto de equilíbrio que é preciso encontrar no losango composto pelo valor do barril de petróleo, a aprendizagem que se retira dos erros do passado, a diversificação da economia e a governance. Não há margem para desperdiçar o capital da esperança.

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