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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Exportações de aço e alumínio para os EUA multiplicaram-se nos últimos anos. Mas as restrições anunciadas por Trump trazem incerteza à indústria.

O aço e alumínio portugueses provaram nos últimos anos o seu valor no mercado americano. As vendas de aço para os EUA multiplicaram-se 18 vezes desde 2009, acelerando de ano para ano.

 

Em 2017 mais que duplicaram, somando 108,1 milhões de dólares (88 milhões de euros), segundo dados do governo americano. Mas a guerra comercial de Trump traz incertezas sobre se esse crescimento se irá manter.

 

Para já, Trump anunciou uma sobretaxa de 25% nas importações de aço e de 10% nas de alumínio que entrará em vigor num prazo de duas semanas. Invocou o argumento da “segurança nacional” e da preservação de postos de trabalho nos Estados Unidos.

 

Excluiu o México e o Canadá dessas barreiras e disse que outros países poderiam tentar negociar exclusões. Os economistas têm sido consensuais a defender que a medida não é eficaz para os EUA. Apesar de pretender proteger a produção de aço e alumínio, as barreiras vão encarecer essas matérias-primas para as indústrias norte-americanas que transformam esses produtos. E existe pressão da parte de algumas empresas para que, a aplicarem-se barreiras ao aço e alumínio, se criem também entraves às importações de produtos acabados.

 

“O passo seguinte é que os fabricantes americanos pressionem para que as restrições sejam estendidas também a produtos acabados”, considera Rafael Campos Pereira, vice-presidente da Associação de Industriais Metalúrgicos (AIMMAP), em declarações ao Dinheiro Vivo. Acredita que esse cenário é inevitável e será negativo para a indústria portuguesa.

 

No ano passado, as exportações deste setor para os EUA rondaram 540 milhões de euros. A maior economia do mundo foi o quinto maior cliente. Também o presidente da Associação Portuguesa do Alumínio (APAL) está preocupados.

 

José Manuel Almeida refere que, além do impacto nas empresas que vendem diretamente nos EUA, existe um outro indireto, já que pode haver menor procura de países europeus que serão também afetados pelas barreiras impostas por Trump. A China e a resposta da UE Além dos impactos diretos e indiretos, o presidente da APAL enuncia ainda um terceiro risco: “Com dificuldades em aceder ao mercado americano, os chineses vão procurar novas geografias e vão atacar o mercado europeu.

 

O maior medo é esse”, diz. Realça que a China tem sobrecapacidade de produção e é excedentária pelo que poderá causar problemas aos produtores europeus.

 

A APAL está alinhada com a associação europeia de alumínio, que está já a pressionar Bruxelas para tomar medidas defensivas e que previnam este cenário. Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, já avisou que “não ficaremos de braços cruzados à espera de ser atingidos por estas medidas injustas que colocam em risco empregos europeus”.

 

Bruxelas estará, segundo a Bloomberg, a preparar um ataque cirúrgico às importações de produtos americanos de Estados que elegeram republicanos influentes. É o caso das motos Harley Davidson, fabricadas no Wisconsin (Estado que elegeu Paul Ryan, o presidente da Câmara de Representante).

 

Na mira está também o bourbon, que afeta as destilarias do Kentucky, Estado de Mitch McConnell, líder dos republicanos no Senado. Na lista está ainda o sumo de laranja da Florida e as calças Levi’s produzidas na Carolina do Norte.

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