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CABEÇALHO

Surfistas e criativos, Tobias Ilsanker e Philip Zylla conheceram-se em 2015. Ao ver o trabalho do fotógrafo e cineasta autodidata, o produtor desafiou-o a fazer um documentário que conta a história de 12 portugueses. Estreia em julho.

Veio a Portugal, pela primeira vez, de férias com amigos. Três semanas depois de um périplo de carro que o levou a diferentes zonas do país, Tobias Ilsanker estava rendido. "Comecei a fazer amizades e, depois, voltava sempre nas minhas férias. Há cerca de 10 anos que venho cá", confessa o alemão, natural de Munique. Fotógrafo e cineasta autodidata, apaixonou-se pelo país, pelo estilo de vida e pelas pessoas com quem se foi cruzando.

 

"Comecei a fotografá-las para as conhecer melhor e para as poder mostrar aos outros", confidenciou em entrevista ao Modern Life. Em setembro de 2015, depois de surfar numa das muitas praias portuguesas que frequenta regularmente, conheceu Philip Zylla, outro alemão residente em Munique, também ele encantado com as belezas e com as gentes do nosso país. "Ele gostou de uma fotografia minha e comprou-ma", revela.

 

À medida que se foram conhecendo, descobriram que tinham uma intenção comum, a desenvolver um documentário que mostrasse "o povo, o campo e a costa portuguesa de forma cativante", como refere o comunicado de imprensa que elaboraram para atrair atenções para o projeto documental, também com o objetivo de estabelecer parcerias que o permitissem concretizar. "Aconteceu tudo muito naturalmente", sublinha Tobias Ilsanker.

 

O (outro) Portugal que os alemães querem mostrar

 

"Movimento - Vidas criativas" é o nome do documentário. Com data de estreia prevista para julho, mostra a vida de 12 portugueses oriundos de outras tantas localidades do país. "Saímos das regiões mais turísticas, tentando mostrar um Portugal mais versátil. Temos pessoas da região do Tua, de Castro Marim, dos Açores... Há uma pessoa que vive num barco. É bastante representativo", assegura o cineasta alemão.

 

"Mas não é um documentário sobre monumentos. É sobre pessoas!", faz questão de frisar. "As que acabámos por selecionar são amigos de amigos, o que também é uma coisa muito portuguesa. Há sempre alguém que conhece alguém e isso é lindo. A nossa ideia é confrontar as pessoas com questões e com escolhas que são muito pessoais", afirma Tobias Ilsanker, num português praticamente sem sotaque alemão.

 

No último ano e meio, para registar as diferentes fases das vidas dos diferentes protagonistas, percorreu mais de 30.000 quilómetros de norte a sul na companhia de outros elementos da equipa. "Ainda estamos a filmar as últimas partes de uns mas já temos a edição de partes de outros numa fase muito adiantada", revela o cineasta. O trailer do documentário, que pode ver nas imagens abaixo, já está disponível no site do projeto.

 

Francisco Cipriano, o modelo clássico português que já desfilou na ModaLisboa e que já participou em campanhas promocionais de várias marcas, nacionais e internacionais, autor do "Portugal Surf Guide", é o narrador do documentário, além de assumir o papel de anfitrião nas gravações. "Conheci-o há cerca de cinco anos. Ele estava a trabalhar num livro, um guia de surfe", recorda Tobias Ilsanker.

 

O holandês Richard de Wit, também ele surfista, é o consultor da história. "Este projeto é também um reflexo sobre a minha vida. Em Munique, há uma série de regras pré-definidas. Tens de fazer isto e aquilo... Aqui, tenho outra liberdade", admite o cineasta. "Gosto muito da simplicidade de Portugal e dos portugueses. São pessoas que nos recebem de coração aberto. Tenho cá belas amizades", assume.

 

O esforço financeiro que o projeto exige

 

As marcas Mini e DJI são as cofinanciadoras do projeto do movimento, que também conta com o apoio da The North Face. "Nos dias de hoje, nunca é fácil conseguir dinheiro. Tivemos que enviar muitos e-mails e fazer muitas reuniões. Andarmos um ano a viajar com quatro pessoas [para recolher imagens] foi um desafio. Temos vivido de uma forma muito económica. Em Portugal, é muito fácil", sublinha Tobias Ilsanker.

 

"Mas também é muito fácil gastar dinheiro aqui", afirma, entre risos. Depois da estreia do documentário, que foi gravado em inglês, a ideia é introduzi-lo no circuito dos festivais de cinema e da televisão para rentabilizar o investimento. "A internet será, depois, a evolução natural para nós", acredita. Os protagonistas, que avançaram sem medos, não temem a exposição pública que possam vir a ter depois da estreia.

 

"É o meu caminho, o meu plano e a minha história", afirma David Moreira, surfista e proprietário de um albergue em São Jorge. Pedro Lima, pioneiro do surfe em Portugal, é, a par de Leopoldo Faria, um alpinista profissional, outro dos participantes, assim como Jorge Raiado, produtor de sal em Castro Marim. José Ferreira, highliner e outdoor man de Sintra, também entra no documentário, tal como Eduardo Madeira, guia turístico.

 

Os surfistas Eurico Gonçalves e Eurico Gonçalves Júnior, mais conhecido como Romaguera, o designer e artista João Rei de São Miguel nos Açores, o marinheiro e artesão da Nazaré Alec Lammas e a produtora de vinho do Douro do Vale do Tua Ana Hespanhol são outros dos protagonistas do projeto dos alemães, tal como José Antunes de Óbidos, mais conhecido por Yoni, professor e modelador de pranchas de madeira.

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