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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

António Amorim assumiu a presidência da Corticeira Amorim em 2001 e desde então a empresa ampliou o raio de ação.

A vender já para mais de cem países, a Corticeira Amorim admite voltar às compras. Desde julho do ano passado, a empresa liderada por António Rios Amorim gastou quase 38 milhões de euros para controlar três empresas estrangeiras: duas francesas – no caso de uma adquiriu 100% do capital social – e uma sueca.

 

“Sempre comprámos empresas que consideramos boas. É melhor uma empresa boa com um preço um bocadinho mais elevado do que uma empresa má, barata (…) A Corticeira Amorim tem tido sempre na sua história uma atuação muito dinâmica em tudo o que são aquisições e vamos continuar”, garantiu o CEO da empresa ao Dinheiro Vivo no Mónaco onde esteve a representar Portugal no EY World Entrepreneur of the Year.

 

Em 2001, quando chegou à liderança da companhia, António Rios Amorim deparou-se com dois desafios: gerir uma “empresa moldada num estilo de liderança muito particular” de Américo Amorim e o crescimento dos vedantes de plástico numa altura em que o mercado falava do “vinho com cheiro a rolha”.

 

O primeiro foi ultrapassado com “a humildade para perceber que não há ninguém que possa ser igual a ele” e substituindo uma pessoa por um modelo de organização.

 

O segundo com uma estratégia de comunicação – “tentando criar um ambiente favorável à cortiça como material”- e com investimento em investigação e desenvolvimento.

 

A corticeira enveredou assim por um caminho que passava pela aposta na inovação, através do “desenvolvimento de novos produtos que pudessem ser fiáveis, competitivos; outros usos da cortiça para além da rolha – há um conjunto grande de outras aplicações – e durante estes dez anos [até 2010] basicamente foi isto que fizemos”.

 

Apesar de durante alguns anos esse percurso não ter gerado resultados significativos, a empresa conta agora com cinco unidades de negócio: matérias-primas, rolhas, revestimentos, aglomerados compósitos e isolamentos.

 

No passado, tal como agora, a unidade de rolhas representa uma fatia importante do volume de negócios da companhia. Para se ter uma ideia, em 2017, as vendas da unidade de rolhas cresceram 13% para 477,1 milhões de euros e as vendas da revestimentos aumentaram 4% para quase 122 milhões de euros.

 

Cotada em bolsa há 30 anos e com uma capitalização na casa dos 1500 milhões de euros, a Corticeira Amorim acredita que o futuro da cortiça passa por três áreas: “reafirmação clara da rolha como material de eleição e como material competitivo para resolver todos os desafios, em todos os segmentos do mundo do vinho”, pelos pavimentos de cortiça – “material único, com características de conforto, sustentabilidade, isolamento, antialérgico, de acústica” – e pelos materiais compósitos, usados, por exemplo, nos automóveis ou nas naves espaciais.

 

“Temos um conjunto grande de novas aplicações, estando umas a tomar forma, outras vão crescer no futuro. [Temos] uma equipa fortíssima em termos de desenvolvimento de novas aplicações e no desenvolvimento de novas tecnologias. Estamos a terminar uma fábrica-piloto, com a introdução de cinco novas tecnologias que nunca trabalharam na indústria da cortiça.

 

” Para já, o efeito, em termos de ganhos, que as novas tecnologias combinadas com a cortiça ainda não é significativo. Mas “criámos novas aplicações de produto nos últimos três a quatro anos entre as rolhas, os pavimentos, e os compósitos, qualquer coisa como 35 milhões de euros. Há três, quatro anos, estas aplicações não existiam”.

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