A meta é ambiciosa e a estratégia está traçada. A Galp espera agora começar a colher os primeiros frutos do esforço de investimento que tem levado a cabo na área da exploração e produção de petróleo e gás natural.
Ferreira de Oliveira, o CEO do grupo energético, já fez saber que quer, a médio prazo, garantir uma produção sustentada diária de 150 mil barris equivalentes de petróleo e gás natural. Metade do actual consumo diário português.
Para tal, conta com um portfolio de 44 projectos, repartidos por três grandes áreas geográficas.
E o caso do Brasil, cujos holofotes se centram sobretudo na famosa Bacia de Santos, onde só em Tupi e Iara se estimam entre 8 mil e 10 mil milhões de barris de reservas recuperáveis, naquela que é uma das maiores descobertas petrolíferas dos últimos anos.
A esta lista junta Angola, com destaque para o bloco 14, o único a produzir crude em velocidade cruzeiro.
Mais recentemente acrescentou uma nova peça a este puzzle: a Venezuela, cujos projectos, quer no negócio do gás natural, quer do petróleo, embora numa fase embrionária, têm potencial para contribuírem de forma significativa para o nível de produção projectado. Pelo menos, assim o defende a própria Galp.
Mas as aspirações da empresa não se ficam por aqui. Pretende explorar novas oportunidades de diversificação da sua carteira de projectos.
Até porque reduzir o risco é uma das palavras de ordem da Galp. Sobretudo no que toca às fontes de aprovisionamento de gás natural, hoje fortemente dependentes da Argélia e da Nigéria. E especialmente quando o objectivo estratégico do grupo é duplicar os volumes de gás natural contratados dos actuais seis mil milhões de metros cúbicos para 12 mil milhões de metros cúbicos anuais, revelou ao Diário Económico fonte da petrolífera.
Em causa está a necessidade de satisfazer o aumento do consumo interno de gás natural que irá disparar com a construção das novas centrais eléctricas de ciclo combinado.
Na mira do grupo gerido por Ferreira de Oliveira encontra-se igualmente o mercado espanhol de gás natural, um negócio em que já começou a dar os primeiros passos na área da comercialização.
Encaixam nesta linha de orientação a sua recente entrada no mercado uruguaio, em parceria com a Petrobras e a Repsol, onde deverá, ainda este mês, assinar o contrato de concessão de dois blocos petrolíferos, numa região conhecida pelo seu potencial de gás natural.
O mesmo acontece com a aproximação que fez à Líbia ou o redobrado interesse pelas novas concessões que o governo venezuelano de Hugo Chávez tem em curso. Um rumo em que não pretende perder de vista os países lusófonos. Em Angola, a Galp garante que irá dar especial atenção a projectos de exploração de gás, como o Angola LNGII.
No início do corrente ano, o grupo liderado por Ferreira de Oliveira assinou um memorando de entendimento com a Sonagás GE (empresa nacional de gás da Guiné Equatorial), com os alemães da E.ON Rhurgas e com a Union Penosa para um projecto de exploração de gás natural no 'off shore' da Guiné Equatorial, actualmente em fase de análise.