NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Rui Couto, Presidente da Cãmara de Comércio e Indústria Portugal-Turquia, em entrevista ao PAÍS POSITIVO sobre as relações bilaterais entre os dois países.

Como e quando surge a Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Turquia?

A Câmara de Comércio e Indústria Portugal Turquia (CCIPT), viu a luz do dia em 2010, após o Cônsul Honorário de Portugal em Izmir, Sr. Fahri Gokyayla me ter desafiado e incentivado na sua criação. Após consultas com a Embaixada da Turquia, consumámos a sua criação. Desde a sua génese, a CCIPT, assume como finalidade a proximidade crescente entre os dois países, a todos os níveis, mas de forma independente, não se emiscuindo em questões de cariz político-partidário.

Quais são, atualmente, os serviços que colocam à disposição dos vossos associados?

São diversos os serviços que disponibilizamos aos nossos associados, mas de forma sucinta salientaria os seguintes: Um Centro de apoio empresarial com a domiciliação das empresas portuguesas na Turquia, conferindo-lhes todo o apoio legal e comercial; Apoio Administrativo e logístico alicerçado nos serviços usuais típicos das empresas, como seja o secretariado, contabilidade, traduções de documentos, serviços de intérprete, certificações e reconhecimentos de vária ordem, reservas de viagens e espaços para a organização de eventos; Programação de missões de carácter empresarial entre os dois países,tendo como finalidade o potenciar de negócios e parcerias, bem como a participação em feiras internacionais; Apoio comercial às empresas, quer nos contactos com as associações comerciais locais, organismos públicos e privados, quer ainda no apoio à internacionalização, detecção de oportunidades de negócio genéricas e por sector de actividade, bem como na divulgação das marcas portuguesas.

São 165 anos de relações diplomáticas entre Portugal e a Turquia. Hoje, como analisas as relações bilaterais entre os dois países?

As relações diplomáticas têm mantido nos últimos anos uma cordialidade e cooperação, como se comprova pelo encontro mantido em Março de 2018 pela III Sessão da Comissão Conjunta Económica e Comercial Portugal-Turquia, que contou com a participação do Ministro de Estado e Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva e do Ministro da Economia da República Turca, Nihat Zeybekci. Independentemente das vicissitudes das políticas internas de cada país, há uma consciência generalizada de que os negócios, não podem nem devem parar, num mundo cada vez mais global e interconexo.

A Turquia é, desde há muito, um destino turístico apetecível para os portugueses e as suas potencialidades são já conhecidas. Mas ao nível económico, a Turquia assume-se, também, como destino importante para as empresas portuguesas?

Há uma enorme potencialidade e muito a fazer nas relações comerciais com a Turquia, quer na vertente de negócios, quer no intercâmbio cultural, como na descoberta mútua da diversidade turística. A este propósito, a CCIPT estabeleceu uma parceria estratégica com a CCILA - Câmara de Comércio Luso Africana (www.ccila.eu), presidida por Vasco Cardoso, tendo como finalidade a pesquisa activa de joint ventures comerciais e de investimento entre empresas lusas e turcas, na detecção de oportunidades no Continente Africano.

Por outro lado, Portugal tem também capacidade para atrair pessoas e empresas turcas? Há vontade e oportunidades para que a Turquia se assuma como investidor em Portugal?

Certamente que sim! Portugal pelas razões conhecidas, bom clima, alto nível de segurança comparativamente com os congéneres europeus e mundiais, gastronomia reconhecida além-fronteiras, uma costa maravilhosa é um bom cartão-de-visita para todos aqueles que nos visitam. A nível empresarial, as nossa capacidades tecnológica e criativa, os diversos hubs e clusters de negócios, têm gerado um crescente interesse dos investidores, quer pelas condições objectivas do mercado português, com uma mão-de-obra cada vez mais capacitada, quer pelas ligações com o mundo lusófono, nomeadamente os países da CPLP, mas também os seus vizinhos, estendendo essa visão global para o continente africano, cujas potencialidades não podem nem devem ser menosprezadas. É reconhecida a capacidade empreendedora dos empresários portugueses e turcos, com as sinergias que advirão de trabalharem em conjunto permitirão investirem em iniciativas que de outro modo não seriam possíveis de se concretizar.

Uma das vossas principais missões é colocar em conversação empresários de ambos os países. Estas sessões de networking têm já dado frutos?

Em que áreas de atividade se nota maior potencial de investimento e crescimento? Nos últimos tempos o foco,até pelas solicitações que nos vão chegando, tem sido na internacionalização e nas parcerias comerciais junto ao mercado turco. Estas assumem a forma de missões empresariais e permanente contactos com as empresas turcas, quer no âmbito da importação, quer igualmente no fomento exportador de produtos e serviços nacionais junto a um mercado de mais de 80 milhões de habitantes. As áreas de atividade com potencial de crescimento, são as basicamente todas, o nível das trocas comerciais ainda é tão baixo que o crescimento do comércio irá desenvolver-se em exponencial


O futuro, ao nível económico, comercial e cultural, para ambos os países, apresenta-se promissor?

Será definitivamente promissor. Especialmente pela capacidade que temos em potenciar parcerias estratégicas entre as empresas portuguesas e turcas, promovendo simultanemante o investimento em países terceiros, com destaque para os países africanos, aproveitando uma visão de conjunto, que a nossa Câmara de Comércio estabeleceu com a Câmara de Comércio e Indústria Luso Africana, visando uma cooperação económica quantitativa e qualitativa assente numa visão global e abrangente, vem facilitar a proximidade e a colaboração empresarial de modo a gerar oportunidades de mercado, fomentar parcerias, alavancar as exportações, e permitir mais-valias, fornecendo informações e contactos que permitam às empresas nacionais e turcas um melhor conhecimento do mercado africano e das oportunidades que existam, regionais e ou particulares, em cada ciclo ou conjuntura.

Partilhar