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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Vendas ao exterior em Janeiro foram as melhores dos últimos 11 anos. Nas compras, já se notou a quebra, sobretudo na matéria-prima chinesa, que caiu 12%.

O ano de 2020 começou da melhor maneira para as indústrias têxteis e de vestuário (ITV). Quem o diz é o presidente da maior associação de ITV em Portugal, Mário Jorge Machado, líder da ATP, com base nos números do comércio internacional referentes a Janeiro.

 

Segundo os dados da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, as exportações de matérias-primas têxteis aumentaram 1,4%, as de vestuário 3,1% e as de têxteis-lar e outros produtos têxteis confeccionados 3,3%. “O mês de Janeiro teve resultados muito bons para as exportações”, resume a ATP.

 

Com as vendas ao exterior em alta, atingindo 456 milhões de euros no primeiro mês de 2020 (o maior valor para o mês de Janeiro desde pelo menos 2009), o sector regista também “os primeiros sinais de covid-19”, mas nas importações, que caíram 6%, perfazendo um valor de 386 milhões de euros.

 

“As matérias-primas foram as mais afectadas, tendo diminuído quase 12% (menos 19 milhões de euros). É o início dos efeitos de covid-19. As importações da China caíram quase 12% (menos 4,5 milhões de euros)”, salienta a ATP.

 

Será preciso esperar pelos dados do comércio externo relativos a Abril para perceber que impacto teve a paragem generalizada da indústria na China e também o alastramento da epidemia provocada pelo novo coronavírus a outros países, incluindo muitos parceiros europeus da ITV portuguesa.

 

Nesse aspecto, em termos de exportações, a principal nota negativa é o comportamento das exportações para Espanha, que prosseguem na trajectória descendente de 2019. Daí que dificilmente possa ser atribuída ao “efeito covid-19”. Espanha comprou menos 2,5 milhões de euros (menos 2%). Representa agora pouco mais do que um quarto das exportações totais do sector.

 

Pelo contrário, os melhores sinais vieram do norte e do centro da Europa. “Os destinos que registaram melhores desempenhos foram a França (acréscimo de cerca de cinco milhões de euros, ou seja, mais 8,2%), a Suécia (aumento de 2,5 milhões de euros, correspondendo a um aumento de 21,3%) e a Alemanha (mais 2,3 milhões de euros, isto é, mais 5,4%)”, afirma a ATP, num comunicado em que recupera os dados do comércio internacional compilados pelo Instituto Nacional de Estatística.

 

O saldo da balança comercial dos têxteis e vestuário (vendas ao exterior menos compras ao exterior) ficou assim em 70 milhões de euros, com uma taxa de cobertura de 118%.

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