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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O comércio eletrónico é uma realidade incontornável e a Amazon existe para facilitar o processo. Quem o diz é Ryan Frank, o diretor europeu da gigante online que, esta manhã, fez encher o auditório Infante D. Henrique, em Leça da Palmeira, para a conferência "Amazon – O seu parceiro para o negócio online na Europa".

Por todo o mundo, são cada vez mais as marcas e retalhistas que têm na Amazon uma plataforma essencial para a exportação. Do outro lado do ecrã, estão milhões de consumidores espalhados por todo o mundo. Na Alemanha, por exemplo há cerca de 50 milhões de consumidores digitais, o que representa um crescimento de 4%, entre 2016 e 2018, segundo o diretor europeu da Amazon, que falou em Leça da Palmeira, a convite da AICEP, no âmbito do Programa Exportar Online.

Também entre 2016 e 2018, o número de consumidores digitais no Reino Unido cresceu 4% para cerca de 40 milhões. O aumento chegou aos 7% em França, onde existem 30 milhões de compradores online. Contudo, Espanha e Itália são os países nos quais o crescimento tem acontecido a maior velocidade, a 18% e 13%, respetivamente, representando aproximadamente 20 milhões de consumidores digitais em cada um dos países.

 

Foi este o ponto de partida da apresentação de Ryan Frank, que explicou aos empresários portugueses presentes que o objetivo da Amazon é «empoderar os seus clientes para atingirem o maior número de consumidores possíveis». Frank sublinhou que o grande foco da Amazon está, no entanto, nos consumidores. «O que fazemos para proporcionar uma boa experiência de compra é o mais importante», garantiu. Um dos maiores benefícios da Amazon para as empresas é o facto de «diminuir os custos estruturais» e, deste modo, «conseguimos ter preços mais baixos para nós e para os clientes e consumidores», admitiu o diretor europeu da gigante mundial.

Outra das mais valias da Amazon, o serviço de subscrição Prime, que conta com 100 milhões de membros, é «um serviço conveniente e uma forma de os clientes dizerem que confiam na Amazon», revelou o responsável. Na Europa, a Amazon é, aliás, uma porta de acesso a milhões de consumidores europeus através dos cinco marketplaces: Espanha, Reino Unido, Alemanha, França e Itália. «Ao abrir conta na Amazon não se vende apenas para um mercado, mas para toda a Europa», afirmou Frank.

 

Uma loja no deserto

No evento, houve tempo para ouvir os testemunhos de responsáveis de duas empresas portuguesas com presença na Amazon: a BestGift e a Weip. Há cinco anos a vender na gigante online, a produtora de têxteis-lar BestGift tem atualmente 19 lojas digitais e as vendas através de comércio eletrónico representaram, em 2018, 50% do volume de negócios. Já na Weip, distribuidora de pequenos e grandes eletrodomésticos, as vendas online cresceram, em 2018, 60%.

José Andrade, CEO da Best Gift, assumiu que usa frequentemente a mesma analogia para esclarecer o que significa estar na Amazon. «Quando uma empresa tem a sua própria loja online é como se tivesse uma loja no deserto. Estar na Amazon é como estar num shopping. O processo é mais simples e rápido. Uma coisa não anula a outra. Há espaço para as duas. Contudo, os milhões que passam pela Amazon todos os dias ajudam», confessou.

A vender para áreas como a hotelaria e a restauração, a BestGift, tem como principais mercados França e Itália, mas vende também para os EUA, Canadá, México e Japão. «Os mais difíceis são o México e o Japão. Há sempre uma grande dificuldade: os transportes fora da Europa. Têm que ser bem negociados», avisou.

 

Além dos transportes, José Andrade destacou que o facto de a BestGift ter atualmente um sistema próprio integrado que centraliza todas as encomendas é essencial. «Foi um processo em que investimos muito dinheiro. 2016 foi o segundo ano a trabalhar com a Amazon e tínhamos pessoas a faturar quase 24 horas por dia. Quando trabalhamos com estes mercados, as vendas crescem e torna-se difícil gerir. Foi caótico», recordou. Para o CEO da BestGift, a palavra chave é «paciência». «É um processo evolutivo onde temos que ajustar os produtos a cada mercado. Na Black Friday, por exemplo, vendemos milhares de toalhas de mesa para Itália. As nossas toalhas são idolatradas lá. Em Portugal, vendemos muito poucas toalhas de mesa. Cada mercado tem a sua particularidade. Não desistam», aconselhou.

Por sua vez, Nelson Sena Pinheiro, business manager da Weip, teve uma experiência diferente na Amazon, por a empresa não ter marca própria e distribuir grandes e pequenos eletrodomésticos de marcas internacionais. «A grande dificuldade acabou por ser aprender a plataforma, que é exaustiva. É necessário perder algum tempo para compreender as funcionalidades. Depois de começarmos, as vendas dispararam», asseverou.

 

Estar na Amazon é também um processo adaptativo, acrescentou o business manager. «Na Black Friday, sem campanhas, as vendas dispararam. Tivemos que colocar mais pessoas para apoiar os clientes. Ainda nos estamos a adaptar e a crescer», admitiu. Para explicar o crescimento das vendas, Nelson Sena Pinheiro dá o exemplo da Alemanha, que tem mais de 50 milhões consumidores digitais. «É cinco vezes a população portuguesa. O que se abre para nós é completamente diferente do que o que estamos habituados. Quanto mais tarde entrarem no mercado digital, mais difícil será. É um mercado dinâmico», alertou.

 

Realidade incontornável

A abertura do evento ficou a cargo de Eurico Brilhante Dias, Secretário de Estado da Internacionalização, que frisou que, na área da moda, «as alterações climáticas estão a modificar a ideia de temporada. Estamos a ver, em sectores mais tradicionais, como o vestuário, as empresas de pequena dimensão a fechar porque há uma reorganização para as grandes superfícies e para o comércio eletrónico».

 

O governante apontou ainda que, para aumentar as exportações, as empresas portuguesas terão que «fazer mais do que fizeram até agora. Um país que aposte em exportações tem que estar nos canais de distribuição adequados que nos permitem chegar ao mundo».

A Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) acolheu a iniciativa. O administrador, Nuno Araújo, afiançou que «a Amazon é um bom exemplo de boas práticas nesta área. Temos acompanhado o rápido crescimento do comércio eletrónico».

 

A organizar mais uma iniciativa acerca da necessidade de exportar online, João Dias, administrador da AICEP apontou que «o e-commerce é uma realidade incontornável. Não podemos ficar de fora». Segundo João Dias, o consumo online está a crescer e, dentro de um ano e meio, irá representar cerca de 18% do retalho mundial. «É necessário perder tempo e dedicarmo-nos a questões logísticas, a assessoria fiscal, a questões regulamentares, por exemplo…, mas, no final do dia, compensa», concluiu.

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