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Em artigo publicado esta segunda-feira, Poul Thomsen, diretor europeu do Fundo Monetário Internacional, diz que um cenário de recessão profunda é certo e considera que não deve subestimar a “determinação dos líderes da zona euro para fazer o que é necessário para estabilizar o euro”.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que cada mês de paragem nos setores não essenciais da economia custe 3% do PIB anual europeu. O número foi avançado esta segunda-feira por Poul Thomsen, atual diretor europeu do FMI, num texto publicado esta segunda-feira no IMF Blog intitulado “Europe’s COVID-19 Crisis and the Fund’s Response”. Thomsen, que foi o primeiro chefe de missão do Fundo em Portugal no resgate de 2011, diz que “embora não saibamos quanto tempo vai durar a crise, sabemos que o impacto económico vai ser forte” e que, nas principais economias europeias, “os sectores não essenciais fechados pelos governos representam cerca de um terço do produto”. O que, avisa, significa que “cada mês que estejam fechados traduz-se numa queda de 3% no PIB anual “ e isso sem ter em conta “outras disrupções e contágios ao resto da economia”. Mesmo assim, considera que haver “uma recessão profunda na Europa este ano é uma conclusão inevitável”.

 

Thomsen considera que as economias avançadas europeias fizeram bom uso da sua margem de atuação da política económica “lançando significativos estímulos monetários e orçamentais” e sublinha o facto de “as regras orçamentais e os limites terem sido corretamente suspendidos para permitir apoio de emergência em larga escala, e os défices serem autorizados a aumentar”. No caso particular da zona euro, destaca a intervenção do Banco Central Europeu e o pedido dos líderes europeus para que o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES) “forneça um contributo suplementar para os esforços orçamentais nacionais” como decisivos para permitir que “os países com dívida pública mais elevada tenham a margem orçamental que necessitam para reagir”. E garante: “A determinação dos líderes da zona euro para fazer o que é necessário para estabilizar o euro não deve ser subestimada.”.

 

O responsável do FMI avisa que “todos os países vão ter de responder de forma agressiva à crise, de uma forma determinada e adequada à sua escala” e que “se há momento para usar as folgas disponíveis e a margem da política económica, é seguramente agora”, embora a latitude para cada país o fazer divirja bastante na Europa. Thomsen distingue, aliás, três situações distintas: as economias avançadas, as economias emergentes membros da União Europeia mas não da zona euro, e as emergentes fora da União. As economias emergentes fora da União são as que mais parecem preocupar o diretor europeu do FMI, algumas das quais estão já a pedir apoio ao FMI que, diz, está “preparado para desempenhar o seu papel no apoio ao esforço da Europa para combater a pandemia”.

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