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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O presente e o futuro das exportações nacionais estiveram em análise na passada quarta-feira, 18 de novembro, na 15a edição da conferência "Portugal Exportador", organizada pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), que teve o Jornal Económico como media partner.

Especialistas apontam resultados "dececionantes" nas exportações devido à pandemia, mas acreditam que o setor voltará à normalidade com a descoberta de uma vacina.

Fernando Quintas, gestor de mercado da AICEP Global, defendeu no painel que abriu este evento que 2021 trará o abrandamento da pandemia e, com este, a competitividade portuguesa tenderá a aumentar, recuperando a trajetória que experienciava antes da Covid- -19, podendo o setor "voltar à normalidade e ver a nossa competitividade aumentar". Sobre a resposta que os empresários têm dado face à pandemia, o responsável assumiu que estes "continuaram a mostrar meios e capacidade para batalhar, mesmo com a pandemia, o que provou que as cadeias de valor são, na realidade, mais resistentes do que se esperava".


Entre os oradores presentes esteve António Ramalho, presidente executivo do Novo Banco, que começou por recordar que em 2019 as exportações tinham um peso de cerca de 44% do produto interno bruto (PIB) português, alertando que face à pandemia, "os próximos anos serão anos de enorme desafio, porque o comércio internacional já em 2019 dava os primeiros indícios de estagnação, mas é a Covid-19 que vai deixar sequelas neste quadro de globalização", acrescentando que "manter um Portugal exportador já não é um desejo, mas um dever". O banqueiro defendeu também que "as exportações têm sido um dos elementos fundamentais para Portugal, consolidar uma economia aberta e exportadora".


Quem também marcou presença no arranque do evento foi Augusto Santos Silva, que classificou como "dececionantes" os resultados obtidos pelo setor exportador devido à pandemia, nomeadamente depois de um ano de 2019 em que as exportações representaram um elevado valor do PIB português. O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) apontou a necessidade de Portugal ser "muito firme na distinção entre o fenómeno de circunstância e de características estruturais da internacionalização da nossa economia". Os números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística mostraram um retrato de um setor exportador positivo em 2019, uma vez que "a base exportadora se alargou e a dependência diminuiu", frisou. Augusto Santos Silva explicou que houve e há uma transformação na estrutura da economia portuguesa do ponto de vista da internacionalização gradual, positiva e muito forte nos últimos anos, realçando que "a transformação na estrutura mostrou que a internacionalização se faz sentir em todas as suas dimensões".


Um dos pontos chave que poderá fazer o setor das exportações regressar ao normal é uma vacina contra a Covid-19. A eficácia das vacinas apresentadas pela Pfizer e Moderna durante a semana foram outro dos pontos debatidos na conferência, com Nuno Rangel a assumir que, do lado dos operadores privados do setor da logística em Portugal, até ao momento, "não existem condições para receber e transportar a temperaturas de 70 graus negativos".


O CEO da Rangel Logistics Solutions defendeu que o Governo terá de, numa primeira fase, anunciar "qual a vacina escolhida que vai ser distribuída em Portugal" e, perante essa decisão, "contactar os operadores de logística existentes para que se chegue a um consenso sobre quais as modernizações que terão de ser feitas nas frotas utilizadas para a distribuição e respeti- vo armazenamento".


Numa altura em que o online se tornou uma ferramenta de trabalho cada vez mais indispensável, a AICEP criou um programa denominado Exportar Online, que tem como objetivo "preparar as empresas para aproveitarem a oportunidade do comércio eletrónico", referiu João Dias, vogal executivo da entidade. O responsável adiantou que esta iniciativa surgiu para mitigar a falta de preparação para explorar o comércio digital de algumas empresas portuguesas.


Outra ideia defendida por João Dias foi o papel do e-commerce e de como poderá ser importante para as exportações das empresas portuguesas. "Já estava em ebulição e, a cada quatro ou cinco anos, duplicava. E estima-se que nos próximos anos se mantenha esta tendência de crescimento do comércio digital", citando um inquérito que concluiu que 49% dos in- ternautas mundiais responderam que vão comprar online mais frequentemente.


No entanto, com o online chegam também os perigos dos ataques informáticos. Uma temática que foi abordada por Pedro Rocha, gestor de vendas da empresa de seguros de crédito Coface. Para este responsável existem sobretudo três fraudes que têm vindo a ser mais reportadas e devem ser evitadas por parte dos empresários, quando pretendem internacionalizar as suas carreiras e negócios de exportação: compradores falsos, usurpação da identidade e ataque informático de phishing. "E fundamental conhecer o país para onde se pretende exportar e garantir que estão na posse dos instrumentos que os poderão ajudar a fazer essa transição para os mercados de exportação com a devida segurança", frisa.


O gestor aproveitou também para contextualizar o panorama económico europeu e mundial com as previsões dos analistas, segundo os quais o PIB da zona euro e dos Estados Unidos deverá manter-se 3,5 pontos e 3 pontos abaixo dos níveis de 2019, estimando-se que sejam necessários três anos para a produção regressar ao patamar pré-crise.


A eleição de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos e as consequências que isso pode trazer para as negociações com a Europa, foram abordadas nesta conferência por Frank Heemskerk, secretário- -geral da European Round Table for Industry. "Não podemos permitir que a Europa seja esmagada entre os Estados Unidos e a China, numa fase em que as relações internacionais se encontram em acelerada mudança com a nova administração na Casa Branca e o mega acordo comercial entre a China e mais de uma dezena de países do sudoeste asiático", sublinhou.


O responsável defende que a Europa tem de saber promover, e de algum modo dirigir, o novo diálogo que terá obrigatoriamente que abrir com a nova administração norte-americana liderada pelo de- mocratajoe Biden. Não numa postura "como se a Europa fosse o irmão mais novo dos Estados Unidos", mas como "parceiros iguais" que têm "objetivos comuns e interesses convergentes", concluiu.

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