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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O primeiro-ministro mostra-se convicto de que Portugal está mais bem preparado para lidar com o embate de uma crise internacional, antecipando que o “crescimento muito significativo” do investimento público na próxima legislatura “pode ter uma atuação contracíclica importante”.

“Nós temos hoje um músculo que nos permite contrariar essa dinâmica negativa”, assume o líder socialista, em entrevista à agência Lusa, antecipando que mesmo num cenário de crise será possível manter a promessa de redução dos impostos sobre o trabalho.

 

Costa aponta “três fatores de confiança” relativamente à capacidade de Portugal para lidar com ciclos de recessão ou de abrandamento do crescimento económico, desde logo o facto de Portugal estar a “contrariar aquela que é a tendência geral” e estar a “convergir mais com a média europeia do que seria de esperar”.

 

“Hoje, temos uma situação orçamental e da nossa dívida, e também da credibilidade internacional, que nos coloca mais ao abrigo de crises internacionais”, sustenta o chefe do governo e secretário-geral do PS, para de seguida exemplificar com o lançamento de programa de 10 mil milhões de euros de investimento público.

 

Apesar de muitos analistas colocarem o cenário recessivo no horizonte, o líder socialista mantém as promessas eleitorais do programa do partido, como manter “contas certas” e “um orçamento equilibrado”, ter uma dívida pública abaixo dos 100 por cento do PIB no final da próxima legislatura, uma década de convergência com a União Europeia, mais e melhor emprego e continuar a diminuir os impostos sobre o trabalho, desde logo no IRS, aumentar as deduções fiscais em função do número de filhos.

 

António Costa nota que o cenário macroeconómico validado pelo Governo junto da União Europeia “incorpora todos esses cenários de risco”, desde logo a possibilidade de uma guerra comercial China-EUA, de um Brexit sem acordo e de desaceleração da economia europeia.

 

“Eu diria que nós não podemos nem devemos ignorar os riscos de um cenário internacional, mas felizmente estamos melhor preparados, temos mais instrumentos para poder reagir e há bons indicadores de que os agentes económicos estão felizmente a prosseguir uma trajetória em contraciclo com aquilo que é a desaceleração em vários países da União Europeia”, assinala.

 

O nível de investimento privado “continua muitíssimo elevado” – mil milhões de euros de investimento estrangeiro no primeiro semestre – a AICEP tem em apreciação cerca de dois mil milhões de euros de investimento, os concursos para a obtenção de fundos comunitários continuam com “forte concorrência” por parte das empresas, continua a ser criado emprego, e com melhores salários, além de que as receitas da Segurança social estão a “subir entre sete e oito por cento”, o que significa que “os rendimentos estão a aumentar”.

 

Depois da devolução de rendimentos na legislatura que agora termina, Costa aponta agora “duas prioridades muito claras” para o próximo ciclo político com “mais investimento na qualidade dos serviços públicos” e “mais investimento em infraestruturas e na qualidade da economia”.

 

O primeiro-ministro reconhece existirem “tensões internas”, desde logo nos serviços da administração pública, mas insiste que a devolução de rendimentos não pode colocar em causa o equilíbrio das contas públicas, sob pena de os juros dispararem e asfixiarem quer a capacidade de devolução de rendimentos, quer o investimento nos serviços públicos.

 

“O nível de rendimento na sociedade portuguesa está muito aquém daquilo que é a ambição, mas também daquilo que é a necessidade que a sociedade portuguesa tem de investir nos seus recursos humanos para os poder fixar e aproveitar plenamente os recursos humanos que tem formado”, reconhece, assinalando neste sentido o valor da estabilidade política: “Nós temos de ter um quadro de estabilidade política que permita estabilidade na vida dos cidadãos”, designadamente “garantias de que não vai haver cortes de salários e pensões ou aumentos de impostos e que dê estabilidade às empresas para continuarem a modernizar-se”.

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