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CABEÇALHO

Mau mês de junho ajuda a explicar o recorde de 17 anos.

Julho de 2019 foi o melhor mês dos últimos 17 anos para a indústria têxtil e do vestuário, anunciou esta segunda-feira a ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. Os números do sector mostram que as exportações em julho atingiram os 531,4 milhões de euros, o que representa um crescimento de 3,4% face ao mesmo mês do ano passado.

 

Este desempenho não foi, no entanto, suficiente, para inverter a quebra na frente exportadora no primeiro semestre do ano, devido à quebra de 12,6% registada em junho. Assim, para os primeiros sete meses do ano, a fileira apresenta uma quebra de 0,9% nas exportações que agora se situam nos 3,2 mil milhões de euros, indicam os números do INE - Instituto Nacional de Estatística, citados pela ATP.

 

"A evolução das exportações em julho resulta do efeito conjugado de dois factores. Por um lado, os resultados de junho foram maus. Muita coisa não correu bem e até a sucessão de feriados reduziu os dias de trabalho, o que fez arrastar alguns negócios para julho. Mas também não podemos esquecer que o sector tem vindo a crescer há vários anos e, mesmo que o ritmo esteja agora a abrandar, os recordes acontecem, até porque o sétimo mês do ano é tradicionalmente um bom mês. Fecha um ciclo e concentra muita faturação", explica ao Expresso Paulo Vaz, diretor-geral da ATP.

 

Por produtos, as exportações de vestuário e acessórios de tecido cresceram 25 milhões de euros e 4,3%, seguindo-se as pastas, feltros e artigos de cordoaria (mais 17 milhões e 10,3%) e os tecidos especiais e tufados (mais 3,8 milhões e 5,7%).

Por destinos, o espaço extracomunitário cresceu 5,5%, enquanto a União Europeia caiu 2,3%. Aqui, o destaque é dos Estados Unidos, com o maior crescimento absoluto (mais 17 milhões de euros e 9%), seguidos do Canadá (mais 7 milhões de euros e +25%) e Índia (mais 5 milhões de euros e +107%). Em sentido contrário, os maiores recuos estão na União Europeia e são liderados por Espanha (queda de 37 milhões de euros e -3,7%), Alemanha (menos 15 milhões de euros, e -5,2%) e Reino Unido (menos 6 milhões de euros e -2,5%).

 

FIM DO ANO EM ABERTO

 

A balança comercial dos Têxteis e Vestuário nos primeiros sete meses do ano regista um saldo excedentário de 616 milhões de euros, com uma taxa de cobertura de 124%.

 

Quanto ao final do ano, tudo está em aberto, comenta Paulo Vaz, admitindo que a "quebra de junho não significa uma catástrofe no sector", mas as empresas "estão menos animadas", o que reflete o impacto da guerra comercial EUA /China, do Brexit e do arrefecimento em mercados importantes como Espanha, Alemanha e Reino Unido. "Este é um ano atípico e como agosto é um mês mais parado, com o período de férias, temos de esperar pelos números de setembro, que só são divulgados em novembro, para tentar perceber o que vai acontecer na frente exportadora", refere Paulo Vaz.

 

O diretor-geral da APT admite que neste momento "todos os cenários são possíveis", mas antecipa que qualquer quebra ou crescimento no final do ano "deverá ser pouco expressivo, na ordem de 1%".

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