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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Tradicionalmente um local de eleição para empreendedores, o país procura manter-se atractivo para empresas mesmo durante o processo de divórcio com a União Europeia.

Londres sempre foi um dos destinos preferidos para startups à procura de crescer. Mas a saída da União Europeia, um processo que se arrasta há três anos e que trouxe incertezas para todo o tipo de negócios, tem suscitado dúvidas sobre a capacidade do país para atrair e reter empreendedores e talento na área da tecnologia. Algumas cidades, como foi o caso de Paris, apressaram-se atentar aproveitar o "Brexit" para se apresentarem como uma alternativa. Mas a confusão política não significa que o Reino Unido tenha dado por perdido o seu estatuto no mundo das startups.


"Há obviamente incerteza. Mas, apesar disso, o Reino Unido tem um papel muito importante na economia global. É um corredor para a Europa, para a Ásia, para os EUA, especialmente para as empresas de tecnologia", defende Shalini Khemka, gestora de negócios no Departamento de Comércio Internacional britânico, uma agência governamental que tenta atrair empresas e investimento estrangeiro para o Reino Unido.


É também uma das oradoras desta edição da Web Summit, onde está a fazer esforços para aliciar startups: pôs várias a fazerem apresentações num autocarro para potenciais investidores e acabou por seleccionar cinco para se estabelecerem no Reino Unido, onde terão apoio para abrir a sede e encontrar capital.


Khemka argumenta que um período de incerteza pode até ser uma vantagem para algumas empresas: "É quando há incerteza que os negócios mais bem sucedidos, os que têm mais flexibilidade em termos de estratégia, vêem oportunidades. É uma altura mais interessante para as startups do que para as grandes empresas. As startups são mais ágeis."

Quando questionada, porém, reconhece que as empresas estão a sentir efeitos negativos - um deles é a capacidade de recrutamento. "É mais difícil, a incerteza torna mais difícil atrair talento de topo, mas só até certo ponto", ressalva. "Se as empresas forem capazes de pagar os salários certos, ainda conseguem encontrar talento. Mas há um custo. Ainda há questões de imigração que não estão claras e até isso ser clarificado haverá um efeito negativo."


Shalini Khemka não vê nenhum país europeu como grande concorrente neste sector. Os principais rivais, aponta, são os EUA, a China, índia e Israel. Também frisa que não houve uma redução no volume de negócios promovidos pelo Departamento de Comércio Internacional. Segundo números da agência, o investimento em empresas em fase de crescimento com sede no Reino Unido - as chamadas "scaleups", na gíria do sector - cresceu 61% entre 2017 e 2018. Os dados indicam ainda que 49% das empresas de crescimento mais rápido no Reino Unido têm pelo menos um fundador estrangeiro.


A ida para o Reino Unido é um caminho que empreendedores portugueses conhecem bem. A Farfetch, uma plataforma online de retalho de moda, foi criada naquele país por um português. A Seedrs, uma plataforma para investimento colectivo em startups, também foi co-fundada por um português em Londres. E a Codacy, uma startup portuguesa que venceu o concurso da Web Summit em 2014 (quanto o evento ainda era em Dublin), é outro exemplo de uma empresa que seguiu para o Reino Unido em busca de capital.


Shalini Khemka diz mesmo que o "Brexit" "acabou por tornar algumas coisas mais atractivas, no sentido em que a avaliação das empresas no Reino Unido não é tão elevada", tornando o investimento mais barato para o capital de risco. "É como comprar imobiliário. É quando os preços do imobiliário baixam que se deve comprar."


Tony Blair defende novo referendo sobre saída da União Europeia. O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair defendeu ontem a realização de um novo referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e considerou que o resultado seria diferente do de há três anos.


"Acho que ainda é possível fazer um novo referendo, o que seria bom, porque as pessoas hoje estão muito mais informadas. E se tiverem a oportunidade de reflectir novamente o resultado de um novo referendo será diferente", disse Tony Blair na Web Summit, que decorre até hoje em Lisboa.


Blair, que observou que o "Brexit" é uma ideia "terrível", salientou que o resultado de 2016 foi "um grito de raiva" contra o sistema político e questões como a imigração.


O ex-primeiro-ministro britânico não se atreveu a prever o resultado das eleições gerais convocadas no Reino Unido para 12 de Dezembro e considerou que deveriam ser posteriores, para não "misturar" as eleições britânicas com o "Brexit". Além disso, Tony Blair sublinhou que num mundo com potências como os Estados Unidos, China e índia é necessário que a Europa permaneça unida para se sentar e negociar com estas potências.


Também presente na cimeira, o negociador-chefe da União Europeia (UE) para o "Brexit", Michel Barnier, disse em entrevista à Lusa que vai ser preciso "continuar a discutir o acordo com os ingleses, porque uma saída ordenada [da União Europeia] não é um fim em si, mas uma etapa". Para Barnier, "enquanto não tiverem sido levadas a seu termo as duas negociações, uma primeira sobre o divórcio e a saída com acordo, e uma segunda sobre a futura relação, há o risco de uma saída sem acordo".

 

O primeiro rendez-vous importante depois das eleições será a ratificação para se obter uma saída com acordo em 31 de Janeiro, declarou.

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