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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A AFIA prevê que a quebra de faturação seja de cerca de 3.500 milhões de euros, entre os 12 milhões do volume de negócios do setor no ano passado e a perspetiva de apenas 8,5 mil milhões de euros de faturação para 2020.

A AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel estima que para a totalidade do ano de 2020 é projetada uma descida de 30% no volume de negócios, o que se traduz, numa diminuição de 3,5 mil milhões de euros face aos valores registados no ano passado.

 

“Assim para o ano de 2020 o volume de negócios ficará nos 8,5 mil milhões de euros, sendo que no ano passado o setor vendeu 12 mil milhões de euros”, destaca um comunicado da associação.

 

O mesmo documento sublinha que as primeiras projeções da AFIA indicam quebras abruptas na atividade de 50% neste mês de março, “mas em abril e maio a diminuição chegará aos 90%”.

 

“Só a partir de novembro a indústria portuguesa de componentes para o automóvel começará a recuperar, sem, contudo chegar aos números de 2019”, admite a AFIA.

 

“Face ao exposto, às necessidades específicas e à importância estratégica desta indústria, a AFIA solicita ao Governo que sejam tomadas medidas urgentes, flexíveis e eficazes que passam pela: criação de uma linha de crédito específica para as empresas deste sector (o que não foi considerado, surpreendentemente, na apresentação de ontem efetuada pelo Governo, sobre as medidas económicas); alteração do regime de ‘lay-off’, de modo a permitir o acesso imediato a este regime para as empresas que tenham tido uma quebra de faturação superior a 40% nos últimos trinta dias, mas medidos depois do final do período pedido para o ‘lay-off’ e comparando com a média mensal dos últimos dois meses anteriores a esse mesmo período, devendo, resultar claro deste regime a possibilidade de ‘lay-off’ parcial e, ainda, pela alteração do regime de férias de modo a permitir, desde já, a sua marcação”, reivindica a associação dos industriais de componentes automóveis.

 

De acordo com os responsáveis da AFIA, a criação destas medidas de proteção dos postos de trabalho permitirá “às empresas não só atenuar esta crise, mas também manter a sua competitividade, após este período, logo que se verifique a retoma gradual da economia”.

 

“As empresas estão disponíveis para dialogar com o Governo e encontrar modelos de desenvolvimento integrados, sob pena de redução drástica dos investimentos e encerramento de empresas ou unidades de produção, com consequências graves na economia e sociedade”, garante a AFIA.

 

Apesar da contração prevista do setor devido ao impacto do surto do coronavírus, a AFIA relata um aumento de 7,8% na exportação de componentes automóveis no passado mês de janeiro, ainda antes do grande impacto do vírus na Europa e em Portugal.

 

No entanto, “com o abrandamento da economia e redução da procura, as vendas de automóveis estão em queda acentuada”, assinala a associação, acrescentando que os grandes cortes na produção de automóveis, – na União Europeia as fábricas automóveis estão paradas -, obrigam os fornecedores a considerar mudanças drásticas”.

 

“Esta situação é um culminar de fortes pressões sobre as empresas em geral, e em particular para as portuguesas, caracterizada por uma redução de encomendas”, alerta a AFIA, insistindo que, “como consequência, perspetiva-se a curto prazo um severo impacto na atividade económica e das exportações de um dos sectores que mais contribui para a economia nacional: 6% do PIB, 8% do emprego da indústria transformadora e 16% das exportações nacionais de bens transacionáveis”.

 

A AFIA congrega e representa, nacional e internacionalmente, os fornecedores de componentes para a indústria automóvel, uma indústria que grega 240 empresas com sede ou laboração em Portugal, com um volume de emprego directo na ordem das 59.000 pessoas.

 

O setor fatura 12 mil milhões de euros por ano, com uma quota de exportação superior a 80%.

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