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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

As startups nacionais exportaram mais de mil milhões de euros em 2018. E, no total, empregam mais de 25 mil pessoas.

Não é segredo para os mais atentos que as startups são empresas inovadoras, muitas de base tecnológica e fortemente voltadas para as exportações. Mas, agora, vai ser possível ter um retrato mais fidedigno do que é esta realidade.

 

A Startup Portugal, associação privada sem fins lucrativos que tem a missão de implementar iniciativas públicas e privadas, apresentou a versão final do Startup Hub, um agregador de dados, que permite também mapear o ecossistema de empreendedorismo português. Vai ser constantemente atualizado, podendo os empreendedores dar o seu contributo. “Há muito tempo que faz falta” esta base de dados, diz ao Dinheiro Vivo João Mendes Borga, diretor da Startup Portugal. “Era uma falha de mercado a nível nacional. Faltava-nos um sítio onde estivessem todos os programas, onde se fosse juntando a informação disponível para os empreendedores, investidores e comunidade.”

 

O resultado prático desta base de dados é que vai permitir criar um barómetro da atividade das empresas. “Tendo as startups listadas, podemos começar a trabalhar em dados diferentes o que, até agora, não era fácil sem uma lista centralizada. Não era possível fazer estudos à volta do que são os comportamentos de sucesso, quais as zonas em que estão a ter mais impacto na economia local, onde está a ser criado mais emprego e até qual o impacto no PIB.”

 

O trabalho de casa já feito permite perceber alguns dos efeitos que estas empresas estão a ter na economia. Em 2018, as startups foram responsáveis por quase 2% das exportações totais de Portugal, que ascenderam aproximadamente a 58 mil milhões de euros. O que significa que estas empresas venderam ao exterior bens e serviços no valor de mais de 1,1 mil milhões de euros, de acordo com os dados que esta entidade recolheu junto das Finanças. Por outro lado, este conjunto de empresas importou 568 milhões de euros. O número de postos de trabalho que têm criado também está a crescer. Em 2016, tinham 15 534 colaboradores, sendo que no final de 2018 tinham no total 25 084.

 

Tempos de ação

 

Nos anos de 2015 e de 2016, o tema das startups estava com muita frequência na imprensa. 2016 foi o primeiro ano da Web Summit em Lisboa e do lançamento da Estratégia Nacional para o Empreendedorismo (que se chama Startup Portugal), o que contribuiu para que tivesse destaque. Recentemente, tem fugido um pouco dos holofotes. João Borga acredita que 2016 foi um “momento de comunicação muito forte” e que agora é tempo da comunidade “adaptar-se às soluções” com menos atenção mediática.

 

“A realidade das startups em 2016 era a de uma comunidade muito entusiasta mas sem números concretos na economia. Foi crescendo e tornou-se mais real business e menos hype. Temos o maior evento de empreendedorismo a acontecer em Portugal – sei que é cliché -, mas toda a gente deste segmento ouviu falar de Portugal por causa da Web Summit e isso teve um impacto de comunicação enorme no primeiro ano, juntamente com o lançamento da estratégia nacional para o empreendedorismo. O que importa a seguir não é comunicar, é fazer”, conclui o diretor da Startup Portugal.

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