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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

AIMMAP e Vida Económica debateram estratégia digital para as empresas.

Europa chega a acordo sobre InvestEU
A Europa chegou a acordo sobre o InvestEU, o programa proposto para impulsionar o investimento público e privado, no quadro do próximo orçamento de longo prazo. Este acordo preliminar entre o Parlamento Europeu, os Estados-Membros e a Comissão constitui um passo fundamental para a criação do programa InvestEU, que reunirá sob o mesmo teto o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos e 13 outros instrumentos financeiros da UE que apoiam atualmente o investimento na UE, facilitando assim o acesso ao financiamento.

O sucesso das exportações resulta em parte da digitalização - afirmou Hildebrando Vasconcelos, diretor-geral do CATIM, que foi um dos participantes do pequeno-almoço/debate organizado pela AIMMAP com o apoio da Vida Económica, onde foi avaliada a transformação digital na indústria metalúrgica e metalomecânica. O diretor-geral do CATIM afirma que se avança a ritmos diferentes nos vários subsetores de atividade. Na produção de peças técnicas, os fabricantes já estão ligados pela via digital às empresas clientes. Segundo referiu, as empresas têm que se ligar com as suas cadeias de valor, em áreas como o design, a montagem ou o tratamento de superfícies.

O sucesso da transformação digital não depende apenas da solução tecnológica mas também da adaptação do modelo de negócio.


Segundo este responsável, o valor deixa de estar apenas na produção e passa cada vez mais para o design e para o serviço. Desta forma, as empresas passam a estar numa melhor posição e a descontar mais valor aos clientes.


"Os fabricantes de máquinas passam a prestar assistência à distância, o que é uma transformação profunda", disse Hildebrando Vasconcelos.


"O exemplo da Tesla tem as virtudes e as desvirtudes da digitalização", comentou o diretor-geral do CATIM. A marca necessário algum tipo de "roadmapping" da mudança digital e as entidades associativas podem ajudar a fazer esses percursos. Em sua opinião, já há empresas em estados muito avançados.


Para Pedro Rocha, diretor executivo da Produtech, a transformação digital não é um fim em si mesmo, ou seja, não é mais do que o meio para o fim, e qual é esse fim? É a competitividade e a sustentabilidade das empresas, devendo, por isso, suportar uma resposta estratégica dessas empresas a esse desafio. E acrescenta: "Não existem modelos únicos, ou 'one size fits ali', existem sim fatos à medida. O que eu quero dizer com isto é que a implementação de tecnologias digitais deve responder às necessidades da empresa específica, ou seja, ao seu estágio em relação à digitalização. Em segundo lugar, deve também assegurar a compatibilidade dos sistemas existentes, àqueles que sejam recetivos. Deve também ser endogenizada pela própria empresa, ou seja, deve ser endogenizada pelos próprios colaboradores. Há aqui uma ênfase na própria formação dos colaboradores, que vem desde o chão de fábrica até cargos intermédios e de topo. Neste processo de digitalização há aspetos relacionados muitas vezes com a componente de software, estamos aqui a falar da integração daquilo que é físico com aquilo que são os sistemas de informação. Neste contexto, há que reunir integradores de sistemas, empresas de software que desenvolvem software para a indústria e também empresas que suportam empresas industriais de implementação ou de avaliação dos métodos e processos utilizados.


Da relação entre elas se conseguirá uma resposta à medida para a necessidade de específica das diversas empresas. Ao reunir este conjunto de entidades é fácil ou será mais eficaz fazer-se a ligação às entidades ou empresas que possam efetivamente suportar a empresa industrial mas de fato à medida, porque têm efetivamente de serem fatos à medida".
Para a Adira, como fornecedor de máquinas, ferramentas e meios de produção, "temos de enfrentar os desafios próprios da digitalização dentro da nossa unidade fabril. Nem sempre é fácil a definição do que é digitalização. Dentro da empresa temos as dificuldades de digitalizar a nossa maneira de trabalhar. O suporte informático traz benefícios não só na relação com os clientes, porque temos de perceber como é que está a nossa capacidade de fornecer ao cliente, o que ele poderá necessitar, como também no campo da manutenção. Misturando o dentro e fora, se temos meios de saber onde a máquina está a comportar-se bem ou se já está com alguns indícios de falhas", salienta Dietmar Appelt, diretor da ADIRA.

Aplicação digital tem custos para as empresas
"A aplicação da digitalização a nível de gestão de fábrica vai ser a grande questão para todas as empresas portuguesas. A tecnologia está aí, mas eu acho que as empresas portuguesas não têm capital. Falamos de coisas específicas. Para ver a dimensão disto: a imagem termográfica desceu de fábrica para controlo de produção, estamos a falar de um termógrafo de 300 mil euros. Se eu quiser laboratorial, onde basicamente o que muda é a tolerância e permite fazer medições já ao nível de controlo dimensional, são 760 mil euros. Estou a falar de números desta semana. A pensão não é fácil para quem vende peças aos preços que se vendem, ou seja, ou nós vamos para um estágio diferente, e eu acho que isso é que tem de acontecer, as empresas vão ter de procurar risco de mercado para poderem fazer isso porque as peças que em geral estão dentro da nossa estrutura não conseguem às vezes acompanhar. As peças velhas que a Fundiven fazia, por exemplo, não conseguem fazer isso, as peças novas sim, nós podemos ter neste momento 15% das peças a faturar 60% do fundimento e o resto não, porque foi esse desequilíbrio, as peças novas têm programabilida- des, vão prontas a linhas de montagem de eletró- nica, referiu com maior especificidade Joaquim Almeida, presidente da Fundiven.


"É muito interessante ouvir todos os empresários aqui da AIMMAP que já têm uma visão concreta do que é que têm de fazer para passar por este processo de transformação digital. A Cisco trabalha direta- mente com muitas empresas esses temas, portanto, quando ouço alguns de vós dizer que têm equipamentos legacy, e que depois não os conseguem ligar à rede a mim dá-me uma dor no coração, porque não vão falar connosco. Um exemplo em concreto: a Cisco está a trabalhar a nível mundial, com a União Europeia, na questão dos carros autónomos e nós, independentemente de o carro ser de 1970 ou de ser de agora, todos eles têm um equipamento e a Cisco garante a conectividade desse equipamento para ler os dados do mesmo", afirma Artur Alves Pereira, presidente da Direção da CISCO.


A Produtech vai ter um papel fundamental nas parcerias que faz com as empresas, as universidades. Ambas as instituições são fundamentais neste campo. Acho que quantas mais entidades estiverem juntas a tentar desenvolver soluções melhor é, embora o país esteja cheio de pilotos e de testes e de poucos 'deployments' no terreno, infelizmente. Mas isso são questões que muitas vezes nos ultrapassam a todos".


"No final, todos nós o que queremos é competitividade, e esta pode vir ou por aumento de produtividade ou cada vez mais, diria eu, por diferenciação. Esta transformação digital, se, por um lado, implica uma transformação de competências, por outro lado, é também uma oportunidade. É com esta transformação que nós temos a oportunidade de tornar a indústria mais atrativa, porque cria os empregos para os serviços e efetivamente damos melhor condições de trabalho, trabalhamos melhor. As pessoas não se sentem atraídas por estas e outras competências. Acho que efetivamente podemos e devemos usar esta mudança de paradigma como o fator de outra atra- tividade para as nossas empresas. Quanto aos recursos humanos, esse é claramente o maior desafio que todos nós enfrentamos. É tão difícil hoje em dia saber quais vão ser as competências técnicas específicas, que iremos de algum modo ter de dotar os nossos colaboradores de competências, se eles souberem aprender, para hoje e amanhã estarem preparados para o que quer que seja", salientou Fernando Sousa, sócio-gerente da CEI, Lda..

Joaquim Almeida, presidente da Fundiven
"A aplicação da digitalização a nível de gestão de fábrica vai ser a grande questão para todas as empresas portuguesas. A tecnologia está aí, mas eu acho que as empresas portuguesas não têm capital. As empresas vão ter de procurar risco de mercado para poderem fazer isso porque as peças que em geral estão dentro da nossa estrutura não conseguem às vezes acompanhar."

Alcibíades Paulo Guedes, presidente do INEGI
"Por vezes há uma dificuldade enorme do lado dos modelos de negócio. Temos vários exemplos de projetos que tecnicamente são um sucesso, mas depois falha o modelo de negócio porque as empresas não estão habituadas a vender serviços empacotados com o produto" - afirmou. A questão do modelo de negócio muda completamente a partir do momento em que se vende uma solução e não mais um produto."

Dietmar Appelt, diretor da ADIRA
"Temos de enfrentar os desafios próprios da digitalização dentro da nossa unidade fabril. Nem sempre é fácil a definição do que é digitalização. Dentro da empresa temos as dificuldades de digitalizar a nossa maneira de trabalhar. O suporte informático traz benefícios não só na relação com os clientes, porque temos de perceber como é que está a nossa capacidade de fornecer ao cliente, o que ele poderá necessitar, como também no campo da manutenção."

Hildebrando Vasconcelos, diretor-geral do CATIM
"Não há alternativas a esta ligação crescente entre fabricantes e clientes pela via digital.
O valor deixa de estar apenas na produção e passa cada vez mais para o design e para o serviço. As empresas passam a estar numa melhor posição e a descontar mais valor aos clientes.
Os fabricantes de máquinas passam a prestar assistência à distância, o que é uma transformação profunda."

Fernando Sousa, sócio-gerente da CEI, Lda.
"No final, todos nós o que queremos é competitividade, e esta pode vir ou por aumento de produtividade ou cada vez mais, diria eu, por diferenciação. Esta transformação digital, se, por um lado, implica uma transformação de competências, por outro lado, é também uma oportunidade. É com esta transformação que nós temos a oportunidade de tornar a indústria mais atrativa, porque cria os empregos para os serviços e efetivamente damos melhor condições de trabalho."

Artur Alves Pereira, presidente da Direção da CISCO
"A Cisco está a trabalhar a nível mundial, com a União Europeia, na questão dos carros autónomos.
A Produtech vai ter um papel fundamental nas parcerias que faz com as empresas, as universidades. Ambas as instituições são fundamentais neste campo. Acho que quantas mais entidades estiverem juntas a tentar desenvolver soluções melhor é, embora o país esteja cheio de pilotos e de testes e de poucos 'deployments' no terreno, infelizmente. Mas isso são questões que muitas vezes nos ultrapassam a todos."

Pedro Rocha, diretor executivo da Produtech
"Neste processo de digitalização há aspetos relacionados muitas vezes com a componente de software. Neste contexto, há que reunir integradores de sistemas, empresas de software que desenvolvem software para a indústria e também empresas que suportam empresas industriais de implementação ou de avaliação dos métodos e processos utilizados. Da relação entre elas se conseguirá uma resposta à medida para a necessidade específica das diversas empresas".

Rafael Campos Pereira, vice-presidente da AIMMAP
"A transformação digital e o seu impacto na economia mundial e na economia portuguesa é um tema de suma importância. Em Portugal é necessário adoptar uma verdadeira agenda digital" - sublinhou o vice-presidente da AIMMAP. A importância da digitalização da nossa economia, os efeitos sobre a produtividade, o envolvimento dos recursos humanos e impacto a competitividade foram apontados como aspetos que justificam a atenção crescente das empresas."

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