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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O dono da empresa portuguesa de calçado acredita no impacto das medidas do Governo de Bolsonaro na economia do país, tendo estabelecido uma parceria com um grupo local para o fabrico e venda das alpergatas e galochas da marca Cubanas.

Depois de ter testado "com sucesso" o seu produto no Brasil, onde garante ter vendido "mais de mil pares de galochas, no ano passado", o dono da empresa portuguesa de calçado But Fashion Solutions firmou uma parceria com um industrial local para o fabrico e venda em massa, sob licença, da sua marca Cubanas no mercado latino-americano.


'Tara conseguirmos ter o sucesso que almejamos, aliámo-nos a um grupo brasileiro com grande capacidade de penetração nos países do Mercosul e América Latina, para onde pretendemos incluir também em catálogo calçado 'made in' Portugal muito em breve", revelou Mário Marques ao Negócios.


Para já, o produto Cubanas dirigido ao Brasil "será produzido localmente" pelo seu parceiro, cuja força industrial está sediada em Nova Hamburgo - cidade situada na região metropolitana de Porto Alegre, no sul do país -, que foi e ainda é conhecida como "a capital nacional do calçado".


Segundo o empresário, "a entrada neste mercado, numa primeira fase", será realizada com a produção local "de cerca de 40 mil pares" das suas linhas de galochas, alpergatas e "flats". O fabrico "deverá arrancar no final deste mês" e chegar às lojas brasileiras "em outubro". Marques acredita também na força comercial do seu aliado brasileiro, que não quis identificar.
"A carteira atual do nosso parceiro é de aproximadamente três mil pontos de venda ativos", garantiu, apontando como objetivo inicial estar presente em cerca de 500. Sem adiantar estimativas de vendas, sublinhou que a coleção que será colocada à venda no Brasil "foi desenvolvida com base em "best-sellers' de venda na Europa", pelo que irá "utilizar maioritariamente investimentos já 100% amortizados, logo os resultados e lucros serão ainda maiores", concluiu.

Dona da Cubanas acredita na alavancagem de Bolsonaro
A entrada em força no Brasil deriva de uma renovada confiança da empresa neste mercado. "O que nos motiva é o crescimento que se espera da economia brasileira, com as reformas que estão a ser levadas a termos, bem como a boa relação que temos com o parceiro local", sintetizou. Uma aliança que, "no curto prazo, exclui da equação financeira a questão das taxas" aduaneiras, aludindo ao recente compromisso político a que chegaram a União Europeia e o Mercosul.


Mário Marques disse que quer tirar partido da "boa evolução" da economia brasileira. "Com a aprovação da reforma da Segurança Social, colocada em curso pelo Governo Bolsonaro, as perspetivas de crescimento desta economia devem andar em volumes imensos, pelo que temos que estar preparados para surfar esta onda", apontou.


Uma reforma - "a primeira, num país com a economia em contração" - que "vai gerar uma poupança muito grande num espaço de tempo reduzido", porquanto "o aumento do tempo para a reforma leva a uma geração de liquidez, e, com isto, caem as taxas de juro", perspetivou. E, assim, rematou, "haverá muita entrada de capital para investimento, o que deverá levar o país a um novo patamar de negócios, que é onde queremos estar".

Fatura 10 milhões, lucra e está em PER
Apesar de gerar lucros, tendo acumulado um resultado de 1,2 milhões de euros nos últimos três anos, a But Fashion Solutions vive "asfixiada" pelo serviço da dívida, pelo que aderiu ao Processo Especial de Revitalização (PER) para negociar com a banca "o alongamento do prazo de pagamento". Com um "passivo operacional de 8,8 milhões de euros", a CGD é o maior credor, reclamando 3,8 milhões de euros. Com sede em Alcanena, a empresa não tem fábrica, subcontratando toda a sua produção, e detém uma rede de sapatarias multimarca Made In e uma loja da sua marca própria Cubanas, em Lisboa. Fechou o último exercício com uma faturação de 10 milhões de euros, metade dos quais via exportações de Cubanas "para uma dúzia de países", com Itália a gerar "cerca de 25%" do total. Entretanto, depois de ter aberto um "showroom" na zona da Expo, está "em avançadas negociações" para replicar o conceito em Milão e em Dusseldorf.

3.000
PONTOS DE VENDA
O parceiro da Cubanas no Brasil tem uma carteira de cerca de três mil pontos de venda.

40
MIL PARES
O parceiro brasileiro vai arrancar com o fabrico de cerca de 40 mil pares de Cubanas.

11
LOJAS EM PORTUGAL
A empresa portuguesa detém no nosso país 10 sapatarias Made In e uma loja Cubanas.

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